sexta-feira, 28 de março de 2014

 
JESUS É A LUZ QUE JULGA O MUNDO

 IV DOMINGO DA QUARESMA DO ANO “A”
30 de Março de 2014
 

Primeira Leitura: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a


Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: 1bEnche o chifre de óleo e vem para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos. 6Assim que chegou, Samuel viu a Eliab e disse consigo “Certamente é este o ungido do Senhor!” 7Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. 10Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. 11E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?” Jessé respondeu: Resta ainda o mais novo que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar”. 12Jessé mandou buscá-lo. Era Davi, ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!” 13aSamuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi.
 
 
Segunda Leitura: Ef 5,8-14
 




Irmãos: 8Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. 9E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade. 10Discerni o que agrada ao Senhor. 11Não vos associeis às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as. 12O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo. 13Mas tudo que é condenável torna-se manifesto pela luz; e tudo o que é manifesto é luz. 14É por isso que se diz: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá”.

 
 
Evangelho: Jo 9,1-41   

Naquele tempo: 1Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 2Os discípulos perguntaram a Jesus: 'Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?' 3Jesus respondeu: 'Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele. 4É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar. 5Enquanto estou no mudo, eu sou a luz do mundo.' 6Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. 7E disse-lhe: 'Vai lavar-te na piscina de Siloé' (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. 8Os vizinhos e os que costumavam ver o cego - pois ele era mendigo - diziam: 'Não é aquele que ficava pedindo esmola?' 9Uns diziam: 'Sim, é ele!' Outros afirmavam: 'Não é ele, mas alguém parecido com ele.' Ele, porém, dizia: 'Sou eu mesmo!' 10Então lhe perguntaram: 'Como é que se abriram os teus olhos?' 11Ele respondeu: 'Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: 'Vai a Siloé e lava-te'. Então fui, lavei-me e comecei a ver.' 12Perguntaram-lhe: 'Onde está ele?'  Respondeu: 'Não sei.' 13Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. 14Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. 15Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: 'Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!' 16Disseram, então, alguns dos fariseus: 'Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado.' Mas outros diziam:  'Como pode um pecador fazer tais sinais?' 17E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: 'E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?' Respondeu: 'É um profeta.' 18Então, os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista. Chamaram os pais dele 19e perguntaram-lhes: 'Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?' 20Os seus pais disseram: 'Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. 21Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo.' 22Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas. De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias. 23Foi por isso que seus pais disseram: 'É maior de idade. Interrogai-o a ele.' 24Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego. Disseram-lhe: 'Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador.' 25Então ele respondeu: 'Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo.' 26Perguntaram-lhe então: 'Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?' 27Respondeu ele: 'Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?' 28Então insultaram-no, dizendo: 'Tu, sim, és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. 29Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde é.' 30Respondeu-lhes o homem: 'Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos! 31Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade. 32Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada'. 34Os fariseus disseram-lhe: 'Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?' E expulsaram-no da comunidade. 35Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: 'Acreditas no Filho do Homem?' 36Respondeu ele: 'Quem é, Senhor, para que eu creia nele?' 37Jesus disse: 'Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.' Exclamou ele: 38'Eu creio, Senhor'! E prostrou-se diante de Jesus. 39Então, Jesus disse: 'Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não vêem, vejam, e os que vêem se tornem cegos.' 40Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: 'Porventura, também nós somos cegos?' 41Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece.'
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Os capítulo 9,1-10,42 formam uma seção que apresenta Jesus como Luz (e bom pastor) que julga o mundo. O ponto de partida dessa seção é a cura do cego de nascença. Ao devolver a visão ao cego de nascença, Jesus se apresenta como a verdadeira Luz do mundo (Jo 8,12). A cura do cego de nascença é o triunfo da luz sobre as trevas (cf. Jo 1,5).


Mas a luz produz automaticamente um juízo, pois com a presença da Luz tudo se ilumina e nada se esconde. A luz faz qualquer pessoa se julgar se está de roupa limpa ou suja. Em outras palavras, a presença de Jesus no mundo causa a separação (juízo) entre quem é de Jesus e quem não faz parte da comunhão com ele; quem vive na verdade e quem vive na mentira; quem vive na luz e quem vive nas trevas.


A cura do cego de nascença é o sexto sinal realizado por Jesus. Através desta cura João quer desenvolver o tema sobre a Luz do mundo que é o próprio Jesus (Jo 8,12) que já se encontra logo no prólogo do seu evangelho: “... a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la”(Jo 1,4-5). Este tema se desenvolve já no capítulo 8 onde Jesus se autodefine como Luz do mundo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12) e que agora, no capítulo 9, este tema se aprofunda.


1. Quem É Culpado?
    

O episódio começa com a pergunta dos discípulos: “Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?” (v.2).


Segundo a mentalidade antiga, o bem-estar e a desgraça eram fruto lógico da conduta moral adequada ou extraviada, respectivamente (Rm 6,23). A desgraça era efeito do pecado, que Deus castigava em proporção exata com a gravidade da culpa. A partir deste princípio geral é que era evidente considerar a enfermidade como conseqüência do pecado. Se o sofrimento ou qualquer tipo de enfermidade era conseqüência do pecado, a causa dos defeitos de nascimento havia que buscá-la nos pais ou antepassados, pois existia a idéia de que os pecados se vingam nos filhos (cf. Ex 20,5; mas este texto opõe somente o castigo limitado do Deus da Aliança: para quatro gerações; cf. também Ex 34,6-7; Jó 34,10s).
    

Embora não sofressem a desgraça dos leprosos, e não fossem excluídos da cidade e da convivência, também os cegos eram tidos como “pecadores”, por duas razões: Deus não os teria castigado com a cegueira, se não cometessem algum pecado. Além disso, os cegos não tinham condições de cumprir todos os mandamentos, por isso, dificultavam seu acesso ao Reino de Deus. A cura da cegueira, naquele tempo praticamente impossível, só era esperada através da intervenção de Deus num milagre. O cego de nascença, por isso, representa uma pessoa que se encontra numa situação sem esperança.
               

Até aqui podemos parar um pouco para tirar umas mensagens. Primeiro, a forma de ver as doenças como castigo de Deus não terminou. Nós a encontramos no nosso povo que muitas vezes vive os seus sofrimentos como se fosse uma punição divina.


O pecado é uma realidade humana; mas nós, cristãos, acreditamos num Deus pronto a perdoar. Deus não se cansa de perdoar, pois não pára de nos amar. É um Deus de amor e não de castigos.  Muitos de nossos sofrimentos são conseqüência de nossos atos e opções. O que Deus rejeita são as condições desumanas em que vive a maioria da nossa população.


Segundo, é bom procurar as causas de um sofrimento ou de qualquer falha ou erro, mas é melhor evitar qualquer tipo de acusação ou ato de jogar culpa em qualquer pessoa sem sabermos bem as principais causas. Afinal, o que pretendemos alcançar ao jogar culpa em alguém ou ao acusar alguém? Teremos alguma solução através desta acusação?


Deus ataca o pecado sem atacar o pecador. Deus ama o pecador e odeia o pecado (cf. Ez 18), e por isso, enviou seu Filho para salvar o pecador (cf. Jo 3,16). Deus quer libertar o homem da culpa através do caminho do amor cuja expressão máxima é o perdão. Para aprender a amar de verdade, temos que aprender a perdoar sem limites (cf. Mt 18,21-22). Jesus deseja desenraizar em nós o espírito de acusação, o mau espírito que o Apocalipse chama de “o acusador de nossos irmãos”, o espírito que procura sempre um culpado: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus”, disse Jesus. Jesus quer que abandonemos o espírito culpabilizado e culpabilizante e transformemos nossos olhos em um grito à luz.
       

O estado do cego de nascença, por isso, não pode ser uma figura da condição pecadora da humanidade. Seu estado simboliza outra escuridão, aquela escuridão em que todo homem se encontra antes de ser iluminado pela revelação do Filho de Deus ou pela Palavra de Deus. Podemos traduzir estas trevas ou escuridão, em nossa linguagem como uma desorientação interior, isto é, aquele estado de desordem em que não se sabe aonde se vai e como se vai, para que vive e por que vive. Esta desorientação interior certamente é hoje um fenômeno difuso. E tal desorientação interior, quando não é simplesmente sofrida com o desejo de sair dela, mas é assumida como sistema de vida, faz com que a pessoa se deixe arrastar pelos impulsos e pelas situações empíricas, sem nunca enfrentar o verdadeiro porquê das coisas.


Por isso, com a palavra “trevas” ou “escuridão” o evangelista João quer indicar aquele caminhar ao acaso e mal, que é típico de quem não tem um ponto de referência. Ele nos diz: o fato de não reconhecer Jesus Cristo, como o sentido último da realidade que dá valor a todas as coisas, faz com que as pessoas se encontrem nas trevas, sem pontos de referência. Então se vai em frente ao acaso, tateando, com oscilações contínuas de um extremo ao outro, sem nunca saber bem o que se faz e por que se faz, com todas as conseqüências desastrosas desta desorientação que se resumem naquela desordem das operações.
       

Com isso, Jesus quer sublinhar o para quê da enfermidade, e não o seu porquê. Para Jesus o que é mais importante é a realização do milagre da cura do cego, um milagre capaz de revelar Jesus como Luz do mundo. A enfermidade vai servir para mostrar Deus em ação em Jesus Cristo. Em outras palavras, Jesus justifica a enfermidade como um instrumento para esclarecer a sua afirmação “Eu sou a luz”.


2. Jesus É A Luz Dos Homens E A Fé Nele Faz O Homem Enxergar Melhor A Vida
      

Para o AT e para o judaísmo, a luz era símbolo da Lei e da sabedoria. De ambas se dizia que eram a luz dos homens. No mundo helenista a luz simbolizava o conhecimento de Deus. Os primeiros cristãos consideraram o evangelho como a luz. Com sua auto-apresentação ou auto-revelação “Eu sou a luz”, Jesus atribui à sua pessoa o que se havia dito da lei, de sabedoria, do conhecimento de Deus e do evangelho. Jesus ilumina o mistério da existência humana e procura e traz a salvação para os homens que a haviam esperado da lei. Para Jesus é necessário que o homem aproveite a luz do dia, isto é, a presença de Jesus. Sua ausência significa a irrupção/invasão do mundo das trevas, do mundo antidivino.
        

Neste episódio, é Jesus quem inicia a obra de cura, não é o cego que pede. E o modo de Jesus curar o cego nos surpreende: com saliva e barro. Somente João e Marcos relatam esse gesto de Jesus de usar a saliva. Nessa cura Jesus faz barro (lama) com a saliva e põe nos olhos do cego. O barro que Jesus faz remonta ao primeiro relato da Criação (Gn 2,4b-25), no qual o ser humano é moldado por Deus do barro e sopra nele o espírito da vida. A prática de Jesus faz nascer o homem novo. Com o barro nos olhos, o cego é ordenado a ir à piscina de Siloé: “Vai para a piscina de Siloé e lava-te”. Jesus toma a iniciativa, mas quer que o cego faça alguma coisa. Ele obriga a pessoa a fazer sua parte. A ordem que Jesus dá faz pensar naquela que o profeta Eliseu deu a Naamã, o sírio, de ir mergulhar sete vezes no Jordão (2Rs 5). Naamã mostrava-se reticente, mas o cego de nascença, como o funcionário real (Jo 4,50), obedece à palavra de Jesus. É em Siloé que a lama se desfaz e o cego de nascença recebe a visão.
    

O cego curado representa todas as pessoas que começam a “enxergar” tudo a partir do momento em que aceitarem Jesus, Luz do mundo, e viverem segundo seus ensinamentos. A narração nos mostra o itinerário ou o processo de fé. O “lavado”, o batizado, o crente que aceita o Enviado (Jesus) começa a ver, é iluminado, passa das trevas à luz, no entanto, não repentinamente nem de uma maneira claramente perceptível ao exterior, mas profundamente experimentado no interior. A palavra de Deus tem um poder transformante. Em seu contato o homem deixa de ser como antes: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez uma realidade nova” ( 2Cor 5,17). A fé em Jesus, Luz do mundo possibilita o homem a enxergar a vida da maneira que Deus a vê.


3. O Encontro De Cura Se Transforma Em Encontro De Fé
    

O cego curado personifica o processo de fé. Primeiro se limita a contar os fatos (Jo 9,11). Depois, e partindo dos fatos, descobre que Jesus é profeta (Jo 9,17) que Deus o escutou. Portanto, Jesus não é pecador e sim piedoso e justo (Jo 9,31). Ele é o Senhor (Jo 9,38). O cego se converte em modelo de todos os crentes.
     

Jesus, no fim, se revela: “Tu acreditas no Filho do Homem?”. Este homem responde: “Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?”. Jesus declara: “Tu o estás vendo: é o que fala contigo”. Prontamente ele exclamou: “’Creio, Senhor’! E prostrou-se diante dele ”. O encontro de cura se transforma em encontro de fé. O cego vê e crê. Seu ver é símbolo do crer: vê a luz do mundo, que é o Cristo.
    

4. Reconhecer Minha Cegueira Possibilita A Aproximação Da Luz Que é o Cristo                


Ao terminar esta reflexão vamos nos perguntar: Quais as maiores cegueiras do nosso grupo ou da nossa comunidade/paróquia? Será que realmente iluminamos os caminhos dos outros ou os escurecemos?  Quantas vezes, de propósito, fingimos não enxergar nossos defeitos ou fraquezas por nossa auto-suficiência ou arrogância, como os fariseus? Cegos são os que não enxergam a verdade, o sofrimento dos irmãos e nada fazem quando podem fazer muito.


“Não se vê bem sem o coração, pois o essencial é invisível aos olhos”, diz o Pequeno Príncipe. Fomos feitos de barro (Gn 2,7) e só aceitando nossa condição terrena, como o cego de nascença que aceitou a lama colocada em seus olhos por Jesus, é que conseguimos ver melhor. Ver significa encarar a própria verdade, principalmente aquilo que não nos agrada, mas contém a verdade. Somente quem tem coragem de descer à sua própria condição como criatura, somente quem é humilde é que consegue abrir os olhos e enxergar melhor as pessoas e a realidade como elas são. Quem, em sua arrogância, se recusa a olhar para a própria realidade permanece-se cego, estéril e vive enganando e explorando os outros. Quem engana é porque tem um coração escuro. Cegos são aqueles que somente sabem enxergar os próprios interesses e não as necessidades dos outros.


Os que não querem ver a verdade também progridem em sua cegueira, pouco a pouco chegam ou chegarão à obcecação. Os que chegam à obcecação são aqueles que presumem ver, os que estão interessados em que não haja mais luz que a luz de seus olhos, os que não sabem duvidar nem perguntar. É muito difícil ver para aqueles que amam muito mais seu prestígio do que a verdade; para aqueles que estão possuídos de sua autoridade e pretendem não equivocar-se nunca até o extremo de exigir obediência cega; para aqueles que se constituem a si mesmos em guia de cegos. Todos os que se empenham em julgar o bem a partir de sua legalidade e não questionam nunca sua legalidade a partir do bem, são trevas: não vêem, não querem ver e não deixam ver.


Hoje pedimos ao Senhor que cure a nossa cegueira para que possamos começar a ver tudo de maneira diferente: a vida, a verdade e os irmãos, até os sofrimentos. Só assim caminharemos como filhos da luz, estrear olhos novos, ver os outros como filhos de Deus e irmãos nossos.

P. Vitus Gustama,svd
 
REZAR E AGIR COM HUMILDADE

Sábado da III Semana da Quaresma
29 de Março de 2014


 Primeira Leitura: Os 6,1-6
 
1“Vinde, voltemos para o Senhor, ele nos feriu e há de tratar-nos, ele nos machucou e há de curar-nos. 2Em dois dias, nos dará vida, e, ao terceiro dia, há de restaurar-nos, e viveremos em sua presença. 3É preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor. Certa como a aurora é a sua vinda, ele virá até nós como as primeiras chuvas, como as chuvas tardias que regam o solo”. 4Como vou tratar-te, Efraim? Como vou tratar-te, Judá? O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz. 5Eu os desbastei por meio dos profetas, arrasei-os com as palavras de minha boca, mas, como luz, expandem-se meus juízos; 6quero amor, e não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.
 
       
Evangelho: Lc 18,9-14
 
Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10“Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. 11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque eu não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e eu dou o dízimo de toda a minha renda’.  13O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’ 14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.

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O texto do evangelho de hoje fala da oração de um publicano humilde e de um fariseu arrogante. Sobre a oração o Novo Catecismo da Igreja Católica diz: “A oração é um dom da graça, mas pressupõe sempre uma resposta decidida da nossa parte, porque o que reza combate contra si mesmo, contra o ambiente e, sobretudo, contra o Tentador, que faz tudo para retirá-lo da oração. O combate da oração é inseparável do progresso da vida espiritual. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza” (Compêndio do Novo Catecismo, 572; Novo Catecismo, no. 2725).


Não nos esqueçamos: o Tentador quer nos tirar da oração, pois rezar é conversar com Deus. E o Tentador não quer que conversemos com Deus. Quem não conversa com Deus, gosta de falar de si próprio (egolatria). Quem conversa com Deus permanentemente, torna-se mais humano ou se humaniza. Quem se humaniza, torna-se irmão do outro. A oração nos serena, pois confiamos totalmente n’Aquele que torna tudo existir e possibilita o que é impossível (cf. Lc 1,37). Quanto mais crescermos na espiritualidade, mais rezaremos, pois “O combate da oração é inseparável do progresso da vida espiritual”. A verdadeira oração nos torna mais humildes.


O evangelista Lucas é uma pessoa de muita oração. Por isso, um dos temas preferidos nas suas obras (Evangelho e Atos dos Apóstolos) é a oração. É o único Evangelho que começa e termina com o tema sobre a oração. Tudo começa no Templo e termina no Templo.


Estamos na parte do evangelho de Lucas na qual se fala do caminho de Jesus para Jerusalém onde será morto e ressuscitado (Lc 9,58-19,28). Jesus está na etapa final de seu caminho (Lc 17,11-19,28). Durante esse caminho Jesus dá muitas lições importantes para seus discípulos.


Na passagem do evangelho deste dia Jesus continua a enfatizar sobre a importância da oração perseverante e humilde (Lc 18,1-14) que já se iniciou na passagem anterior deste texto. Para falar da oração humilde Jesus conta uma parábola na qual ele coloca em confronto dois tipos de atitude diante de Deus representados por um fariseu e um publicano, como protagonistas da parábola: o fariseu que se elogia desprezando o outro e o publicano que simplesmente pede a misericórdia de Deus sem desprezar ninguém, porque ele tem consciência de seus pecados.
    

Na “oração” do fariseu, Deus ficou esquecido e somente o EU predomina: Eu não sou como os demais, eu jejuo, eu pago o dízimo. A arrogante consciência de ter feito alguma coisa, o faz acreditar que Deus se tornou seu Devedor, mas é inútil. Ele abusava da oração para demonstrar sua própria grandeza a fim de se colocar em destaque diante dos demais. É um verdadeiro exibicionista. O exibicionismo é a linguagem que demonstra a ausência de um valor. Quando um valor cresce na experiência espiritual de uma pessoa, ela ama discrição, que é a linguagem do tesouro escondido, e se comunica pelo caminho da simplicidade e da discrição. Toda a arrogância é contra ao amor fraterno que é essencial para uma convivência mais humana.
    

É curioso comprovar que os santos, os que estão de verdade mais perto de Deus, se consideram sempre uns grandes pecadores, pois eles compreendem verdadeiramente o que o pecado significa. Somente à luz de Deus é possível reconhecer a própria miséria. O aproximar-se de Deus consiste em perder ou em abandonar nosso egoísmo e auto-suficiência para encontrar a felicidade de Deus.


Na parábola o publicano se sente pequeno, não se atreve a levantar os olhos ao céu, e por isso, sai do templo engrandecido. Reconhece-se pobre e por isso, sai enriquecido. Reconhece-se pecador e por isso, sai justificado. Com razão o Livro de Eclesiástico afirma: “Quem serve a Deus como Ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens. A prece do humilde atravessa as nuvens” (Eclo 35,20-21).        
   

Somos fariseus quando vamos à igreja não para escutar Deus e suas exigências, mas para convidá-Lo a nos admirar pelo bom que somos. Somos fariseus quando esquecemos a grandeza de Deus e nosso nada, e cremos que as virtudes próprias exigem o desprezo dos demais. Somos fariseus quando nos separamos dos demais e nos cremos mais justos, menos egoístas e mais puros/limpos que os outros. Somos fariseus quando entendemos que nossas relações com Deus têm de ser quantitativas e medimos somente nossa religiosidade pelas missas das quais participamos e não pelo amor que vivenciamos com os demais. A vaidade nos faz perder tempo em coisas fúteis e sem valor.


O evangelho deste dia nos chama a nos vestirmos da humildade. E para que nos mantenhamos humildes jamais podemos nos esquecer que quem presencia nossa vida e nossas obras é o próprio Senhor a Quem temos que procurar agradar em cada momento. Se não estivermos vigilantes nisso, a soberba vai nos dominar. E a soberba tem manifestações em todos os aspectos de nossa vida: faz-nos susceptíveis, injustos em nossos juízes e em nossas palavras e ações, faz-nos crer melhores do que os demais e negar as boas qualidades dos outros e a soberba nos convence ter virtudes que não possuímos.


O Senhor se comove e esbanja suas graças diante de um coração humilde. A soberba é o maior obstáculo que o homem põe diante da graça de Deus. A soberba é o vício capital mais perigoso: se insinua e tende até infiltrar-se até nas boas obras. Por causa da soberba as boas obras perdem até seu mérito sobrenatural, pois as boas obras praticadas são uma participação na bondade de Deus.


Nossa oração deve ser como a do publicano: humilde, atenta, confiada, procurando que não seja monólogo em que damos voltas a nos mesmos, às virtudes que cremos possuir. A humildade é o fundamento de toda nossa relação com Deus e com os demais. Por isso, a humildade atrai a bênção de Deus e a simpatia dos homens.


Sabendo que todos nós somos pecadores não podemos desprezar aqueles que vivem dominados pela maldade, pelo vício e assim por diante. Deus ama os pecadores e odeia o pecado. Por isso, o Senhor tomou nossa natureza humana para nos salvar e nos levar junto de Si como Seus amados. Por isso, fica a pergunta: temos rezado por as pessoas que vivem dominadas por algum vício e alguma maldade? Sejamos compassivos nas nossas orações por essas pessoas, pois quem é compassivo e justo brilhará com a mesma Luz de Deus para os demais. Sejamos um sinal de Cristo, Luz do mundo, dando-lhes nosso afeto, carinho e a caridade cristã. Rezemos/oremos uns pelos outros, principalmente nesta Quaresma, para que o amor de Deus e sua salvação cheguem a todos.


Sempre que nós rezamos de verdade, a nossa oração é eficaz não porque modificamos Deus, mas porque nos modificamos, assim saímos diferentes do que entramos do templo.
   

Reflita o que São Paulo escreveu: “Verdade é que a minha consciência de nada me acusa, mas nem por isto estou justificado; meu juiz é o Senhor” (1Cor 4,4).
 
P. Vitus Gustama,svd

quarta-feira, 26 de março de 2014

 
AMAR DE CORAÇÃO

Sexta-Feira da III Semana da Quaresma
28 de Março de 2014
 

Primeira Leitura: Os 14,2-10

Assim fala o Senhor Deus: 2“Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado. 3Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: ‘Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘Deuses nossos’ a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia”. 5Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7Seus ramos hão de estender-se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto. 10Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles, andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem”.
 
 
Evangelho: Mc 12,28-34
 
Naquele tempo, 28bum escriba aproximou-se de Jesus e perguntou:
“Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” 29Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”.32O mestre da Lei disse a Jesus: “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”. 34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus.
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O texto do evangelho deste dia fala do mandamento de amor. Sem dúvida nenhuma, todos, sem exceção, dão ao mandamento de amor uma prioridade quase exclusiva. Em várias ocasiões Jesus recordou que o preceito sabático era secundário em relação ao mandamento de amor (Mc 3,4; Lc 13,16). O amor relativiza a lei e a eleva sobre si mesma. Sobre o amor seremos julgados (cf. Mt 25,40.45). Quem não encontra o caminho do amor, quem não se deixa conduzir pelo mandamento de amor, perde o sentido da vida.


O escriba do Evangelho de Marcos se apresenta a Jesus com uma pergunta autêntica e não para pôr Jesus à prova: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?”.  Por isso, no fim do texto Jesus elogiou o escriba: “Tu não estás longe do Reino de Deus”.


Nas escolas rabínicas se distinguia entre mandamentos “graves” ou de peso e mandamentos “leves”. Tinham 248 preceitos positivos (de acordo com o número de órgãos do corpo) e 365 proibições legais (de acordo com o número dos dias do ano). Os rabinos investigaram qual de todos esses mandamentos era realmente importante, qual era o primeiro e principal que serve como resumo de todos os mandamentos.


Jesus responde citando ao pé de letra a passagem do Dt 6,4-5 (amar a Deus), mas acrescenta imediatamente o mandamento do amor ao próximo que se encontra em outro contexto em Lv 19,18. Para Jesus os dois mandamentos são como um só: “Não há mandamento maior que estes”. Não se pode amar a Deus sem amar ao próximo (cf. 1Jo 4,20). Neste mandamento de amor se funda a única piedade verdadeira. O verdadeiro culto não pode se separar da atenção aos mais necessitados. Nesta mesma linha São Tiago afirma rotundamente: “A religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisso: visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e guardar-se livre da corrupção do mundo (Tg 1,27). 


Amar! Este é o mandamento do Senhor. A acumulação dos termos: “coração, alma, mente, força” quer significar uma plenitude de amor que compreende todas as nossas faculdades de amar. É preciso que o amor arda em nossos pés à cabeça, em nosso espírito ao corpo, em nossa manhã até a noite, em nossa infância à velhice, em nosso mundo à eternidade. O amor não é horizontal nem vertical. Só conhece a dimensão da profundidade e da totalidade.


Amor é a essência para qualquer relacionamento com suas três direções: a Deus, ao próximo e a mim mesmo. Amor é relação, comunicação, encontro. Para eu poder valorizar o outro eu preciso saber me valorizar. Para eu poder amar o outro, eu preciso saber me amar. Para eu poder compreender o outro, eu preciso me compreender. Para eu poder fazer o encontro com o outro, eu preciso fazer o encontro comigo mesmo, reconhecendo tantos minhas capacidades e virtudes como também meus defeitos e limitações.


Não basta amar a Deus, alguém tem que amar também o próximo. Não basta amar o outro, mas tem que saber se amar: “Amar a Deus com toda força e o próximo como a ti mesmo”. Não faça do outro como objeto de sua carência de amor. Isto não é amor. É exploração. Para amar tem que ser livre. O amor verdadeiro se direciona unicamente ao outro, sem esperar recompensa. O amor liberta, dá segurança e possibilita o crescimento. Quando uma pessoa começar a sufocar a outra pessoa é porque está faltando amor. Amar a Deus somente é possível amando o próximo. O amor que se pratica com Deus deve ser igual ao amor que se pratica com o próximo. Como isso, Jesus destaca a importância de um ser humano e não as leis que matam as pessoas para render um culto errado para um deus falso.


Por isso é que Jesus não fala de qualquer amor. Ele fala do amor ágape. Ágape é uma palavra grega que significa o amor que se dirige unicamente para o outro, incondicional, e que não espera nada em troca. É uma doação pura de si mesmo. Por isso, Jesus chegou a fazer uma afirmação muito extrema: “Amai vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5,43-44). A única coisa que se espera dos inimigos é o bem deles. Este é o amor-ágape. É o amor que salva e liberta. Com efeito, a atitude de fé é procurar descobrir o projeto de amor de Deus e corresponder a ele. Amar a Deus significa escutá-Lo, adorá-Lo, encontrar-nos com ele na oração e na vida e amar o que ele ama. Amar o próximo não apenas significa deixar de fazer o mal, e sim estar pronto para ajudá-lo, acolhê-lo e perdoá-lo. Amor é o único meio que em si tem capacidade de convencer o outro, até os ateus de que somos cristãos.


Portanto, hoje Jesus nos oferece a chave fundamental para cumprir a vontade de Deus: o amor íntegro a Deus como único Senhor e o amor ativo e efetivo e desinteressado para próximo. São Paulo nos relembra através da Carta aos romanos: “Não fiqueis devendo nada a ninguém… a não ser o amor que deveis uns aos outros, pois quem ama o próximo cumpre plenamente a Lei. De fato, os mandamentos: ‘Não cometerás adultério’, ‘Não matarás’, ‘Não roubarás’, ‘Não cobiçarás’, e qualquer outro mandamento, se resumem neste: ‘Amarás o próximo como a ti mesmo’. O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei” (Rm 13,8-10).


É tão importante o mandamento de amor a ponto de Marcos colocar a palavra “ouvir”: “Ouve, ó Israel!”. “Ouve, ó Israel” são as mesmas palavras que todo judeu fiel pronunciava cada manhã como oração matinal. É preciso que prestemos nossa atenção para esse mandamento para que possamos ser elevados até Deus. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! E amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”. Toda a lei se resume no amor. “O amor é a única dívida que mesmo depois de paga nos mantém como devedores”, dizia Santo Agostinho (Epist. 192,2).


Neste sentido a conversão significa voltar a amar a Deus e ao próximo e à própria vida de todo o coração. O caminho do Senhor é o caminho de amor. “São retos os caminhos do Senhor e por eles andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem” (Os 14,10b). Trilhar por este caminho significa estar com Deus de amor. “Quanto mais amas, mais alto tu sobes” (Santo Agostinho).


O amor é essencial do Evangelho e da vida evangélica, da vida cristã. É a Boa Nova que minha vida toda deve estar proclamando. Eu devo me perguntar diariamente: Será que eu amo efetivamente? A quem eu amo. A quem eu deixo de amar? Como se traduz este amor na minha atitude diária? Quem é meu próximo? Como eu me amo a mim mesmo? Amar a Deus somente é possível amando ao próximo (cf. Jo 15,12).

P. Vitus Gustama,svd

Sábado Da XXIX Semana Comum, Ano Par, 24/10/2026

CONVERTER-SE PERMANENTEMENTE PARA PRODUZIR CONSTANTEMENTE OS FRUTOS DE AMOR NO CORPO DE CRISTO QUE É A IGREJA Sábado da XXIX Semana Comum ...