sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Segunda-feira Da XXV Semana Comum, Ano Par, 21/09/2026

SER CRISTÃO É VIVER UMA VIDA DE SABEDORIA E DE DISCERNIMETO  CAPAZ DE ILUMINAR OS OUTROS

Segunda-Feira da XXV Semana

Primeira Leitura: Pr 3,27-35

Meu filho, 27 não recuses um favor a quem dele necessita, se tu podes fazê-lo. 28 Não digas ao próximo: “Vai embora, volta amanhã, então te darei”, quando podes dar logo! 29 Não trames o mal contra o próximo, quando ele vive contigo cheio de confiança. 30 Não abras processo contra alguém sem motivo, se não te fez mal algum! 31 Não invejes o homem violento, e não escolhas nenhum de seus caminhos, 32 porque o Senhor detesta o perverso, mas reserva sua amizade aos íntegros. 33 O Senhor amaldiçoa a casa do ímpio, mas abençoa a morada dos justos. 34 Ele zomba dos zombadores, mas concede o seu favor aos humildes. 35 A glória será a herança dos sábios, mas os insensatos suportarão a ignomínia.

Evangelho: Lc 8,16-18

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 16 “Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz. 17 Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto; e tudo o que está em segredo deverá tornar-se conhecido e claramente manifesto. 18 Portanto, prestai atenção à maneira como vós ouvis! Pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”.

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Ter Discernimento É Imprescíndivel Para Viver Uma Vida De Qualidade

“Meu filho, não recuses um favor a quem dele necessita, se tu podes fazê-lo. Não digas ao próximo: ‘Vai embora, volta amanhã, então te darei’, quando podes dar logo!”.

Durante quinze dias, retornaremos à leitura dos livros do Antigo Testamento, os livros de sabedoria. Este título engloba diversos livros cuja característica principal é a de reunir reflexões morais e filosóficas que circulavam nos países vizinhos a Israel. Essas máximas de sabedoria são um bem comum a todos os povos. Sua inclusão na Bíblia, no Livro Sagrado, deve-se ao discernimento dos "sábios" que as reuniram e compilaram. Esses homens acreditavam que toda a "sabedoria humana" deriva da Sabedoria de Deus, pois quando a humanidade é inteligente, quando descobre uma parte da verdade, participa de alguma forma da Inteligência divina.

Segundo muitos especialistas o Livro dos Provérbios foi escrito em Jerusalém em torno dos anos 190/180 antes de Cristo. Este livro é feito de centenas de frases breves atribuídas a Salomão ou a outros sábios do Antigo Testamento e que, baseando-se na fé em Deus, mas também no bom sentido e na experiência da vida, nos querem orientar em nossa conduta de cada dia. Todos querem a verdadeira sabedoria para caminhar com segurança nesta vida sem equivocar a direção.

Os pensamentos sapienciais dessa leitura nos convidam para uma reflexão sobre a história e a vida. Neles falam daqueles “sábios” do Antigo Testamento que guiaram seu povo e preparam a vinda de Jesus, o autentico Mestre e Sábio. Os Sábios viviam numa sociedade violenta e tratavam de entender seu significado, especialmente como armadilha que conduz à morte e nos priva da desejada plenitude de vida. Nisto é importante ter discernimento como elemento indispensável para construir uma sociedade mais justa. Aqueles que perseguem a justiça e a bondade encontrarão vida (Pr 21,21) e a vida dará a mente serena ao corpo (Pr14,30).

A primeira palavra hebraica que serve como o título do livro é “Provérbios de Salomão(mishlê shelomôh). A palavra “provérbios” aqui tem um sentido muito amplo. Ela se refere a diferentes tipos de comparações e analogias que inclui provérbios ou refrãos.

O livro tem muita a ver com a atualidade, pois seus principais temas são importantes para nós. O livro dos Provérbios em seu conjunto gira em torna da busca da vida, da qualidade da vida, da plenitude de vida, do discernimento na vida, e portanto, do sentido da vida. O livro dos Provérbios fala da vida mais de trinta vezes. O desejo humano mais profundo é a plenitude de vida.

Além da vida, o livro dos Provérbios fala do discernimento. Discernimento é a habilidade que permite compreender o mundo ao entorno. E com essa compreensão há como realizar ações com mais precisão e bom direcionamento. O discernimento se caracteriza como uma habilidade cognitiva, em que a pessoa teria a capacidade de notar e entender as nuances existentes em uma situação, pessoa ou mesmo em um contexto.

Uma pessoa sábia tem muito discernimento, isto é, fazer o que é justo no momento justo. É fazer as coisas pelo seu sentido e não somente pelo prazer de fazê-las. O discernimento é penetração, intuição, compreensão, sutileza, prudência (Pr 1,2-3). O discernimento é o centro da teologia moral. O discernimento pode ser descrito como um caminho. O bom caminho significa fazer o que é correto, justo e adequado (Pr 2,9). Discernimento é escutar os bons conselhos de outras pessoas. O discernimento conduz cada pessoa individualmente e a comunidade em geral para a vida.

Além da vida e do discernimento encontra-se neste livro outro tema: mulheres. Encontramos neste livro cinco mulheres distintas. Em Pr 1-9 encontramos a Dona Sabedoria e a Dona Necessidade. Em Pr 31 encontramos a mãe de Lemuel, e a Mulher forte e capaz. A quinta mulher que se encontra no livro (Pr 1-9) é definida como a “zarah” e, às vezes, como “nokriyah(Pr 5,20) que pode significar estrangeira, estranha, forasteira ou simplesmente “outra”. A colocação dessas mulheres como símbolo deve ter certa relevância social depois do exílio de Babilônia.

Outro tema que se sublinha no livro também é o tema da violência. Para o livro dos Provérbios, o caminho da vida é um caminho de amor. Do amor dependem as relações humanas mais saudáveis e a construção da comunidade mais fraterna. A violência é contrária do amor. A violência é uma armadilha que conduz à morte. O ódio faz parte da violência. O ódio provoca disputas, mas o amor cobre todas as ofensas. Este provérbio se repete sete vezes no Novo Testamento (1Cor 13,4-7; 1Pd 4,8; Tg 5,20). Os que odeiam a sabedoria amam a morte (Pr 8,36). O malvado comete violência (Pr 21,7). O discernimento nos liberta da violência recíproca. Os sábios não necessitam da violência porque são mais poderosos que os fortes. A violência é a arma dos mais fracos.

Por fim, encontra-se também neste livro o tema da justiça. A justiça (sedaqah) é uma categoria básica do livro dos Provérbis. A justiça está intimamente ligada à vida. A recompensa do justo conduz à vida (Pr 10,16). O malvado não reconhece os direitos do pobre (Pr 29,7), e não entende nada de justiça (Pr 28,5). Para aumentar sua riqueza, o malvado oprime o pobre (Pr 22,16). O malvado confia somente na sua riqueza e imagina que os bens o protegem de todo mal (Pr 18,11). O malvado usa a lei para devorar o pobre (Pr 13,23) e gosta de mentir. Mas aqueles que vão atrás da justiça e da bondade encontrarão honra e vida (Pr 21,21).

O texto da Primeira Leitura de hoje se refere a nossa relaçao com o próximo, com exortações que escutamos muitas vezes também no Novo Testamento: “não recuses um favor a quem dele necessita, se tu podes fazê-lo”. “Não digas ao próximo: ‘Vai embora, volta amanhã, então te darei’, quando podes dar logo!”, “Não invejes o homem violento, e não escolhas nenhum de seus caminhos”. No Oriente e na África, esses valores humanos eram bem vividos na vida cotidiana, de modo geral. Muitos não-cristãos também vivenciam essas atitudes simples de profunda solidariedade. Torcemos que os cristãos vivam esses valores no cotidiano.

O primeiro pensamento que se destaca na Primeira Leitura é a necessidade da generosidade. A generosidade é um sinal de gratidão pelos benefícios recebidos de Deus e, ao mesmo tempo, manifesta a liberdade interior. O generoso não só dá as coisas para os necessitados, mas dá-se a si próprio por amor de Deus e do próximo, graças à sua liberdade interior. Por isso, a generosidade que se concretiza na partilha e na solidariedade não empobrece, mas é geradora de vida e de vida em abundância. Ao lado da generosidade destacam-se também a convivência harmoniosa e a conduta justa. A generosidade, a convivência harminiosa e a conduta justa fazem parte da sensibilidade social da sabedoria cultivada no Oriente Próximo antigo.

Não recuses um favor a quem dele necessita, se tu podes fazê-lo”. “Não digas ao próximo: ‘Vai embora, volta amanhã, então te darei’, quando podes dar logo!”.

São recomendações a uma caridade concreta, sem deixar a ajuda ao próximo para o dia seguinte enquanto hoje tem condições e urgência para fazer, e não invejar a sorte dos malvados são úteis para nós.

Não invejes o homem violento, e não escolhas nenhum de seus caminhos”. É preciso ser um homem de "paz", de "perdão", de "reconciliação".

Um tema central enfatizado é que Deus não é amigo dos ímpios. Os ímpios podem rir de todos, até mesmo de Deus, mas no final, "O Senhor amaldiçoa a casa do ímpio, mas abençoa a morada dos justos. Ele zomba dos zombadores, mas concede o seu favor aos humildes. A glória será a herança dos sábios, mas os insensatos suportarão a ignomínia”. (Pr 3,33-35) Por isso, não desista nunca de ser bom, de ser justo, de ser honesto, e assim por diante. É a ideia que recolhe o Salmo Responsorial de hoje (Sl 14): “O justo habitará no monte santo do Senhor. Aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Que em nada prejudica o seu irmão, nem cobre de insultos seu vizinho; que não dá valor algum ao homem ímpio, mas honra os que respeitam o Senhor”. O justo é quem acerta na vida apesar dos pesares causados pelos malvados.

A malícia premeditada constitui um crime contra o próximo e uma traição às relações de confiança que devem reger a vida comunitária. Tem-se impressão de que o justo sofre, enquanto o mau parece prosperar impunemente (Cf. Sl 73,3-15; Jó 21,7-13). Mas não se engane! O próprio texto conclui que perverso, mau, arrogante e néscio têm suas correspondentes contrapartidas no plano ético: Não invejes o homem violento, e não escolhas nenhum de seus caminhos, porque o Senhor detesta o perverso, mas reserva sua amizade aos íntegros. O Senhor amaldiçoa a casa do ímpio, mas abençoa a morada dos justos. Ele zomba dos zombadores, mas concede o seu favor aos humildes”.

O Modo De Viver Do Cristão Deve Servir Como Luz Para Guiar Os Outros Para Deus

A escuridão não pode expulsar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio, só o amor pode fazer isso”. (Martin Luther King). Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros”.(António Vieira)

No sábado passado, lemos a parábola da semente, a Palavra de Deus, que deve dar cem vezes mais se a ouvirmos "com um coração nobre e generoso" e a guardarmos. (cf. Lc 8,4-15 sobre a parábola da semente).

Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz”, assim Jesus nos diz hoje.

Os breves ensinamentos de hoje são uma continuação dos ensinamentos no evangelho do sábado passado. Jesus quer que sejamos uma luz que brilha para os outros: uma lâmpada não é acesa para ficar escondida. O que a Palavra nos disse não deve permanecer oculto: deve ser divulgado. Se agirmos assim, será verdade que "a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais”, porque a Palavra multiplica os seus frutos em nós. E, inversamente, aqueles que não lhe dão ouvidos deles "será tirado até mesmo o que ele pensa ter”, e ficarão estéreis.

Através deste ensinamento Jesus quer que sejamos luz que ilumine os demais. No Sermão da Montanha Jesus define nosso ser como sal e como luz: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo(Mt 5,13-14). Trata-se de uma presença indispensável para os demais. Um cozinheiro pode colocar todos os tipos de tempero na comida, mas basta o sal estar ausente, o resto fica sem sabor. Alguém pode querer andar para qualquer lugar, mas sem a luz nada poderá acontecer nem poderá chegar ao endereço desejado. Se cada cristão tiver consciência do seu ser e de sua importância neste mundo, ele usará seu tempo de vida para iluminar a vida dos outros e para dar sabor à vida dos demais. Sua vida é para os demais. O cristão existe para os outros como Cristo existiu para a humanidade. Um cristão egoísta deixa de ser um verdadeiro cristão, pois a alma de todo projeto de Cristo é a partilha. Cristo se dá para que os outros tenham vida em abundância (cf. Jo 10,10).

Mas para ser luz para o próximo o cristão precisa ser, primeiro, iluminado pela Luz divina que é o próprio Cristo (Jo 8,12) para que possa ser reflexo dessa Luz para os outros. Contemplar permanentemente Cristo, Luz do mundo por excelência, é uma forma de manter nossa vida luz para os demais.  a partir do memento em que deixarmos de contemplar Cristo, Luz do mundo, deixaremos de ser reflexos de Cristo para o mundo ao nosso redor. É ser refletido por Cristo para eu ser reflexo de Cristo para os demais. Aquele que contempla Cristo será reflexo do próprio Cristo.

O que o cristão recebe de Deus é para a edificação dos demais e não para o proveito próprio. O cristão não pode viver só para si: Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama”. Ele precisa ter consciência de sua missão como luz para os demais: “... ao contrário, coloca-a (luz) no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz. O cristão deve fazer-se público, mostrando seu rosto de cristão com os valores vividos a fim de iluminar as pessoas ao seu redor. O modo cristão de viver a vida serve para iluminar os demais e para acordar quem vive adormecido. Se temos uma certa tendência de privatizar a fé, Jesus nos convida a darmos testemunho diante dos demais publicamente de acordo com a vocação de cada um de nós na sociedade: político, médico, artista, esportista, professor e assim por diante. Sua presença em qualquer lugar deve ser como a presença da luz: iluminar. Pode até criar a sombra com a presença da luz, mas até a sombra é iluminada também pelos raios da luz. “A principal missão do homem, na vida, é dar luz a si mesmo e tornar-se aquilo que ele é potencialmente(Erich Fromm).

Se o cristão não viver de acordo com sua essência como sal da terra e luz do mundo, ele vai se cumprir nele o que Jesus diz hoje: “A quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”. Os dons que não se fazem frutificar se perdem. Os músculos que não se fazem atuar se atrofiam. E a fé se apaga aos poucos quando não se coloca em prática. A vida sem amor se apaga. A vida sem abertura para o crescimento se esteriliza. Quem não avança no desenvolvimento se infantiliza.

No dia de nosso Batismo cada um acendeu a vela no círio pascal, tomando a luz do Círio pascal, símbolo de Cristo. É um gesto que nos recorda nosso compromisso, como batizados, de dar testemunho dessa Luz diante das pessoas ao nosso redor. O Concílio Vaticano II chamou a Igreja de Lumen Gentium, luz das nações. Isto quer nos dizer que o que devemos ser, na realidade, conforme nossa essência é comunicar a luz, a alegria e a força que recebemos de Deus para os outros. Sendo luz do mundo e sal da terra, o cristão se tornará um amigo que sabe animar e dizer uma palavra orientadora para as pessoas ao seu redor. o cristão jamais obscurece o caminho dos outros, pois ele é enviado para ser luz do mundo (Mt 5,13-14).

Cada momento e cada circunstância devem ser, para o cristão, ocasião para renovar a opção do primeiro momento (Batismo) para não encontrar-se ao final da existência com as mãos vazias merecedoras das duras palavras de Jesus: “Àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”. A existência vivida na fidelidade, pelo contrário, faz realidade na vida de cada cristão a verdade da afirmação confortante e asseguradora do Senhor: “A quem tem alguma coisa, será dado ainda mais”.

P. Vitus Gustama,svd

 

O amor é uma luz que não deixa escurecer a vida(Camilo Castelo Branco). “Sem pureza de alma, como você poderá dizer que há de glorificar a Deus? Aquela luz que, como uma estrela da manhã, vive no coração de cada um, esta é a luz da salvação”. (Provérbio Indiano) “Quem tem luz exterior caminha sem tropeçar, quem tem luz interior caminha sem medo de viver(Augusto Cury) Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros”. (António Vieira). Certa vez, perguntado qual a definição de luz. A luz... é a sombra de Deus...” (Albert Einstein). “A luz é especialmente apreciada após a escuridão. Nada é mais precioso do que a luz; mas o excesso ofusca (texto judaico).

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