UMA
Estamos no
E
Jesus vive essa
Se começarmos o
P.
Vitus Gustama,svd
A vida é uma peregrinação. Ela nos empurra por dentro. Quem caminha vê muito mais. "Não tenho um caminho novo. O que eu tenho de novo é um jeito de caminhar"(Thiago de Melo). A vida, antes de ser vivida, precisa ser rezada.
UMA
Estamos no
E
Jesus vive essa
Se começarmos o
P.
Vitus Gustama,svd
SANTA MARIA, MÃE DE DEUS, MÃE
DO PRÍNCIPE DA PAZ
Primeira Leitura: Nm 6,22-27
22 O Senhor falou a Moisés, dizendo: 23 “Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: 24 ‘O Senhor te abençoe e te guarde! 25 O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! 26 O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!’ 27 Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei”.
Segunda Leitura: Gl 4,4-7
Irmãos: 4 Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, 5 a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. 6 E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá — ó Pai! 7 Assim, já não és escravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro: tudo isso por graça de Deus.
Evangelho: Lc 2,16-21
Naquele
tempo, 16 os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o
recém-nascido deitado na manjedoura. 17 Tendo-o visto, contaram o que lhes fora
dito sobre o menino. 18 E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados
com aquilo que contavam. 19 Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e
meditava sobre eles em seu coração. 20 Os pastores voltaram, glorificando e
louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido
dito. 21 Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino,
deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido.
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Deus
da luz,
bendito
sejas por cada manhã
e
por cada novo ano,
uma
promessa de vida e renovação.
Deus
da ternura,
bendito
sejas pelo coração de cada pessoa
e
pelas mãos que se abrem
em
sinal de paz.
Deus
e Pai de Jesus Cristo,
bendito
sejas ainda mais,
pelo
olhar do teu Filho,
um
reflexo insondável do teu amor.
Bendito,
glorificado e santificado sejas
por
Aquele que abraçou a nossa carne
e
nos transfigura na Tua luz!
Que
os anjos no céu te cantem com a tua Igreja,
pois
Tu és o Deus da infinitude
e
o Deus de toda a ternura,
e
és a Ti que aclamamos.
Senhor
Jesus Cristo,
o
teu nascimento foi o alvorecer de uma nova paz
para
o povo que amas.
Olha
mais uma vez para o amor
que
Tu mesmo colocaste
no
coração da Tua Igreja,
e,
para que neste novo ano
ela
cante a Tua glória,
digna-Te
unir as nossas mãos
em
unidade e alegria.
Permanece
conosco, Emanuel,
e
concede-nos uma paz que dure para sempre.
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Maria, Mãe De Deus: “Theotokos”, “Dei Genetrix”
Oito dias depois da Solenidade do Natal, a Igreja celebra a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Portanto, a figura de Maria enche este dia na sua fisionomia mais alta: a figura de Mãe de Deus, como foi solenemente proclamada no Concílio de Éfeso em 431, mas já assim a mesma figura está bem desenhada nas páginas do Novo Testamento.
São Paulo refere-se à Mãe de Jesus ao escrever aos Gálatas (2ª Leitura): “Deus mandou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei” (Gl 4,4). Nesta pequena linha, porém densa, aparece compendido o mistério da Enacarnação e, ao mesmo tempo, já se sente pulsar o coração da Marialogia. Maria não é grande em si mesma, mas é grande por ser a Mãe do Filho de Deus e é aqui que ela ultrapassa, imaculada por graça, bem-aventurada, nossa mãe na fé, pois a grandeza de Maria vem da grandeza de Deus.
O evangelista Lucas, através do texto do Evangelho desta solenidade, guarda uma preciosidade sobre Maria ao esvcrever: “todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam. Quanto a Maria, guardava (synetêrei) todas estas Palavras que aconteceram (tà rhêmata) compondo-as (symbállousa) no seu coração” (Lc 2,18-19). Diante do espanto de todos os que ouviram as palavras dos pastores, Lucas pinta um quadro mariano de extraordinária beleza: “Maria, ao contrário, guardava todas estas Palavras que aconteceram compondo-as no seu coração”. O verbo “guardar” implica atenção pemurosa (cuidadosa, carinhosa), como quem leva nas suas mãos uma coisa preciosa. Este “guardar” atencioso e carinhoso não é um ato de um momento, mas a atitude de uma vida, uma vez que o verbo grego está ni imperfeito, que implica duração.
O outro belo verbo nos mostra Maria como que a “compor”, isto é, a “pôr em conjunto” (symbállô), a organizar, para melhor entender. E Maria concebeu todas estas Palavras no seu ventre: syllambánô em tê koilía (Lc 2,21). O ventre de Maria está em sintonia com o “ventre de misericórdia do nosso Deus” (Lc 1,78).
Sobre este oitavo dia na Oitava de Natal (natal prolongado) em que se celebra a solenidade de Maria, Mãe de Deus, o Papa Paulo VI escreveu “O tempo do Natal é uma comemoração prolongada da maternidade divina, virginal e salvífica daquela cuja virgindade intocada trouxe ao mundo o Salvador” (Marialis Cultus, n.5). É o primeiro dia do Ano Novo: uma conclusão e um início. A Igreja consagra este dia à Virgem do caminho: à Mãe de Deus. A designação e a festa (Mãe de Deus) deixam bem claro o seu objetivo de homenagear a maternidade divina de Maria com solenidade à altura. Seu objetivo é “exaltar a singular dignidade que este mistério confere à Mãe Santíssima, por meio de quem fomos considerados dignos de receber o Autor da Vida” (Marialis Cultus, n.5). De fato, a liturgia deste dia sempre teve caráter nitidamente mariano.
O título “Mãe de Deus” declara o vínculo indissolúvel que une ao Filho de Deus feito homem. Foi justamente a partir da reflexão sobre o mistério de Cristo que amadureceu na Igreja o autêntico conhecimento de Maria. Sobre a maternidade divina de Maria, Santo Tomás de Aquino escreveu: “Deve-se afirmar que a Bem-aventurada Virgem é chamada Mãe de Deus não porque seja mãe da divindade, e sim por ser mãe segundo a humanidade, de uma pessoa que possui a humanidade e divindade” (Suma Teológica, III,35,4,2).
O título “Theotokos” (portadora de Deus) foi aplicado a Maria pelos Padres gregos no século III. E o título foi mantido pelos concílios de Éfeso (em 431) de Calcedônia (em 451). No Ocidente, Maria foi igualmente homenageada com o título de Dei Genetrix (Mãe de Deus). O título “Mãe de Deus”, sancionado pelo Concílio de Éfeso declara vínculo indissolúvel que une ao Filho de Deus feito homem.
Porém, Maria não somente desempenha seu papel como “Portadora de Deus”. Ela também tem a maternidade espiritual para a humanidade. Maria é a Mãe de todos os viventes na ordem da graça, pois ao dar à luz Jesus Cristo, ela também deu à luz espiritualmente todos aqueles que viriam a Ele para formar uma família na base da escuta e da prática da Palavra de Deus (Cf. Mt 12,48-50). Na graça, Jesus Cristo é o primogênito de muitos irmãos da humanidade, a Cabeça da humanidade redimida
Maria, Mãe De Deus É O Retrato De Uma Nova Mulher
“Mãe de Deus. Este é o título principal e essencial de Nossa Senhora. Trata-se duma qualidade, duma função que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde sempre Lhe reconheceu. Lembremos aquele momento importante da história da Igreja Antiga que foi o Concílio de Éfeso, no qual se definiu com autoridade a maternidade divina da Virgem. Esta verdade da maternidade divina de Maria ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente, no qual se venera a imagem da Mãe de Deus – a Theotokos – sob o título de Salus populi romani. Diz-se que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, se teriam congregado aos lados da porta da basílica onde estavam reunidos os Bispos e gritavam: ‘Mãe de Deus!’ Os fiéis, pedindo que se definisse oficialmente este título de Nossa Senhora, demonstravam reconhecer a sua maternidade divina. É a atitude espontânea e sincera dos filhos, que conhecem bem a sua Mãe, porque A amam com imensa ternura. Mais ainda: é o sensus fidei do povo santo de Deus que nunca, na sua unidade, nunca erra”, disse o Papa Francisco na sua homilia no dia 1° de Janeiro de 2014.
“Celebrar, no início de um novo ano, a maternidade de Maria como Mãe de Deus e nossa mãe significa avivar uma certeza que nos há de acompanhar no decorrer dos dias: somos um povo com uma Mãe, não somos órfãos. As mães são o antídoto mais forte contra as nossas tendências individualistas e egoístas, contra os nossos isolamentos e apatias. Uma sociedade sem mães seria não apenas uma sociedade fria, mas também uma sociedade que perdeu o coração, que perdeu o «sabor de família». Uma sociedade sem mães seria uma sociedade sem piedade, com lugar apenas para o cálculo e a especulação. Com efeito as mães, mesmo nos momentos piores, sabem testemunhar a ternura, a dedicação incondicional, a força da esperança. Aprendi muito com as mães que, tendo os filhos na prisão ou estendidos numa cama de hospital ou subjugados pela escravidão da droga, esteja frio ou calor, faça chuva ou sol, não desistem e continuam a lutar para lhes dar o melhor; ou com as mães que, nos campos de refugiados ou até no meio da guerra, conseguem abraçar e sustentar, sem hesitação, o sofrimento dos seus filhos. Mães que dão, literalmente, a vida para que nenhum dos filhos se perca. Onde estiver a mãe, há unidade, há sentido de pertença: pertença de filhos”, disse o mesmo Papa Francisco na sua homilia no dia 1° de janeiro de 2017.
Na anunciação Maria é convidada pelo anjo a alegrar-se por causa da graça: “Alegra-te, ó cheia de graça” (Lc 1,280) e é convidada a não ter medo, devido à mesma graça: “Não tenhas medo, Maria, pois achaste graça” (Lc 1,30). No início, Maria não é chamada pelo nome, mas o Anjo do Senhor chama-a simplesmente de “cheia de graça”. Na graça se encontra a identidade mais profunda de Maria. A graça de Maria está certamente em função daquilo que vem depois no anúncio, a sua missão de Mãe do Messias, mas também como uma pessoa tão cara para Deus desde a eternidade. A graça na linguagem grega (charis= graça) significa aquilo que dá alegria (charà= alegria). A razão principal da alegria de Maria e de nossa alegria é a graça de Deus. Além disso, a graça de deus é a razão do ser de Maria e de nosso ser, como diz São Paulo: “Pela graça de Deus, sou o que sou” (1Cor 15,10). A graça de Deus também é a razão da coragem de Maria e de nossa coragem. Quando São Paulo se queixava do agulhão, Deus respondeu: “Basta-te a minha graça” (2Cor 12,9). Por isso, a exemplo de Maria, Mãe de Deus, é preciso fazer o possível para renovar cada dia o contato com a graça de Deus que está em nós. Trata-se de entrar em contato com uma pessoa, uma vez que a graça não é senão Cristo em nós, esperança da glória.
Por tudo isso, Maria é a nova Mulher e representa a nova mulher. Como Maria, Mãe de Deus, a Igreja e a sociedade necessitam da mulher consciente, adulta, cheia de amor e de amizade cristã. As crianças, os jovens e os adultos necessitam de mães cheias de mensagens de Deus, portadoras dos valores eternos e firmes. Ser nova mulher é fazer do lar uma pequena comunidade de fé de amor. Ser nova mulher é testemunhar a sinceridade, a lealdade e a autenticidade em casa e na vida pública, é ser uma pessoa de Deus, de oração e de meditação, ser pessoa apegada à verdade. A nova mulher salva, edifica, pacifica, educa, santifica e transforma. Nova mulher é aquela que diz “sim” ao filho que vai nascer. É aquela que diz “sim” à educação cristã e humana dos filhos. É aquela que diz “não” à malícia, à astúcia, à mentira, à violência, ao aborto.
Se toda a mulher for a nova mulher junto com o novo homem, a família terá mais amor, serenidade e ternura. Por tudo isso, temos razão de olhar para a Mãe de Deus, que fez nascer a Paz para este mundo e dirigir a nossa oração: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém”
Maria É a Mãe Do Príncipe Da Paz: Shalom
Hoje é também o Dia mundial da Paz. O Papa Paulo VI fez desta data um dia especial de oração pela paz universal: “Esta é igualmente uma ocasião apropriada para renovar a adoração ao Príncipe da Paz recém-nascido, para ouvir mais uma vez as alegres notícias dos anjos e para implorar a Deus, por intermédio da Rainha da Paz, o supremo dom da paz. É por essa razão que, na feliz coincidência da oitava de Natal e do primeiro dia do ano, instituímos o Dia Mundial da Paz, uma ocasião que vem ganhando apoio sempre crescente e suscitando frutos de paz no coração de muitos” (Marialis Cultus, n.5). A paz é uma refeição saborosa, servida por Deus para seus filhos e portanto para todos, pastores, fiéis leigos e para todos os homens de boa vontade.
E o evangelho lido neste dia é tirado do relato do nascimento de Jesus. Quem gerou o Príncipe da Paz é, certamente, Maria, Mãe de Deus. A Paz se fez carne pelo sim de Maria e pela benevolência de Deus simultaneamente. O nascimento do Príncipe da Paz faz os anjos e a multidão do exército celeste louvarem e cantarem o hino conhecido liturgicamente como o Hino da Glória: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama” (Lc 2,14). A paz de Cristo pode existir e chegar até onde há guerra e lutas sectárias. Todos os cristãos devem estar conscientes de que a paz cristã não é apenas de ordem espiritual. Não pode haver paz verdadeira e duradoura onde sejam negados a justiça e os direitos humanos. Por isso, a paz não é apenas a ausência de guerra e sim o reconhecimento universal de que todos os homens são irmãos, pois tem Deus como o Pai Comum.
Com o nascimento do Verbo Divino, Jesus Cristo, através do SIM de Maria pela benevolência de Deus, a distância entre o Criador e a criatura, simbolizada pela menção do “céu” e da “terra”, é superada pela nova e definitiva Aliança de Deus com os homens em Jesus Cristo. Jesus, o Verbo encarnado, une o céu e a terra. O Deus “nas alturas” inclina-se sobre a “terra” dos “homens” por pura benevolência de Deus. O nascimento de Jesus é a expressão mais profunda do amor de Deus pelos homens, objeto do seu bem-querer. Jesus é a Palavra de graça e de salvação de Deus. Jesus é a última Palavra de Deus para os homens. Depois que o céu desceu à terra pela encarnação do Verbo eterno, o céu e a terra estão indissoluvelmente unidos. A salvação está na união do céu e da terra. Para que estejamos mais unidos entre nós na terra, e para que aconteça a salvação, temos que estar unidos com o céu.
Além disso, o texto quer nos mostrar que a origem e o fundamento da “paz na terra” estão na benevolência de Deus ou no seu bem-querer. A raiz última do desígnio salvífico de Deus está na sua benevolência. O evangelista Lucas certamente quer nos transmitir um Deus que não é um juiz frio e distante, que não se comove com o sofrimento humano, mas o Deus que “desce” ao encontro dos homens que ele ama, que respeita nossa liberdade, mas que espera nossa resposta ao amor que ele nos oferece. Deus nos quer bem, não porque nós somos bons e justos, mas porque Ele é bom, justo e misericordioso. Ao aceitar o Deus da bondade e da justiça seremos bons e justos também para com os outros. Por este tipo de Deus que o evangelista Lucas nos transmite é que o seu evangelho é conhecido como o Evangelho da graça, da misericórdia e da ternura. Por mais duro que seja um coração, ele não encontrará nenhuma resistência diante da ternura e da misericórdia de Deus. A nossa felicidade nesta terra, e a nossa segurança na caminhada diária estão na fé, na esperança e na certeza do amor absolutamente gratuito de Deus para conosco e na nossa acolhida deste amor gratuito. A paz anunciada pelos anjos aos pastores e que eles a acolhem fazem os mesmos irem “às pressas” a Belém para encontrar-se com o Príncipe da paz e saírem correndo para anunciá-la para os outros, pois a graça de Deus não permite a demora e não permite uma vida parada.
Portanto para que a paz anunciada pelos anjos reine verdadeiramente na terra é necessário que se realize uma única condição: que o coração humano se abra ao amor de Deus e o acolha. Nada tem uma força tão transformadora como o Evangelho da justiça, da misericórdia e da paz de Deus, quando ele é acolhido e testemunhado com um coração aberto a Deus e aos homens que Deus ama. Ao contrário, todo poder constituído sobre o egoísmo e a arrogância, sobre a prepotência e a opressão tem apenas os pés de barro. Cedo ou tarde ele desmorona.
No início do Ano Novo, certamente, nós desejamos a paz mutuamente. Não é por acaso que neste dia lemos como a primeira leitura um trecho do Livro de Números (Nm 6,22-27) que contém a bênção usada pelos sacerdotes no encerramento das celebrações litúrgicas no Templo: “Deus te abençoe e te guarde! Deus faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno! Deus mostre para ti a sua face e te conceda a paz!” A cada uma das três invocações são acrescentados dois pedidos de bênção. É um dos textos mais ricos teologicamente e de maior elegância literária de todo o Pentateuco. As três versículos (v. 24; v.25; v.26) são paralelos entre si, tanto na forma como no conteúdo. E nos três versículos repete-se de forma explícita o nome de Deus para mostrar que a fonte e o princípio de toda a bênção é Deus; o sacerdote é apenas o mediador.
No v. 24 emprega-se os verbos “abençoar” e “guardar”. “Abençoar” e “bênção” são os termos clássicos empregados pelo AT para exprimir toda espécie de bens e de dons, tanto de ordem natural quanto de ordem sobrenatural. “Guardar” exprime a proteção de Deus que acompanha seu povo para defendê-lo de suas adversidades e salvá-lo de suas desventuras. Se Deus quer nos proteger sempre, por nossa vez, devemos saber proteger os outros e desejar a bênção para os mesmos. Pois a bênção dada é a bênção recebida.
No v.25 usa-se uma fórmula de caráter antropomórfico, isto é, a descrição da essência e dos atributos divinos através do uso da figura humana; ou dar o rosto humano ao rosto divino. Tudo isto é o sinal da pobreza da linguagem humana para descrever a grandeza de Deus: Deus faça resplandecer o seu rosto sobre ti e conceda-te sua graça (ou seja, seus favores e seus benefícios)! Esta expressão pode-se encontrar nos Salmos (cf. Sl 79,4.8.20; Sl 66,2). Um rosto resplandecente é a expressão da bondade e da benevolência de Deus. Para que possamos irradiar os outros com a resplandecência de Deus, temos que contemplar “a face” de Deus, como os olhos que só funcionam quando existe a luz, pois na escuridão, embora tenham-se os olhos sadios, não podem enxergar nada.
No v. 26 pede-se a paz: “Deus mostre para ti a sua face e te conceda a paz!” Esta invocação final “te conceda a paz” junto a primeira “te abençoe” é mais densa teologicamente porque os dois termos “bênção” e” paz” (SHALOM) são uma expressão mais plena dos bens da salvação no sentido mais pleno da palavra: os bens do céu e os bens da terra, a saúde do corpo e a saúde da alma, a prosperidade e a felicidade sem limites, a vida, a alegria, a plenitude e satisfação dos anseios e desejos mais profundos do homem, tanto nas relações inter-humanas como em sua projeção para Deus. Não é por acaso que o povo semita deseja entre si com a saudação “Shalom” pois o “Shalom” condensa todo o bem que se pode desejar a uma pessoa.
Jesus, como um bom judeu, diria "shalom". Ainda hoje, quando um judeu cumprimenta outro com "shalom", ele não está simplesmente desejando paz e segurança contra seus vizinhos. Biblicamente, "shalom" não é meramente a ausência de guerra. É uma espécie de resumo de todas as bênçãos salvíficas. Desejar "shalom" a alguém é desejar-lhe paz interior e exterior, aceitação, fraternidade, apoio ao bem comum, harmonia consigo mesmo e com a natureza, profunda sintonia com a vida e o cosmos, e paz inefável com Deus. Podemos refletir sobre isso hoje na Eucaristia durante o Sinal da Paz.
O povo grego traduz o termo hebraico “Shalom” por “EIRENE” que significa prosperidade, mas também repouso, tranquilidade de alma. Para os gregos, a paz é um estado de tranquilidade. Não há conflito. Neste estado de tranquilidade e paz, o ser humano pode criar uma existência segura e consequentemente ele pode alcançar a prosperidade. O termo “eirene” também tem a ver com a harmonia: tudo combina com tudo, formando um todo coeso. Se tudo está em ordem para o homem, ele pode conviver harmoniosamente com seus irmãos e irmãs. A paz é por isso, é uma tranquilidade da ordem onde cada um ocupa seu lugar e exerce seu próprio papel com responsabilidade e com justiça.
Os latinos, especialmente os romanos, traduzem o “Shalom” por “Pax” de onde vem a palavra paz em português. O termo “Pax” vem de “pacisci”, que significa conduzir negociações, firmar um pacto, concluir um contrato. Para os romanos a paz nascia na medida em que eles falavam entre si e chegavam a um acordo a partir de regras comuns. Na aliança firmada, ambas as partes se comprometiam a observar acordos comuns. A paz para os romanos, então, deve ser conquistada por meio de um acordo comum a partir de princípios iguais. Quando se trata da paz como um pacto por meio de um acordo comum a partir de princípios iguais, isto supõe que as pessoas devam se falar para que surja a paz. Isto quer dizer que a paz só nasce quando um escuta o outro, quando um dá a atenção ao outro e quando, nesse ouvir comum, surge um compromisso com o qual todos podem viver bem harmoniosamente.
Apesar de tudo isto, Deus sabe que o homem, por si mesmo, não é capaz de ter a paz consigo mesmo, com a criação e com os outros sem a presença do Príncipe da Paz. Por isso, o próprio Deus envia seu Filho, Jesus Cristo, o Príncipe da Paz. A paz é um dom de Deus para o ser humano. O evangelista Lucas anuncia Jesus como o Imperador da paz, pois traz a paz para o mundo inteiro, sem armas, apenas através do amor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, diz Jesus aos seus seguidores (cf. Jo 15,12). Quando ele nasceu, os anjos anunciaram ao mundo a paz sobre a terra: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que ele ama”. Os anjos nos convidam a abrirmos os nossos olhos e o nosso coração para a paz que Deus nos oferece através de glorificação de seu nome sobre a terra. Se a glória de Deus não ocupar o lugar principal na convivência humana, a humanidade carecerá de paz verdadeira. Se o ser humano der espaço para que o Príncipe da Paz, Jesus Cristo, reine seu coração, os seus nervos se tranquilizam. Com a paz de Deus, os oprimidos ganham força, os aflitos e desesperados o alento e esperança, os desorientados a direção, os que estão na escuridão a luz, os inimigos a reconciliação, e os pecadores o perdão. Por isso, a paz é o maior dom que você recebe de Deus e o maior presente que você pode ou possa dar para os outros.
Para que a paz possa reinar nossa vida temos que ficar desarmados em todos os sentidos. Não são só os outros que estão armados. Cada um tem o seu próprio coração armado, à defensiva por causa da soberba, e agressivo por causa da ambição de poder e de domínio. Enquanto não estivermos desarmados completamente por dentro e por fora, falar da paz é uma perda de tempo e energia, pois a paz verdadeira está longe de nós. Enquanto não estivermos em paz com Deus, com a nossa consciência, com os de casa e resto dos familiares, com os vizinhos, amigos, companheiros de trabalho é inútil abrirmos a garrafa de champanhe ou vinho. Não há paz sem fraternidade, justiça, amor e perdão. É urgente ficarmos desarmados completamente por dentro e por fora. Única “arma” permitida na convivência é o amor mútuo, pois ele é o maior de todos os mandamento e o resumo da vida eterna.
Que Maria, a Mãe do Príncipe da Paz, interceda por nós para que, como ela, possamos também ser geradores ou construtores da paz neste mundo. Como dizia Sto. Agostinho: “Não basta ser pacífico. É necessário ser promotor da paz” (Serm. 357,1). A paz entre o homem e Deus é a harmonia da obediência do homem à vontade de Deus. A paz de todas as coisas é a tranquilidade da ordem” (Cidade de Deus, 19,13,1).
Deus nos deu o Novo Ano. Deus nos dá tempo para que o valorizemos. Quem não valoriza o tempo, enterra muitas oportunidades. “Amas a vida? Então não desperdices o tempo, porque ele é feito de vida”, dizia Benjamin Franklin.
Portanto, dediquemos nosso tempo para trabalhar com entusiasmo, pois isto é o preço do triunfo. Dediquemos nosso tempo para pensar, pois isto é a fonte de nosso saber. Dediquemos nosso tempo para recriar e nos divertir, pois isto é o segredo da juventude. Dediquemos nosso tempo para ler, pois isto é a base de nosso conhecimento. Dediquemos nosso tempo também para rir e sorrir, pois isto é a essência para nosso contentamento. Dediquemos nosso tempo para os amigos, pois isto é também o caminho da felicidade. Dediquemos nosso tempo para sonhar, pois isto nos eleva para as estrelas de nossa vida. Dediquemos nosso tempo para amar e ser amado, pois isto é o caminho para nossa divinização. Dediquemos nosso tempo para orar, pois isto é o caminho para nos encontrarmos com Deus, nosso Pai. Dediquemos nosso tempo para planejar o tempo, pois isto é o segredo de renovação e de inovação. Por isso, no início do Ano Novo que começa, rezemos com o Salmista: “Ensinai-nos, Senhor, a contar nosso dias, para que tenhamos coração sábio” (Sl 90/89,12)
P.
Vitus Gustama,SVD
JESUS, ALFA E ÔMEGA
FIM DO ANO:
OLHANDO-SE
Primeira
Leitura: 1Jo 2, 18-21
18 Filhinhos, esta é a última hora. Ouvistes dizer que o Anticristo virá. Com efeito, muitos anticristos já apareceram. Por isso, sabemos que chegou a última hora. 19 Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos, pois se fossem realmente dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas era necessário ficar claro que nem todos são dos nossos. 20 Vós já recebestes a unção do Santo, e todos tendes conhecimento. 21 Se eu vos escrevi, não é porque ignorais a verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira provém da verdade.
1 No
princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. 2 No princípio, estava ela com Deus. 3 Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez
de tudo que foi feito. 4 Nela estava a
vida, e a vida era a luz dos homens. 5 E
a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. 6 Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era
João. 7 Ele veio como testemunha, para
dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8 Ele não
era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: 9
daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano.
10 A Palavra estava no mundo – e o mundo
foi feito por meio dela – mas o mundo não quis conhecê-la. 11 Veio para o que era seu, e os seus não a
acolheram. 12 Mas, a todos os que a receberam,
deu-lhes capacidade de se tornar filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em
seu nome, 13 pois estes não nasceram do
sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. 14 E a
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Estamos no último dia do ano. Ao terminar um ano e iniciar outro, sempre nos perguntamos: Como será o futuro, especialmente dentro do contexto de tanta polarizão e do surgimento da Inteligência artificial? Que tipo de educação acadêmica que vai surgir com a Inteligênca Artificial? E a atuação dos pregadores dentro de tantas informações: serão censurados, pois todos podem verificar na internet ou redes sociais para saber se os pregadores falam corretamente em termos de conteúdo? Em nome de dinheiro muitos colocam seu conhecimento, sua habilidade nas redes sociais (Youtube, Instagram ect.). Com a tecnologia avançada, quem são os novos excluídos? Em termos de matrimônio, quais são meios, dentro da tecnologia, para desviar-se da fidelidade matrimonial? O mundo está nas nossas mãos através do celular, mas o aparelho (celular) nos separa ou afasta de uma convivência. É o perigo de isolamento! Quais são novas doenças que surgirão pelo avanço da tecnologia? Teremos saúde ou a enfermidade mais que hoje? Que será de nossa família? Poderemos realizar nossos sonhos e projetos? Quais são novas pandemias ou vírus no futuro próximo ou remoto? Guerras, fome e pandemias, que sempre afetaram a vida humana, historicamente, vão diminuir com a nova tecnologia? De que maneira a fé cristã pode ser vivida neste avanço tecnológico? O que nos oferece nossa fé diante de tudo isto? Ainda tem uma lista enorme de interrogações que cada um pode acrescentar....
Não podemos nos esquecer que, como cristãos, celebramos o fim do ano dentro da oitava do Natal. E Por isso, é um prolongamento da celebração do mistério da humanização de Deus e a divinização do homem através da Encarnação. Isto significa que apesar de qualquer coisa e diante de qualquer coisa, estamos com Cristo Jesus. Esta é a certeza de nossa fé. O Papa Bento XVI uma vez disse: “A certeza de que Cristo está comigo, de que em Cristo o mundo futuro já começou, também dá certeza da esperança. O futuro não é uma obscuridade na qual ninguém se orienta. O cristão sabe que a Luz de Cristo é mais forte e por isso, vive numa esperança que não é vaga e sim numa esperança que dá certeza e valor para afrontar o futuro” (Audiência geral de 12 de novembro de 2008).
Quando conhecermos Jesus e aceita-Lo em nosso coração; deixar-nos guiar por seu exemplo e seus ensinamentos, veremos que as coisas funcionarão melhor. É aprender a viver em família como Ele na Sagrada Família de Nazaré. É preciso ter o mútuo respeito uns aos outros, os esposos entre si, os pais e os filhos, parentes e vizinhos. Que haja carinho, compreensão, ternura diálogo, perdão mútuo, paciência, trabalho compartilhado, confiança mútua. Com estas bases fundamentais, fé em Deus e harmonia familiar, podemos, sim, enfrentar qualquer eventualidade. E isto não depende de qualquer governo, pois os sistemas mudam, e sim depende de uma mudança pessoal.
É preciso evitar despesas excessivas e desnecessárias; eduque-se e eduque para economizar, para se sentir bem na austeridade. Os tempos não são para desperdícios e vaidades. Não troque de roupa, carro, móveis, sapatos, telefone celular, se não for imprescindível. Cuide do seu trabalho, seja pontual, responsável, gentil com seus chefes e colegas. Se você está desempregado, procure uma ocupação, seja ela qual for, desde que seja digna, e não ficará sem o que precisa. Deus alimenta até os pássaros, mas não no ninho; se eles procuram, eles encontram.
O final do ano ressoa em nossa celebração. O nascimento de Jesus é “o princípio e a plenitude de toda a religião”, diz a oração da Coleta (Oração inicial da Santa Missa/Celebração). E o Evangelho nos mostra Jesus como ponto de referência única da história, pois o tempo é dividido entre antes e depois de Cristo. Hoje podemos falar de que todo nosso tempo, na vida humana e na fé, tem um único centro e critério: Jesus Cristo. Com Cristo chegamos à última hora: o tempo de decisão que se estende até a Parusia, até a manifestação gloriosa de Jesus: “Filhinhos, esta é a última hora” (1Jo 2,18).
O Evangelho nos convida a contemplarmos este Jesus: n´Ele está a graça e o amor de Deus; e esta graça e amor experimentamos no seu fazer-se homem, em sua “carne”.
Podemos dar graças pelo ano que acaba, pela salvação que Deus continua nos dando. É a ação de graças pela vida. E a vida é um dom e um presente de Deus, pela qual devemos dar graças. Ninguém pode pedir vida. Cada um simplesmente recebeu a vida. Trata-se de um dom, de um presente. Se mantivermos essa consciência de que a vida é um presente, viveremos em ação de graças todos os dias. Creio que muitos cristãos se esquecem disso, isto é, não sentem que a vida como um presente de Deus. Que belo é viver como dom!
Também podemos ou devemos pedir perdão pelo que há de “anticristo” em nós, como enfatiza a Primeira Leitura de hoje. Somos anticristos quando temos critério de “mentira”, critérios que não são os de Jesus. É pedir perdão pelas nossas limitações e debilidades durante o ano que termina.
Estamos no
Jesus vive essa forma de vida mostrando o seu significado pleno. Em Cristo, o próprio Deus se fez peregrino para vir ao encontro do homem nos seus caminhos. E o fato de ele não ter “uma pedra onde repousa a cabeça” (Lc 9,58) e sua vida apostólica itinerante revelam a sua identidade de peregrino por excelência.
Por isso, devemos fazer sempre de Jesus o centro de nossa vida e ser moldados num instrumento da graça de Deus. Precisamos confiar na profundidade de Deus em nós e viver dessa confiança. Esse é o caminho para continuar andando rumo à total comunhão com Deus.
E para sentir a liberdade de caminhar nesta peregrinação temos que experimentar a alegria do desapego. As maiores dificuldades no progresso, tanto material como espiritual, estão em nosso arraigado apego às coisas passadas, caducas e superficiais. Para caminharmos para frente e para o alto sempre devemos renunciar. A falta de renúncia atrasa a vida e mata a esperança. Quem deseja andar deve deixar muita carga, muito peso para trás de si mesmo. O homem que não se renova, que não renuncia às coisas superficiais, perde-se, degrada-se e infantiliza-se. Quem tem consciência de que nasceu para o alto e para a frente, tudo vence, tudo supera para alcançar a sua meta: a comunhão plena com Deus. Abraão Lincoln disse: “Podemos caminhar devagar mas nunca para trás”.
O termo “Verbo” (Logos em grego) é central do Prólogo de são João. Ele se refere à razão, à palavra, ao pensamento e ao princípio fundamental. Para os gregos, o Logos era a razão universal que organizava o cosmos; para os judeus, a Palavra de Deus era a própria manifestação da ação divina, que cria e sustenta. São João une essas duas concepções para apresentar Jesus.
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Deus na terra! Deus entre os homens! O Deus vivo está presente entre os homens. Este Deus encarnado, presente nos sacramentos, na Igreja, apesar de todas as suas fraquezas, é o Deus da grande caridade, do amor maior. O Corpo e o Sangue de Jesus na Eucaristia salvam o mais miserável dos homens. Deus habita a carne para matar a morte que nela se esconde. “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós”. Creio em Jesus Cristo, Filho do Deus vivo que habita entre nós.
O evangelho nos convida a contemplarmos este Jesus, Palavra divina feita carne, pois nela está toda a graça e o amor de Deus. Somente na vida concreta deste Jesus é que podemos encontrar a glória de Deus e o sentido de tudo, especialmente de nossa vida.
Podemos dar graças pelo ano que termina, pela salvação que Deus continua nos dando e pedir perdão pelo que há de “anticristo” em nós (1Jo 2, 18-21): somos anticristos quando temos critérios de “mentira”, e outros critérios que não são os de Jesus.
Este último dia do ano é uma boa ocasião para fazermos um balanço do ano que passou e fixarmos propósitos para o ano que começa. É uma boa oportunidade para pedirmos perdão pelo bem que não fizemos, pelo amor que nos faltou, pelo perdão que não oferecemos; também é uma oportunidade para agradecermos a Deus de todos os benefícios que nos concedeu.
Neste último dia do ano, nós como cristãos devemos viver esta mudança de ano a partir de uma triple atitude:
(1). A primeira atitude é a de ação de graças pela vida. Finalizamos mais um ano de nossa vida. E a vida é um dom e uma dádiva de Deus pela qual devemos dar graças. Muitas vezes nos faz falta a vivência de sentir nossa própria vida como uma dádiva que Deus nos fez. Se olharmos para nossa vida a partir do ponto de vista de dádiva, chegaremos a dizer “Como é belo viver!”. Temos que dar graças por um ano vivido na graça de Deus.
(2). A segunda atitude é a de pedir perdão por nossas limitações e debilidades durante o ano que está terminando. É pedir o perdão pela falta de amor nas nossas conversas e em tudo que fizemos. Cada um de nós recebeu um número de talentos, mas nem todos conseguiram render os talentos. Martin Buber dizia: “A grande culpa do homem não é o pecado. A grande culpa do homem consiste em que em todo momento pode se converter, mas não o faz”. "O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." (Albert Einstein).
(3). A terceira atitude é a de saber que tenho uma missão a cumprir neste ano novo que começa. O mesmo Martin Buber dizia: “Todos nós somos chamados a levar algo à plenitude no mundo”. A partir deste pensamento sabemos que sempre espera em alguma parte deste mundo alguma missão que tenho que realizar. Sempre há alguém em alguma parte deste mundo esperar que eu possa dar-lhe uma esperança nova. Sempre espera em alguma parte deste mundo uma dor que possa morrer em meu amor. Sempre espera em alguma parte da sociedade meu Deus em quem acredito, que me pede o amor para poder encarar tudo na vida, inclusive a dor da perda.
Que as luzes do Ano Novo que está para chegar nos mostrem a verdade de que ninguém chega antes ou depois, tirando menos ou levando mais da vida. Que neste ano novo possamos olhar para trás sem ferir os olhos de ninguém no que fizemos, sem perder no coração a fé do que nos resta a fazer. Precisamos começar o ano sem pisar em ninguém; começar o ano novo com o amor correndo por todas as veias, em todas as palavras, em todos os passos, em todos os encontros e diálogos; começar o ano novo com a maravilhosa promessa de fazer o bem. Que nos doze meses do ano que principiará, a fé, o amor e a esperança sejam uma riqueza constante em nossos lares, em nossos trabalhos e em qualquer lugar onde nos encontrarmos. Precisamos cortar o que precisa ser cortado; deixemos que nossa vida sangre um pouco para o nosso crescimento ao bem. Não nos deixemos arrastar por coisas passageiras. Abandonemos tudo o que nos entristeceu no passado. Esqueçamos as amarguras, as contrariedades. Não levemos para o ano novo ganâncias, nem mentiras. Leve somente soluções, respostas, aberturas, liberdade, justiça, amor e luz. Entremos no ano novo com a vontade de perdoar os erros dos outros. Não deixemos que o poder e o orgulho nos dominem.
Por isso, em nome do Senhor e com Ele desejamos uns aos outros que tenhamos um Feliz Ano Novo. Oxalá possamos apresentar-nos diante do Senhor, no fim do Ano Novo que começa, com as mãos cheias de horas de trabalho oferecidas a Deus no serviço aos nossos próximos, especialmente aos necessitados. Façamos o propósito de converter as derrotas em vitórias, recorrendo a Deus que transforma o impossível em possível e começando de novo. E peçamos à Virgem Maria, nossa Mãe, a graça de viver o Ano Novo que vai se iniciar daqui a algumas horas com muita paz e felicidade.
Desejo a cada um
para o Ano Novo que se inicia:
• Mais gestos, e menos
palavras.
• Mais
dinamismo e menos acomodação.
• Mais
discernimento e menos loucuras.
• Mais
compromissos e menos teorias
• Mais
abraços e menos medos.
• Mais
saúde e menos agressões.
• Mais
amizade e ética e menos interesses.
• Mais
bonança e menos tempestades.
• Mais
valores e menos artificialidade.
Diante da vitória, continue!
Diante da derrota, não desanime!
Diante da dor, não se entregue!
Diante do fracasso, aprenda!
Diante do novo, mergulhe!
Diante do passado, tire lição!
Diante do futuro, sonhe!
Diante do presente, vibre e se comprometa!
Diante do outro, seja você mesmo!
Diante de Deus, reze e confie, pois só Ele tem palavras de vida eterna!
No Ano Novo que começa, vamos buscar ser mais agradáveis com as pessoas, educados na forma de acolher, humanos no jeito de olhar e simples na maneira de viver e de falar. Vamos buscar sempre dialogar aprendendo do dom do outro e oferecendo o dom que temos ao outro. Vamos olhar o outro com profundidade, abraçar com generosidade e amar sem economizar o carinho. Não desistamos nunca de abrir novas portas para descobrir novos segredos de viver com plenitude; não desistamos de olhar para frente, de estender as mãos para os necessitados e de viver com o espírito de ação de graças. Paremos de reclamar sem esperança, de criticar sem oferecer solução, de chorar sem razão, de sofrer sem sentido e de trabalhar sem coração. Vamos de mãos dadas para aprender e para ensinar, para amar e ser amado, para viver e conviver e para confiar mutuamente, a fim de que o sucesso se torne realidade. Busquemos sempre escutar silenciosamente, aprender continuamente, crescer constantemente e falar respeitosamente. Vamos buscar compreender para ponderar, discernir para decidir sabiamente, amar para construir fraternidade e ser livre para libertar os outros.
Se começarmos o ano novo cheios de Espírito de Deus, com o coração e a mente livres do ódio e da arrogância, conservando a alma livre de amarras, sem apegos aos ídolos do poder e da posse, então o ano novo será dos melhores. Deus nos conceda tudo isto! E FELIZ ANO NOVO!!!
P.
Vitus Gustama,SVD
ORAÇAO PARA O FIM DO ANO
Senhor Deus, Dono do tempo e da eternidade. Seu é o hoje e o amanhã, o passado e o futuro.
Os planos me pertencem, mas as horas Lhe pertencem, Senhor. Pois somente o Senhor tem uma bola de cristal sobre a minha vida e tenho apenas um mistério diante de mim que me chama a andar para entendê-lo passo a passo, mesmo que seja apenas uma porção dele para iluminar um pouco a minha caminhada diária.
Ao terminar este Ano quero Lhe dar graças por tudo que eu recebi de Sua bondade. Graças pela vida e pelo amor, pelas flores, pelo ar, pelo solo e pelo mar; pela alegria e a dor; por tudo que foi possível fazer.
Neste último dia do ano quero Lhe oferecer tudo que eu fiz, o trabalho que consegui realizar, as coisas que passaram pelas minhas mãos e que com elas pude construir minha vida e convivência.
Quero também lhe apresentar, Senhor, as pessoas que amei ao longo deste Ano, as novas e as antigas amizades; os mais próximos e os mais distantes e os que estiveram conosco no ano anterior e que partiram para a eternidade; os que eu pude ajudar; os que deram a mão para me levantar para andar em comunhão comigo rumo à felicidade eterna cujo prelúdio se inicia neste mundo. Agradeço-lhe, Senhor, pelos sucessos e conquistas que alcancei pelo meu crescimento e pelo bem dos que me amam; pela oportunidade para visitar e ajudar os doentes e necessitados.
Mas também, Senhor, hoje eu quero pedir-lhe perdão. Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gastado, pela palavra dita sem reflexão e por isso foi dita inutilmente, e pelo amor desperdiçado. Perdão, Senhor, por ter feito muitas coisas sem amar, por ter sofrido sem amadurecer, por ter sabido sem crescer. Perdão pelo tempo não valorizado e não usado indevidamente, e por isso enterrei muitas oportunidades e comecei a sentir a frustração. Perdão pelos comentários maldosos que causaram tantas feridas na vida dos ofendidos. Perdão pelas minhas murmurações. Perdão pelo trabalho mal feito e foi feito pela metade. Perdão por viver sem entusiasmo. Cure, Senhor, os corações que feri consciente ou inconscientemente. Que haja sempre o encontro de amor entre nós, mesmo que seja através de tantos sofrimentos e obstáculos.
Peço-lhe, Senhor, que complete o que ficou incompleto em mim para o Ano Novo que começa. Aperfeiçoe o que ficou imperfeito. Enchei o que totalmente ficou vazio de amor no meu coração. Santifique o que foi maculado pelas manchas da falha humana consciente ou inconscientemente. No lugar de indiferença coloque mais ternura, na frieza mais amor, nas loucuras mais discernimento, na acomodação mais dinamismo, na discórdia mais concórdia, nas guerras mais paz, nas palavras mais gestos, nos interesses mais ética, na artificialidade mais valores, nas críticas mais sugestões construtivas, na inteligência mais sabedoria, e nas preocupações mais fé. Para que eu possa viver cada dia com otimismo e bondade levando para todas as partes um coração cheio de compreensão e paz. Abra, Senhor, meu ser para tudo o que é bom e digno, encha meu espírito somente de bênçãos para que eu seja uma bênção para todos: para onde eu for e onde eu estiver. Senhor, dê-me a capacidade de escutar para compreender, e amar para ser.
“Se ando, ó minha Luz, iluminai-me.
Se estiver cansado, fortificai-me.
Se eu parar no caminho, empurrai-me, forçai-me, estimulai-me.
Se eu cair, levantai-me.
Se eu estiver cansado, fortificai-me.
Se estiver fraco, carregai-me.
Se for atacado, defendei-me.
Se estiver perdido, procurai-me.
Deixo-me conduzir pela vossa sabedoria.” (Jean Crasset)
E dê-nos um Ano Feliz e ensine-nos a partilhar a felicidade para que nossa felicidade seja completa. “Ensina-nos, Senhor, a contar nossos dias para que venhamos a ter um coração sábio” (Sl 89(90),12).
“É graça divina começar bem. Graça maior, persistir na caminhada certa, manter o ritmo... Mas a graça das graças é não desistir. Podendo ou não podendo, caindo, embora aos pedaços, chegar até o fim” (Dom Hélder Câmara).
“Imagine que você tem uma conta corrente e a cada manhã você acorda com um saldo de US$ 86.400,00. Só que não é permitido transferir o saldo do dia para o dia seguinte. Todas as noites, seu saldo é zerado, mesmo que você não tenha conseguido gastá-lo durante o dia. O que você faz? Você irá gastar cada centavo, é claro!
Todos nós somos clientes desse banco de que estamos falando. Chama-se TEMPO.
Todas as manhãs são creditados, para cada um, 86.400 segundos. Todas as noites é debitado como perda. Não é permitido acumular esse saldo para o dia seguinte. Todas as manhãs, sua conta é inicializada e, todas as noites, as sobras do dia evaporam-se. Não há volta. Você precisa gastar, vivendo no presente o seu depósito diário.
Invista, então, no que for melhor: na saúde, na felicidade e no sucesso. O relógio está correndo. Faça o melhor para o seu dia-a-dia. Para você perceber o valor de UM ANO, pergunte a um estudante que repetiu de ano. Para você perceber o valor de UM MÊS, pergunte para uma mãe que teve seu bebê prematuramente. Para você perceber o valor de UMA SEMANA, pergunte para o editor de um jornal semanal. Para você perceber o valor de UMA HORA, pergunte aos enamorados que estão esperando para se encontrar. Para você perceber o valor de UM MINUTO, pergunte a uma pessoa que perdeu o avião. Para você perceber o valor de UM SEGUNDO, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente. Para você perceber o valor de UM MILISEGUNDO, pergunte a alguém que ganhou uma medalha de prata em uma Olimpíada.
Valorize cada momento que você tem! E valorize mais, porque você deve dividir com alguém especial, especial suficiente para gastar o seu tempo junto com você. Lembre-se de que o tempo não espera por ninguém. O ontem é história. O amanhã é mistério. O hoje é uma dádiva; por isso, é chamado de PRESENTE!” (Anônimo)
P.
Vitus Gustama, svd
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