quinta-feira, 22 de março de 2018

25/03/2018
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DOMINGO DE RAMOS


O sexto Domingo da Quaresma recebe o nome especial de Domingo de Ramos ou o Domingo da Paixão, e constitui o pórtico solene da Semana Santa que culminará na celebração do Tríduo Pascal que é o mistério pascal.


Efetivamente a celebração do mistério pascal (Paixão, Morte e Ressurreição) contém os dois aspectos: morte e vida, fracasso e triunfo. Da mesma maneira, os ritos do Domingo de Ramos se estruturam ao redor dos dois eixos: a procissão aclamatória em honra de Cristo Rei e a leitura solene de sua Paixão na missa. Estes dois aspectos não são contemplados independentemente um do outro e sim intimamente entrelaçados: na procissão triunfal aclamamos Cristo Redentor, que se dispõe a iniciar o caminho que O conduzirá à Cruz, e a leitura da Paixão é inserida na celebração eucarística, memorial da ressurreição do Senhor.


A liturgia do Domingo de Ramos abre, então, as celebrações da Páscoa. Estamos entre a multidão festiva que veio para acompanhar a entrada de Jesus na cidade santa, Jerusalém, através da procissão, e nos convida, em seguida, a ouvirmos a paixão dolorosa na versão do Evangelho de Marcos pela qual o próprio evangelista dá a resposta definitiva para a pergunta que atravessa o seu Evangelho: Quem é Jesus? O evangelista Marcos coloca a resposta na boca do centurião que estava diante de Jesus crucificado: “Verdadeiramente este homem era filho de Deus!” (Mc 15,39), o título que Marcos já tinha antecipado no início do seu evangelho (cf. Mc 1,1).


Neste dia, o Rei dos reis, Jesus Cristo, mostrou sua profunda humildade simbolizada pelo uso de um jumento e não de um cavalo de guerra na sua entrada para a cidade santa, Jerusalém, que no relato da paixão a cidade que pelo nome é uma cidade da paz passa a ser uma cidade que condena à morte um justo inocente, Jesus Cristo. A humildade de Cristo vence o inimigo arrogante e o diabo que separa o homem de seu Salvador, libertando seu povo com seu próprio sangue. Por essa razão Ele não vem com ostentação, mas como Salvador humilde para proclamar a paz aos homens tirando-os do amor do mundo para levá-los ao amor de Deus que salva.


E nós também devemos nos pronunciar em favor dele com verdade e franqueza para não passar - como a multidão - do hosana ao crucifica-O! Devemos nos perguntar se nós também estamos realmente dispostos a encarar o caminho do amor com o Mestre e nosso Senhor. É um caminho que se manifesta, em sua aparente fraqueza e inutilidade, em um abandono incondicional à vontade do Pai para salvar a humanidade.


Hoje cada um de nós é convidado a contemplar a beleza do Rei. Somente contempla e olha com proveito para a própria alma o verdadeiro Rei que é Cristo. Neste dia, o Rei dos reis mostrou a sua profunda humildade para que aprendamos a viver na humildade. Não se pode abordar a vida de Jesus friamente, porque ai se joga o destino do homem: Jesus se apresenta como o Mestre da vida.


A humildade, que constitui o alicerce de outras virtudes, é uma virtude tão importante que Jesus sempre aproveita qualquer circunstância para pô-la em destaque. A humildade é o comportamento que atrai a simpatia dos homens e as bênçãos de Deus: “Filho, na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim, encontrarás graça diante do Senhor... pois é aos humildes que Ele revela seus mistérios e é glorificado pelos humildes” (Eclo 3,20s).


Uma sociedade que se apoia no poder mundano, na violência, na opressão e exploração dos mais indefesos e dos inocentes gera ódio, insegurança, sede de vingança e a lei do mais forte que é a lei da selva. Para criar um reino de justiça e de igualdade, de amor e de verdade e de fraternidade Jesus nos apresenta somente um caminho: doar a própria vida.


Ramos De Mártir e De Vitória


O domingo de Ramos com sua procissão é para nós um dia em que publicamente confessamos nossa . A procissão que fazemos não é outra coisa que uma gozosa manifestação da que professamos. Podemos dizer que nesta celebração somos consagrados como combatentes e mártires. A palma ou o ramo é símbolo de martírio. Ao levar os ramos queremos manifestar a Cristo que estamos dispostos a dar-Lhe testemunho como os mártires, se não com nossa vida, pelo menos com nossas boas obras, com o bem que praticamos cada dia.


A palma ou o ramo também é símbolo de luta e de vitória. Com a palma ou o ramo em nossas mãos queremos manifestar que vencemos o mal, o comodismo, a preguiça, o ódio, o rancor, a violência, a agressão. Queremos dizer que somos livres de todo o mal como pedimos no Pai-Nosso. Isto quer nos dizer que para sermos lógicos, coerentes com nossa fé é necessário que a realidade se ajuste ao simbolismo; é necessário que o que expressamos exteriormente o possuamos interiormente.


Seguir Um Messias Humilde


Jesus veio como o Messias humilde, simbolizado pelo uso do jumento na sua entrada em Jerusalém. No patíbulo da cruz, a humildade divino-humana de Jesus desmascara a escravidão culpável da arrogância. Arrogância é uma maneira de não admitir os próprios defeitos e fraquezas.


Pela virtude da humildade, Deus nos incute coragem para reconhecer a verdade que nos engrandece e liberta (cf. Jo 8,32), ao mesmo tempo, que nos faz perceber que a arrogância amesquinha e degrada o ser humano. O olhar simples de uma fé humilde nos permite recordarmos a nossa criação do nada, como pura graça, e participar na comunhão d’Aquele que é a origem de toda a vida e de toda a felicidade. O olhar simples de uma fé humilde nos permite reconhecermo-nos como pó, como terra cuja salvação depende do Criador com a própria colaboração humilde do homem.


Daqui brota para nós aquela humildade forte e corajosa que nos permite olharmos com serenidade para os nossos aspectos menos claros e para o peso dos nossos pecados, sem nos esquecermos de louvar o poder humilde, purificador e santificador de Deus. Ser humilde é aceitar as próprias qualidades e os defeitos. Ser humilde é aceitar os próprios limites e respeitar os próprios limites e, ao mesmo tempo, aceitar o Infinito que está nesses limites. Quanto mais sábia for uma pessoa, tanto mais humilde ela será. Um sábio tem consciência em relação ao que não sabe. Por isso, “simular humildade é a maior das soberbas” (Santo Agostinho). Ser humilde é ser você mesmo com suas qualidades e seus defeitos. O orgulhoso, ao contrário, julga ser o que não é. O orgulhoso vive na ilusão em relação a si mesmo. O orgulhoso tenta preencher sua carência com vaidade. O vaidoso é alguém inseguro, que tem necessidade de exagerar, de inventar histórias para conferir consistência a seu ego. No fundo o orgulhoso e o vaidoso são fruto de uma vida de angústia. São angustiados porque não se aceitam como são. Não admitem seus limites e defeitos. Por isso, vivem na ilusão. O mundo cultiva o orgulho e por isso, que existe um número crescente de angustiados.


Jesus é o Amor que se rebaixa até nós para nos exaltar. Esta humildade real e divina que habita em Jesus nos enobrece e nos oferece a incomparável dignidade de filhos e de filhas de Deus. Por isso, a humildade em seu grau mais perfeito não está em ser pequeno, mas em fazer-se pequeno para engrandecer os outros. De fato, Deus não é pequeno, mas faz-se pequeno para salvar a humanidade por amor.


Hoje Jesus quer também entrar triunfante na vida dos homens, em cada coração, em cada família, na sua família, e quer que demos testemunho dele com a simplicidade do nosso trabalho bem feito, com a nossa preocupação pelos outros, com nosso respeito pelos outros. Um precisa cuidar do outro na ternura. Não sujemos nossa vida com os valores mundanos, pois somos cidadãos do céu (Ef 2,19-20). Jesus quer fazer-se presente em nós através das circunstâncias do viver humano vividas na simplicidade e na humildade. Deus criou tudo porque ele é generoso. E os mais humildes costumam ser mais generosos. E a generosidade é uma forma de prolongar o ato criador de Deus que criou tudo gratuitamente.


O homem humilde é ateu de si, é aquele que não se considera deus nem super-homem; a humildade é o ateísmo de si mesmo. Que sejamos ateus de nós mesmos para que Deus seja verdadeiro Deus na nossa vida. Somente assim podemos vencer tudo na vida, pois lutaremos com Cristo, nosso Rei e Salvador.


1.Se tu estás preocupado com tua própria glória, como poderás interessar-te seriamente pelo bem dos demais? (Santo Agostinho: In ps. 37,8).


2.Não levantarias tão orgulhosamente a cabeça se não a tivesses vazia (Santo Agostinho: In ps. 37,8).


3.Para tu alcançares as alturas necessitas de uma escada. Para alcançares a altura da grandeza, usa a escada da humildade (Santo Agostinho: Serm. 96,3).


4.Como tu podes ser tão orgulhoso a não ser que estejas vazio? Se tu não estiveres vazio, não poderás inflar-te” (Santo Agostinho: In ps. 95,9)


5.Simular humildade é a maior das soberbas (Santo Agostinho: De sanc. virg. 43,44).
P. Vitus Gustama,svd

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