sábado, 28 de abril de 2018

30/04/2018
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CORAÇÃO QUE AMA SE TORNA A MORADA DIVINA
Segunda-Feira da V Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 14,5-18
Naqueles dias, em Icônio, 5 pagãos e judeus, tendo à frente seus chefes, estavam dispostos a ultrajar e apedrejar Paulo e Barnabé. 6 Ao saberem disso, Paulo e Barnabé fugiram e foram para Listra e Derbe, cidades de Licaônia, e seus arredores. 7 Aí começaram a anunciar o Evangelho. 8 Em Listra, havia um homem paralítico das pernas, que era coxo de nascença e nunca fora capaz de andar. 9 Ele escutava o discurso de Paulo. E este, fixando nele o olhar e notando que tinha fé para ser curado, 10 disse em alta voz: “Levanta-te direito sobre os teus pés”. O homem deu um salto e começou a caminhar. 11 Vendo o que Paulo acabara de fazer, a multidão exclamou em dialeto licaônico: “Os deuses desceram entre nós em forma de gente!” 12 Chamavam a Barnabé Júpiter e a Paulo Mercúrio, porque era Paulo quem falava. 13 Os sacerdotes de Júpiter, cujo templo ficava defronte à cidade, levaram à porta touros ornados de grinaldas e queriam, com a multidão, oferecer sacrifícios. 14 Ao saberem disso, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as vestes e foram para o meio da multidão, gritando: 15 “Homens, que estais fazendo? Nós também somos homens mortais como vós, e vos estamos anunciando que precisais deixar esses ídolos inúteis para vos converterdes ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 16 Nas gerações passadas, Deus permitiu que todas as nações seguissem o próprio caminho. 17 No entanto, ele não deixou de dar testemunho de si mesmo através de seus benefícios, mandando do céu chuvas e colheitas, dando alimento e alegrando vossos corações”. 18 E assim falando, com muito custo, conseguiram que a multidão desistisse de lhes oferecer um sacrifício.


Evangelho: Jo 14,21-26
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21“Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. 22Judas – não o Iscariotes – disse-lhe: “Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?” 23Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24Quem não me ama não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”.
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A Primeira Leitura de hoje nos relata que a Palavra de Deus é anunciada aos pagãos. A cura de um paralítico de nascimento exalta os ânimos daqueles pagãos, que interpretam o acontecinto como o sinal da presença dos ídolos Zeus e Hermes entre eles, e tentam oferecer-lhes um sacrifício para tê-los propícios e contentes. Para os pagãos, Paulo e Barnabé são deuses que desceram disfarçados de homens: Barnabé, que seria mais velho, identificaram como Júpiter ou Zeus; Paulo, que fala para eles, identificaram como Hermes, o mensageiro dos deuses.


Pablo aproveita a oportunidade para fazer pregação para eles. Desta vez é adaptado aos pagãos, não aos judeus da sinagoga. Paulo, a partir da cutura desses pagãos, anuncia-lhes Cristo como Aquele que vem para dar plenitude ao caminho do homem, porque não há mais deuses, e não há outro nome que possa nos salvar. Com efeito, a obra da salvação não é nossa, e sim é de Deus. Portanto, somente a Ele seja dada toda honra e toda glória agora e para sempre. Somos apenas servos inúteis; nós fizemos apenas o que tínhamos que fazer.


Os ídolos dos pagãos, insensíveis e sem vida são pura nulidade, assim também aqueles que confiam neles. Ao contrário, temos como nosso Deus e Senhor Aquele que fez o céu e a terra e tudo o que neles existe. É por isso que proclamamos com o Salmo Responsorial (Sl 113B/115): “Não a nós, ó Senhor, não a nós, ao vosso nome, porém, seja a glória, porque sois todo amor e verdade! Por que hão de dizer os pagãos: ‘Onde está o seu Deus, onde está?’ É nos céus que está o nosso Deus, ele faz tudo aquilo que quer. São os deuses pagãos ouro e prata, todos eles são obras humanas. Abençoados sejais do Senhor, do Senhor que criou céu e terra! Os céus são os céus do Senhor, mas a terra ele deu para os homens”.


Nosso Deus se manifestou com todo Seu poder e com toda Sua grandeza, pois nos escolheu para nos fazer Seu Povo Santo. Ele nos enche de bênçãos, especialmente por meio de Seu próprio Filho (Cf. Jo 1,16) que, encarnado, carregou sobre si nossos pecados para nos deimir (Cf. Mt 8,17; Is 53,4). Deus nos entregou a terra para que, passando por ela e vivendo num autentico amor fraterno, nos encaminhemos, unidos a Seu Filho, à possessão do céu, da Glória que a Ele pertence, mas que será nossa, pois o Filho unigentio do Pai em Quem cremos, nos faz participes da herança (Cf. Rm 8,16-17).


O Evangelho de hoje nos enfatiza que somente aquele que ama a Jesus é capaz de fazer seus os ensinamentos de Jesus Cristo. Todo aquele que ama, vive segundo o Evangelho. Quem não ama não pode cumprir os preceitos de Cristo nem sequer conhece Deus, pois Deus é amor (1Jo 4,8.16). Amar a Deus sobre todas as coisas não é fácil, mas enche a alma de felicidade. Não podemos economizar o amor durante nossa passagem neste mundo para que sejamos ricos diante de Deus no dia em que partirmos deste mundo.


Por amor Deus nos chama à vida, por amor Deus nos enviou seu Filho e por amor Deus continua nos oferecendo sua amizade, por amor Deus nos perdoa e sobre o amor seremos julgados no julgamento final. O amor de Deus por nós é um projeto de salvação e não de condenação, pois o amor não condena. Trata-se de um projeto de vida eterna.


Do amor a Deus brota por si a obediência à Sua divina vontade (Cf. Mt 7,21; 12,50; Mc 3,35; Lc 8,21), a confiança em Sua providência (Cf. Mt 6,25-34; 10,29-33; Lc 12,4-12.22-34; 18,1-8), a oração de vota (Cf. Mt 6,7-8; 7,7-12; Mc 11,24; Lc 11,1-13; Jo 16,23-24), e assim por diante.


Deus Ama a Todos, Pois Todos São Seus Filhos


“´Levanta-te direito sobre os teus pés´. O homem deu um salto e começou a caminhar”. Lemos este episódio na Primeira Leitura de hoje.


“Levanta-te!”, ordenou Paulo para um paralítico de nascença. Paulo realiza as mesmas maravilhas que Pedro e Jesus. O mesmo tipo de milagre que Pedro havia feito em favor de um mendigo paralítico (um judeu) perto da porta do Templo. E com a mesma ordem: “Levanta-te!”. Mas aqui o beneficiado não é mais um judeu e sim um pagão.


As bênçãos de Deus não são monopólio de uma religião, de uma crença ou de uma Igreja. Os que vão ser salvos não somente os que se encontram dentro de uma igreja ou templo ou somente os adeptos de uma religião ou crença, pois Deus salva quem ama e respeita os outros, quem se preocupa com o bem comum, quem não é egoísta. Os que serão salvos não são aqueles que somente decoram sua Sagrada Escritura (Bíblia, Alcorão etc.), mas praticam a maldade contra seu próximo. Por causa do amor fraterno os que estão dentro de uma religião ou crença podem estar fora da salvação. E os que estão fora da religião ou crença podem ser salvos por Deus por causa do seu amor pelo próximo (cf. Mt 25,31-46). Ninguém é capaz de encurtar a mão de Deus. Ninguém pode prender Deus num templo ou igreja, numa religião ou crença, pois Deus é o Espirito que sopra para onde quer e por quem quiser. Estejamos atentos por onde o Espirito de Deus sopra. O Sopro de Deus é vida e vivifica. Onde a vida é respeitada, protegida, amada, defendida, lá o Sopro de Deus se manifesta.


Tomemos Cuidado com os Ídolos


“Homens, que estais fazendo? Nós também somos homens mortais como vós, e vos estamos anunciando que precisais deixar esses ídolos inúteis para vos converterdes ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe”. Esta foi a reação de Paulo e Barnabé quando o povo de Listra, onde aconteceu a cura do paralítico de nascença, começou a idolatrar esses dois Apóstolos do Senhor.


Santo Tomás de Aquino trata da idolatria como uma espécie do gênero de superstição que é um vício oposto à virtude da religião e consiste em dar honra divina (culto) para coisas que não são Deus ou a Deus mesmo de maneira equivocada (cf. Summa Theol., II-II, q.xciv). É isso que aconteceu com o povo de Listra.


A idolatria não é coisa passada, própria dos homens de tempos escuros e de civilizações primitivas. Os ídolos estão sempre com os homens em qualquer época e lugar. Os ídolos não são de ontem nem de hoje. Os ídolos são puras criações do egoísmo, do medo, da insegurança, da soberba do homem que não encontrou ainda seu centro ou seu norte.


Todas as realidades "feitas pela mão do homem," tudo o que o homem pensa que pode fazer tudo pelo seu próprio poder e força; tudo aquilo que o homem quer ganhar para sua vida em vez de largá-lo em função de sua salvação, tudo isso é ídolo. O problema não consiste em descobrir se eu tenho ou não os ídolos, que eu ponho do meu lado cuidadosamente para minha comodidade e minha satisfação. O problema principal é identificar os meus ídolos a fim de pedir a Deus que me livre deles.


Somos confrontados diariamente para fazer a escolha entre Deus e os ídolos: dinheiro, fama, poder, sexo etc. e esta escolha deve ser renovada constantemente. Todos os nossos hábitos e escolhas determinam nosso destino. No hábito e na escolha diariamente está escondido meu destino. Verifiquemos se nossos hábitos e escolhas são dignas de serem vividos ou urgentemente devemos larga-los antes eles determinem nosso futuro destrutivo.


Aquele Que Ama Se Transforma Em Morada De Deus Neste Mundo


“Se alguém me ama, guardará minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”


O texto do evangelho de hoje faz parte da conversa de Jesus com os seus discípulos na véspera de sua morte ou faz parte do longo discurso de despedida de Jesus de seus discípulos (Jo 13-17).


A morte de Jesus vai ser um ir ao encontro do Pai celeste. Esse modo novo de ver situação, especialmente da morte, deve constituir para os discípulos motivos de alegria e não de medo, pois Jesus Cristo não vai abandoná-los. O Santo Espírito vai acompanhá-los no mundo, uma nova forma da presença de Jesus no meio deles. E este Espírito Santo vai facilitar os discípulos na compreensão das palavras de Jesus, que até então sem condições para encontrar seu sentido. Jesus é o próprio Evangelho e o Mensageiro de Deus, o Profeta e a Palavra de Deus e é Deus (cf. Jo 1,13). Em Jesus e por Ele tudo ficou dito, tudo o que Deus tinha que nos dizer. Mas nem tudo ficou compreendido. Por isso, a nova presença de Jesus no Santo Espírito vai ajudar os discípulos a compreenderem tudo que foi dito por Jesus e sobre Jesus.


“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”, Jesus disse no evangelho de hoje.


Jesus nos convida a uma comunhão vital: nossa fé e nosso amor a Jesus nos introduzem num admirável intercâmbio. Se tivermos fé e amor, o próprio Deus fará Sua morada em nós e nos converteremos em templos de Deus e de Seu Espírito. O amor nos une com Deus e com os irmãos. A fé no Deus que nos ama nos leva a lutarmos até o fim a exemplo de Jesus. A evidencia que nos comprova de que amamos Jesus é viver seus ensinamentos que se resumem no amor fraterno (cf. Jo 15,12).


Deus faz sua morada em nós em virtude de uma dupla exigência: guardar sua palavra e amá-lo de verdade no próximo (amor fraterno). Deus está presente em cada um de nós na medida em que ama o próximo. A morada de Deus, a casa de Deus, sua residência já não é um templo, Deus não mora na parede das igrejas, e sim que sou eu mesmo morada de Deus na medida em que vivencio o amor fraterno, na medida em que sou fiel à palavra de Jesus. Em outras palavras, o amor cria comunhão e comunidade tanto no nível humano como no nível divino. Com efeito, sem o amor não haveria nenhuma comunhão com os outros e conseqüentemente com Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).


Mas esta presença de Deus no homem não é estática; é a presença de seu Espírito, seu dinamismo de amor e vida que faz o homem participar de Seu próprio amor. Se Deus faz sua morada no coração de quem ama, isto significa que Deus se afasta de mim quando houver em mim o desamor, a injustiça, o ódio, a exploração dos irmãos, a falta de perdão e assim por diante.


Por isso, não basta ficar-me no nível de ideias, de sentimentalismo, de pensamentos e sim que esse novo pensamento, essas novas ideias tenham que provocar em mim uma mudança de vida. Não basta abrir a mente, tenho que abrir também a porta de meu coração, de minha vida vivendo o amor fraterno para tornar-me morada de Deus. O homem que ama é um homem divinizado. “Sem amor o rico se torna pobre; com amor o pobre se torna rico” (Santo Agostinho). A prática cristã do amor é o sinal mais claro e evidente de nossa pertença à Igreja de Jesus. Quem ama como Jesus amou, entra no recinto do amor de Deus Pai e mergulha no mistério salvador de Deus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. Amar a Jesus é deixar-se guiar por suas palavras e inspirar-se em seu modo de viver. Ele vive por amor e para o amor. É um amor universal que não exclui ninguém. Quem se entrega a este projeto de amor será transformado em morada de Deus.


A afirmação de Jesus é, na verdade, um convite ao progresso interior que nos torna semelhantes a Deus pela fidelidade à palavra, e faz reconhecer, nesta fidelidade, a morada das pessoas divinas. O amor fraterno nos aproxima de Deus. A partir do momento em que alguém amar, ele será a nova morada de Deus.


Se em Jo 14,3 Jesus disse que iria preparar para os fiéis uma morada no céu, agora neste texto (vv.22-23) fica claro que a morada do Pai e de Jesus no meio de nós começa aqui e agora, na medida em que observamos o mandamento de Jesus: mandamento do amor fraterno. Se no passado Deus se manifestava em lugares e fenômenos naturais, agora fica muito claro que as pessoas que amam como Jesus são manifestação da presença de Deus. Assim, a separação entre o homem e Deus é superada, e a busca do Pai, tema essencial do Discurso é satisfeita pelo próprio Pai. O nosso Deus não é o Deus distante, mas aquele que se aproxima do homem e vive com ele, formando uma comunidade com os homens, objeto do seu amor.


Por isso, buscar a Deus não exige ir encontrá-lo fora de próprio homem, mas deixar-se encontrar e amar por Ele. A “morada” de Deus está em nós mesmos e entre nós, se estivermos unidos a Jesus e ao Pai na fidelidade e na prática do mandamento do amor. A resposta ao amor a Jesus se expressa no amor aos outros homens (guardar minha palavra). E o Pai e Jesus respondem à fidelidade do discípulo dando-lhe a experiência de sua companhia e seu contato pessoal.


Toda vez que alguém, ao escutar a mensagem do amor, a repete para si mesmo e a põe em prática, insere-se na família de Deus e passa a ser, com Jesus, uma manifestação de Deus ao mundo. A comunidade cristã e o “mundo”, então, distinguem-se entre si pela presença ou ausência do amor. O amor torna-se a razão de diferença entre os discípulos e o mundo. Sem amor, o homem continua carnal, incapaz da autêntica experiência de Deus. Deus escolhe para sempre viver no coração que ama.


Jesus também nos convida a permanecermos atentos ao Espírito, nosso verdadeiro Mestre, a memória de Cristo, a memória para os cristãos. Como memória de Cristo o Espírito vai nos revelando a profundidade de Deus que nos conecta com Cristo: “O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Esse Espírito tem uma função de “pedagogo” de nossa fé porque ele é quem nos prepara para o encontro com Cristo e com o Pai e ele é quem suscita nossa fé e nosso amor. Ele desperta a memória da Igreja.
P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Domingo,29/04/2018
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PERMANECER EM CRISTO PARA PRODUZIR BONS FRUTOS
V DOMINGO DA PÁSCOA ANO “B”

Primeira Leitura: At 9,26-31
Naqueles dias, 26Saulo chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos tinham medo dele, pois não acreditavam que ele fosse discípulo. 27Então Barnabé tomou Saulo consigo, levou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo tinha visto o Senhor no caminho, como o Senhor lhe havia falado e como Saulo havia pregado, em nome de Jesus, publicamente, na cidade de Damasco. 28Daí em diante, Saulo permaneceu com eles em Jerusalém e pregava com firmeza em nome do Senhor. 29Falava também e discutia com os judeus de língua grega, mas eles procuravam matá-lo. 30Quando ficaram sabendo disso, os irmãos levaram Saulo para Cesaréia, e daí o mandaram para Tarso. 31A Igreja, porém, vivia em paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria. Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo.


Segunda Leitura: 1Jo 3,18-24
18Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade! 19Aí está o critério para saber que somos da verdade e para sossegar diante dele o nosso coração, 20pois, se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. 21Caríssimos, se o nosso coração não nos acusa, temos confiança diante de Deus. 22E qualquer coisa que pedimos recebemos dele, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado. 23Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. 24Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele. Que ele permanece conosco, sabemo-lo pelo Espírito que ele nos deu.


Evangelho: Jo 15,1-8
Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais frutos ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.
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O texto se encontra no complexo literário de Jo 13-17 que fala da despedida de Jesus de seus discípulos. Na presença dos seus amigos íntimos, Jesus começa a transmitir sua mensagem final (Jo 13,31-17,26). Como qualquer grande líder que reúne seus seguidores na véspera de sua morte para dar-lhes instruções quando ele partir, também Jesus, antes de sua morte, faz a mesma coisa. Mas ele lhes garante que sua morte não é um fim, pois ele vai para seu Pai. Aqui, nestes capítulos, Jesus repetidamente promete que ele vai voltar para os discípulos através de sua ressurreição e do dom do Espírito Santo. Esta volta vai trazer-lhes paz e alegria, e que os discípulos vão entrar também na comunhão de sua vida através do Espírito, que é o dom de Jesus ressuscitado.


“Eu sou a verdadeira videira e vós, os ramos”, diz Jesus. Esta imagem serve para sublinhar a comunicação e circulação de vida divina que existe entre Jesus e aqueles que nele crêem. Meditar estas palavras sobre a videira e os ramos significa encontrar a relação que nos liga, na sua dimensão mais profunda, a Ele. É uma relação mais profunda até do que aquela que existe entre pastor e o rebanho, sobre a qual meditamos no domingo anterior. No evangelho deste domingo descobrimos onde é que reside a força interior de nossa religião (2Tm 3,17). É em Jesus.


Quando Jesus se autoproclama como a “verdadeira videira”, é porque existe outra videira falsa. A verdadeira videira é a imagem que evoca vida, seiva, fruto abundante ou ramos cheios de frutos de qualidade.


Somos Ramos Da Verdadeira Videira Que é Cristo


Se no Domingo passado, São João nos advertia que o mundo não nos conhece porque não conhece Pai em Cristo (1Jo 3,1), as leituras de hoje (deste Domingo) nos ajudam a reconhecermos nosso próprio ser cristão: “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”, diz-nos Senhor. Isto quer nos dizer que estamos enraizados numa origem, dado no Batismo, que nos dá força e produz fruto, em virtude da qual podemos viver uma existência útil e cheia de sentido.


Se Cristo é a videira e nós somos os ramos, logo cada cristão, seguidor do Senhor deve estar desarraigado de si mesmo e desconcentrado. Sua morda e seu centro, de agora em diante, se encontram em Cristo de quem provem toda sua força. Cristo, sua vida, sua mensagem constituem, pois, o terreno vital no qual deve radicar a Igreja, todos os cristãos. Se a Igreja, se cada cristão radica sua vida “em outra parte”: na força, no poder, no triunfo, no número, no prestígio, na riqueza, pode ser tudo, menos a vinha do Senhor, e está condenado inexoravelmente à esterilidade.


Além disso, a nós toca a tarefa de não rompermos esse vínculo que nos vincula com o Ressuscitado. Trata-se duma incorporação interior e profunda mediante a fé, a graça e a caridade. E também uma incorporação garantida externamente mediante nossa permanência visível à própria Igreja, una, santa, católica e apostólica que é o próprio Corpo místico do Senhor no qual Ele é a cabeça (Cf. Cl 1,18; Ef 5,22; 1Cor 12,27). Cristo constituiu a Igreja para prolongar sua obra de salvação até o fim dos tempos.


Uma união com Jesus que não é algo automático nem ritual pede a decisão do homem. Esta união mútua entre Jesus e os discípulos, os cristãos, será a condição para a existência da comunidade, para sua vida e para o fruto que deve produzir. O ramo não tem vida própria, e portanto, não pode dar fruto por conta própria. O ramo necessita da seiva, isto é, o Espirito comunicado por Jesus.


Jesus Cristo É a Verdadeira Videira


Assim como no domingo passado, no Evangelho do Bom Pastor (Jo 10,11-18), somos agora surpreendidos pela afirmação absoluta de Jesus: "Eu sou a verdadeira videira". Não diz o que foi ou o que será, porque já é a verdadeira videira, aquela que dá o fruto. Tais afirmações devem ser ouvidas da experiência pascal e com fé na ressurreição do Senhor. Jesus vive e é para todos os crentes o único Autor da vida e o Princípio de sua organização. A seiva sai dessa verdadeira Videira, e é ela quem mantém os galhos juntos em vista da mesma função: "dar frutos". Jesus é a cepa ou tronco, a raiz e o alicerce a partir do qual se estende a verdadeira "vinha do Senhor".


A vinha e a videira são uma imagem amplamente utilizada no Antigo Testamento para referir-se a Israel como povo de Deus, e é recolhida também pelo Novo Testamento. Mas agora a videira não se refere ao povo de Israel e sim que se aplica diretamente ao próprio Jesus.


“Eu sou a verdadeira videira”. Como Filho de Deus (Jo 3,16), Jesus se designa a si mesmo, como a videira, no sentido de que somente Ele, como Filho de Deus, pode ser a videira. Jesus se põe no lugar que até agora costumava ocupar o povo de Israel. Jesus é a verdadeira videira no sentido de que Ele é quem dá a autêntica vida que provem de Deus, que encontra sua fonte no Pai.


Permanecer Em Cristo Resulta Na Produção De Bons Frutos


Jesus vive e é para todos os crentes o único Autor da vida (Cf. Jo 1,3-4) e o princípio de sua organização. Jesus é a cepa ou tronco, a raiz e o alicerce a partir do qual podem viver e frutificar os ramos. Entre os ramos e a videira há uma comunicação de vida enquanto permanecerem unidos à videira. E esta é a condição para o ramo dar fruto: “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto”.


A expressão “permanecer” tem em Jo uma conotação do definitivo, do perene no relacionamento com Jesus fundado na fé, um relacionamento de confiança e fidelidade recíproca que existe entre Jesus e seus seguidores. Com esta permanência, os seguidores terão condições de produzir frutos. O sentido é o da mútua união de Deus (ou Jesus, ou o Paráclito) nos seus e deles em Deus. Não se trata de uma mera “união moral” entre os fiéis e Jesus/Deus. Da parte de Deus (em Jesus) trata-se da presença salvífica; e, na medida em que abrimos espaço para a presença de Deus no meio de nós e em nós, também nós “permanecemos” no âmbito dele. E da parte dos fiéis (nós), esse permanecer significa concretamente o continuar na profissão de fé em Jesus e a comunhão do amor fraterno. Somente em contato com Jesus temos vida e força interior, capacidade e constância para transformar a dura realidade e vencer o mal dentro e fora de nós.


“Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto”. O fruto aqui é o efeito da morte do grão de trigo, isto é, é a expressão do amor sem medida. O fruto é a realidade do homem novo, isto é, o homem que não existe só para si, mas que se esforça a morrer de seu egoísmo e a viver para Deus e para os demais.


“E todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais frutos ainda”. Quem pratica o amor, tem que seguir um processo ascendente, um desenvolvimento que é possível mediante esta poda permanente que o Pai faz. É a limpeza que o Pai faz do coração do discípulo de Cristo, eliminando cada vez mais os fatores e os sinais de morte, fazendo que o ramo-discípulo seja cada vez mais autêntico e produtivo, mais livre para amar, menos escravo de si mesmo, e com a maior capacidade de entrega e portanto, de eficácia no amor fraterno.


Nossa Verdadeira Humanidade Se Encontra Em Cristo Jesus


“Sem mim nada podeis fazer”, disse-nos Jesus. Isto quer nos dizer que Jesus é a força do homem, não somente para ser cristão e sim para ser plenamente homem. Jesus é a humanidade autêntica. É a revelação do que o homem tem que chegar a ser e como tem que alcançá-lo. Por isso, Jesus é meta e caminho do homem: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).


A partir da afirmação do Senhor sabemos que nosso ser mais autenticamente humano não o descobrimos a base de filosofias nem de razocionamentos; não o descobrimos a base de especulações, e sim na contemplação de Jesus e na união permanente com Ele. Por isso, o cristianismo é distinto de toda religião e de todo humanismo. É distinto de toda religião, porque o que está em seu centro não é Deus e sim o homem. Por causa do homem, Deus nviou seu Filho unigênito para que o mundo seja salvo (Cf. Jo 3,16; 10,10b; Mt 25,40.45). E é distinto de todo humanismo porque a razão dessa centralidade do homem não radica no próprio homem e sim somente em Deus. Todo processo de cristianização é ao mesmo tempo um processo humanizador. Deus se fez homem para o homem se tornar divino. Através da humanização o homem alcança sua divinização. Deus desce até a nossa humanidade para que nossa humanidade alcance a divindade.


Um Alerta Sobre Ramo Seco Dentro De Nós


“Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados”.


O ramo que não dá fruto é aquele que pertence à comunidade, mas não responde ao Espirito de Jesus; aquele que come o Pão da Vida, mas não se torna semelhante a Jesus; é aquele que escuta a Palavra de Deus, mas espalha os comentários maldosos; é aquele fica de joelho diante do Santíssimo, mas pisa sobre a dignidade alheia. É o ramo que não responde à vida que a ele é comunicada.


Estar em Cristo é acolher Cristo e escutar sua Palavra e viver conforme esta Palavra; é ter seus mesmos sentimentos e atitudes; é morrer e viver com Ele; é crucificar a “carne” para viver no Espirito; é viver na liberdade e no amor; é viver a filiação divina e a fraternidade; é viver em total comunhão com Ele e não ter outra vida que Cristo. Estar unido a Cristo é viver em comunhão com Ele, é deixar-se alentar por Ele. Que seu Espirito me inspire e me vivifique. Estar em Cristo é viver de, em, por e para Cristo. Tudo isso se realiza, naturalmente, através da escuta, da oração, da colaboração, dos compromissos como membros do Corpo do Senhor, e através do amor fraterno. A seiva é como o sangue do corpo saudável no qual o sangue circula livremente levanto o que é bom para o corpo em função de seu bom funcionamento.


Uma das maiores tragédias dos cristaos é a de “praticar a religião” sem nenhum contato com o Vivente. O cristão começa a descobrir a verdade da fé cristã quando acerta a viver em contato pessoal com o Ressuscitado. Somente então se descobre que Deus não é uma ameaça ou um Desconhecido e sim Alguém vivo que põe nova força e nova alegria em nossas vidas. Frequentemente, nosso problema não é viver envoltos em problemas e conflitos constantes. Nosso problema mais profundo é não ter força interior para enfrentarmos os problemas diários da vida.


Portanto, “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” é o convite diário do Senhor para todos nós cristãos.
P. Vitus Gustama,SVD

terça-feira, 24 de abril de 2018

28/04/2018
Resultado de imagem para que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei.Resultado de imagem para que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei.
PERMANECER EM CRISTO PARA ESTAR COM O PAI DO CÉU
Sábado da IV Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 13,44-52
44 No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. 45 Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia. 46 Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: “Era preciso anunciar a Palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que nos vamos dirigir aos pagãos. 47 Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: ‘Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra’”. 48 Os pagãos ficaram muito contentes, quando ouviram isso, e glorificaram a Palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé. 49 Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. 50 Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51 Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés, e foram para a cidade de Icônio. 52 Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo.


Evangelho: Jo 14,7-14
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 7“Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai”? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai, 13e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei.
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A Primeira Leitura nos relata o sucesso de Paulo e Barnabé junto aos pagãos, mas ao mesmo tempo, a oposição dos judeus perante esse sucesso: “Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia”. Paulo e Barnabé são expulsos, e partem para Icônio.


Mas a última frase do texto da Primeira Leitura evidencia um traço especial do quadro da Igreja desenhado pelos Atos dos Apóstolos: “Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo”. Esta alegria constante é algo diferente dos que se tornaram crentes. Trata-se da alegria fruto da mensagem vivida. Eles experimentam a “força de Deus” (Rm 1,16), a força do Espirito Santo que resulta na alegria permanente, apesar das perseguições.


A alegria cristã tem sua fonte na contínua presença de Cristo (cf. Mt 28,20). Para São Paulo, nenhum obstáculo ou dificuldade é capaz de impedir a verdadeira alegria, pois ela é um dos frutos do Espírito Santo (cf. Gl 5,22). Trata-se da origem superior, e por isso, está acima de tudo que é passageiro. Tudo pode passar, inclusive o sofrimento, mas a alegria permanece, pois é o fruto da aceitação de Deus na vida do homem, fruto do Espírito Santo. Quando uma pessoa aceitar com simplicidade, humildade e generosidade a Palavra de Deus, ela ficará cheia da alegria do Espirito Santo apesar das dificuldades, até mesma perseguição.


O Salmo Responsorial (Sl 97/98) nos apresenta o Deus que se levantou vitorioso sobre seus inimigos. Este é o motivo que faz a Igreja cantar e proclamar a misericórdia e a fidelidade do Senhor: “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória”.


E nós, que somos não somente o povo de Deus e sim filhos e filhas de Deus, nos tornamos participes de vitória de Deus, nosso Pai, manifestando assim seu amor e sua lealdade para todos nós. Por isso, nós que pertencemos à família de Deus, devemos nos converter em um contínuo louvor de Seu Santo nome diante das nações para que, com nosso exemplo, possam ir ao encontro do Senhor da alegria e da salvação. Se o Reino de Deus é paz, amor e alegria, o cristão deve ser testemunha de alegria: em seus talentos, em sua vida, em suas atividades, em suas celebrações e assim por diante.


O Evangelho de hoje quer nos afirmar que somente aquele que não sabe qual é o destino de sua vida, não existe um caminho certo e seguro. Mas se, ao final de nossa existência terrena, queremos estar junto ao Cristo, gozando da glória do Pai, não há outro camainho que o próprio Cristo. Em Cristo Deus se manista como Pai amoroso e misericordioso: “O que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei. Pois eu vou para o Pai”. Pedir “em nome de Jesus” equivale, efetivamente, a solicitar a presença de Cristo no atuar humano a fim de que tudo seja verdadeiramente sinal da presença de Deus no mundo.


Temos em Jesus o Mediador mais eficaz: Sua união íntima com o Pai fará que nossa oração seja sempre escutada, se nós estivermos unidos intimamente a Cristo.


Estendamos um pouco mais nossa reflexão a partir de outras mensagens das leituras proclamadas hoje na nossa celebração!


Estejamos Conscientes De Que a Inveja Destrói e Mata


A Primeira Leitura fala da expansão da Igreja no território não judeu que já tem como início em At 10-11. Lucas registra não somente o sucesso da evangelização na terra pagã, mas muito mais do que isso: os pagãos dão uma certa preferência ao cristianismo. Isso causa a inveja nos judeus. A pregação da mensagem dá lugar, como em outras ocasiões, para a perseguição pela qual Paulo e Barnabé são obrigados a ir para outro lugar para levar a mensagem de Cristo. Mas não se trata de obra dos dois (Paulo e Barnabé), mas trata-se da obra do Espirito que os enche de alegria e força para prosseguir na evangelização. No entanto em qualquer lugar onde a mensagem de salvação de Cristo é proclamada ou anunciada, há sempre os que a aceitam e os que a recusam. Há recusa pacifica, mas há também recusa acompanhada pela perseguição e blasfêmias.


“No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia”. Assim registrou Lucas sobre o sucesso de Paulo e Barnabé no trabalho missionário em Antioquia de Pisídia e a reação negativa da parte dos judeus por esse sucesso.


“Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja”. A inveja é a tristeza pelo bem alheio. O invejoso tem sempre os olhos fixos nos outros, sofrendo amargamente com a satisfação que nele têm, tendo sentimentos de aversão quando percebe que os outros estão bem ou estão numa situação cada vez melhor. A inveja é filha de uma soberba. O invejoso não tolera os sucessos dos outros, não admite que os outros possuam qualidades iguais ou superiores às suas. Ele sempre teme ser superado pelos outros. Ele sofre quando percebe que seu rival possui uma cota maior do que a sua. A inveja é uma profunda raiva produzida pela conquista dos outros. “O número dos que nos invejam confirma nossas capacidades” (Oscar Wilde). A inveja é um desejo de vingança, de destruição, de ódio. Muitas mortes aconteceram por inveja. A inveja tenta destruir os outros por meio da perseguição. A inveja é um sentimento destrutivo de alguém que pretende tirar o que você conseguiu. A inveja coloca qualquer um num plano de contínua insatisfação e de queixa permanente. A inveja nasce da sensação de que nunca o invejoso nunca vai ter o que o outro possui. “A inveja é uma declaração de inferioridade” (Napoleão Bonaparte).


Mas quem tem uma alma grande sempre se preocupa com o bem de todos. Uma pessoa de bem sempre faz do sucesso do outro como inspiração para que ela consiga alcançar aquilo que uma pessoa sucedida alcançou. Uma pessoa de bem se esforça para aprender a atravessar o processo, a ter vontade e coragem, força e inteireza para percorrer o caminho de sucesso. Uma pessoa de bem admira. Um invejoso está sempre com o mau olhar no sucesso alheio. Uma pessoa de bem olha para aprender. Um invejoso olha para destruir o sucedido.


Conhecer Jesus É Conhecer Deus


“Quem me viu, viu o Pai... Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim”.


O texto do evangelho lido neste dia faz parte do discurso de despedida de Jesus de seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17).


Quando Jesus disse aos discípulos: “Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”, logo Filipe pediu: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”.


O pedido de Filipe para Jesus mostrar o Pai tem um tom de ousadia do ponto de vista judaico. Segundo a visão bíblica é impossível ver Deus e ao mesmo tempo o homem, que viu Deus, permanece vivo (Cf. Ex 33,20). Por isso é que, na Bíblia, todas as pessoas ficaram apavoradas diante de qualquer manifestação divina (teofania), pois há possibilidade de morrer.


Diante da pergunta de Filipe, Jesus responde que o Pai não é acessível ao olhar comum. O Pai é acessível através de uma contemplação (contemplar significa olhar, observar com atenção para descobrir seu significado). E a contemplação se apoia no sinal por excelência: o Filho, Jesus Cristo e suas obras, pois Jesus é a Palavra de Deus feita carne (cf. Jo 1,14; Mt 1,23). Jesus é tão unido ao Deus Pai a ponto de ser reflexo total de Deus diante dos homens. Jesus e o Pai são um só (cf. Jo 14,10; 17,21-22). Para contemplar o Pai é preciso descobrir o mistério do Filho: descobrir sua relação com o Pai, seu papel mediador e a significação de suas obras. Todas as obras de Jesus apontam para Deus. Jesus está tão unido ao Pai a ponto de dizer: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 14,10). Tudo de Jesus fala do Pai ou leva o homem ao Pai. Entre Jesus e o Pai há uma total sintonia. O último critério de identificação e sintonia são as obras. E a obra da redenção feita por Jesus nos faz compreendermos Deus como um Pai cheio de amor, de ternura e de misericórdia para nós (cf. Jo 3,16).


E esta contemplação do Pai na pessoa e na obra do Filho deve ser estendida nas obras de cada cristão: “Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço” (Jo 14,12). A vida e as obras de cada cristão devem levar os outros a contemplarem Deus, devem ter uma função de levar as pessoas para Deus. As obras boas que o cristão faz falam por si de Deus para o mundo. Desse modo cada cristão se converterá em sinal da presença do Pai no mundo que aponta sempre para Deus. Além disso, neste sentido pedir “em nome de Jesus” (Jo 14,14) equivale, efetivamente, a solicitar a presença de Cristo no atuar do cristão para que ele possa ser verdadeiramente sinal da presença de Deus no mundo.


Somente para aquele que não sabe qual é o destino de sua vida não existe um caminho certo e seguro. Mas se ao final de nossa existência terrena queremos estar com Cristo gozando da gloria do Pai, não há outro caminho a não ser o próprio Cristo. Nele nos é manifestado nosso Deus como Pai amoroso e misericordioso, próximo de nós e disposto a nos salvar e nos e a nos levar a participarmos de Sua vida eterna. Não somente as palavras de Jesus que nos fazem entendermos quem é Deus para nós, mas também suas obras nos fazem experimentarmos o amor que Deus tem para nós. Ir atrás das pegadas de Cristo é caminhar com Sua Igreja, Sua esposa que é a pegada de Seu amor e de Sua entrega que Ele deixou para a humanidade para que possa ir ao encontro definitivo com o Pai com segurança.


“Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras”, disse Jesus a Filipe.


Jesus era um homem de Nazaré de carne e de osso, que pisava o solo de Palestina, um homem que tinha amigos, relacionamentos humanos, que comia e bebia com seus amigos, que tinha cansaço, fome e sede. Mas era um homem equilibrado por excelência. Era um homem humilde (Mt 11,29). Era um homem sem ambição nem orgulho, pois toda vez que a multidão queria torná-lo rei, ele se afastava para estar em contato com o Pai no silencio e na oração prolongada (cf. Jo 6,15). Era um homem que se rebaixava diante de seus amigos para lavar-lhes seus pés (cf. Jo 13,1-20). Mas esse homem é, ao mesmo tempo, estava em comunhão plena com Deus, se identificava com Deus, que fazia tudo conforme a vontade de Deus: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. Jesus era um homem cheio de Deus. As suas amizades com outras pessoas não atrapalhavam sua comunhão plena com Deus. Ao contrário, era tão profunda sua comunhão com Deus a ponto de ter sido tão profunda também sua amizade com o homem (cf. Jo 15,15). Por ter sido o homem de Deus, Jesus era um homem do povo e para o povo.


Ser cristão é ser outro Cristo no mundo. Se Cristo Jesus era um homem cheio de Deus, logo cada cristão deve ser uma pessoa cheia de Deus. Se Cristo Jesus foi o homem de Deus e por isso, era um homem do povo e para o povo, logo o cristão deve ser também um homem de Deus para que se torne um homem do povo e para o povo. Consequentemente, nenhum cristão pode ser uma pessoa egoísta e isolada. Cada cristão é de Cristo e o Cristo é do povo: “Vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1Cor 3,23).


“Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que essas” (Jo 14,12). Não se trata das obras maiores do que as que Jesus fez. Mas trata-se da expansão de sua mensagem por todo o mundo. Jesus limitou sua atividade em Palestina com um pequeno número de discípulos. Agora, através das obras boas praticadas pelos cristãos espalhados pelo mundo Cristo se faz presente no mundo. Nossas obras se tornarão maiores, se as fizermos no espírito de Cristo e não de acordo com o nosso gosto. Toda obra no espírito de Jesus tem como objetivo edificar os outros na sua dignidade. É ser vida para os demais como Cristo é vida dada a todos nós.  Ao fazer as obras pelo bem de todos, o cristão poderá aplicar para si a frase de Jesus de outra maneira: “Eu estou em Cristo e Cristo está mim”. Ser cristão significa ser outro Cristo. Se o mundo não percebe na minha maneira de viver e de proceder que sou cristão é porque eu não estou mais em Cristo nem Cristo está em mim. Desta maneira Santo Agostinho tinha razão ao dizer: “De que vale ter o nome de cristão se tua vida não é cristã? Há muitos que se denominam médicos e não sabem curar. Muitos se dizem vigilantes noturnos não fazem mais que dormir a noite inteira. Assim também muitos se chamam cristãos, mas não o são em seus atos. Em sua vida, moral, fé, esperança e caridade são muito diferentes do que declara seu nome” (In epist. Joan. 4,4).


“Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”, pediu Filipe a Jesus. Em outras palavras: Onde está Deus? No seu livro O Deus Em Quem Não Creio, Juan Arias dá algumas respostas. “Deus está na tua vida vazia. É tudo o que desejarias lá meter para a encher... Deus é o sol que desejarias ver brilhar quando as trevas irromperam nos teus olhos... Está naqueles olhos cheios de luz que, só ao olhá-los e amá-los, te tornaram mais criança, mais inocente, mais livre, mais poeta e mais concreto; mais terno e mais seguro; menos “tu” e mais “próximo”. Deus está nessa sede de limpeza que faz sentir a tua boca seca e pegajosa, depois de qualquer infecção do espírito ou da carne. Está à porta de cada desilusão; são essas mãos invisíveis em que não crês, mas que desejarias apertar, cheias de fidelidade, quentes de compreensão, eletrizadas por um afeto que resiste ao tempo...Deus está no palpitar intato de cada novo ser...Está no conjunto de sentimentos que vibram em todo o ser da mulher que acaba de ser mãe...Deus está ali; naquele cantinho mais secreto da tua vida, aonde ninguém chega, em que uma voz que não sabes donde vem, nem para onde vai, te diz o que não querias ouvir, te recorda o que desejarias ter esquecido, te profetiza o que nunca desejarias saber. Nessa voz que não ouves, mas que te desaprova. Nessa voz que não é tua, mas que nasce em ti e que nem o sono, nem o barulho, nem a bebida, nem a carne conseguem fazer calar...Está nesse abismo profundo da tua incredulidade...Está na paz do lago sereno das tuas lágrimas quando te reconcilias com a tua consciência e que te dá a sensação de renasceres...Deus está nessa força misteriosa que nos mantém vivos, que nos impede de enlouquecer, que nos evita o suicídio depois de certas provas dramáticas da vida, depois de certos desgostos mais cruéis e trágicos do que a morte...Deus está sobretudo onde reina o amor”.


Cristão, onde está teu Deus? Mostra-nos teu Deus é o pedido do mundo para cada cristão. Qual sua resposta?
P. Vitus Gustama,svd
27/04/2018
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A FÉ PROFUNDA EM DEUS NOS SERENA
Sexta-Feira da IV Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 13,26-33
Naqueles dias, tendo chegado a Antioquia da Pisídia, Paulo disse na sinagoga: 26 “Irmãos, descendentes de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a nós foi enviada esta mensagem de salvação. 27 Os habitantes de Jerusalém e seus chefes não reconheceram a Jesus e, ao condená-lo, cumpriram as profecias que se leem todos os sábados. 28 Embora não encontrassem nenhum motivo para a sua condenação, pediram a Pilatos que fosse morto. 29 Depois de realizarem tudo o que a Escritura diz a respeito de Jesus, eles o tiraram da cruz e o puseram num túmulo. 30 Mas Deus o ressuscitou dos mortos 31 e, durante muitos dias, ele foi visto por aqueles que o acompanharam desde a Galileia até Jerusalém. Agora eles são testemunhas de Jesus diante do povo. 32 Por isso, nós vos anunciamos este Evangelho: a promessa que Deus fez aos antepassados, 33 ele a cumpriu para nós, seus filhos, quando ressuscitou Jesus, como está escrito no salmo segundo: “Tu és o meu filho, eu hoje te gerei”.


Evangelho: Jo 14,1-6
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1 “Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, 3e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.
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A Primeira Leitura continua a nos narrar a pregação de São Paulo em Antioquia da Pisídia (At 13,13-41). São Paulo participa do Culto divino na sinagoga judaica em Antioquia, ouvindo as leituras tão familiares “da Lei e dos profetas”, mas as ouve como cristão.


Na sua pregação, como narra a Primeira Leitura, São Paulo chama os ouvintes de “irmãos”, pois se sente ligado a eles porque todos são descendentes de Abraão mesmo Paulo sendo cristão. Baseando-se nessa paternidade comum e universal São Paulo também pode saudar os pagãos “tementes a Deus” dos quais participam da assembleia judaica com o mesmo tratamento.


Precisamos também nos sentir ligados aos outros pela mesma origem: todos nós somos filhos e filhas de Deus: “Caríssimos, vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” (1Jo 3,1ª). Trata-se de uma afirmação que diviniza nosso estado de simples criaturas para ser filhos e filhas de Deus. É uma divinização que nos leva a humanização da humanidade, isto é, de tratar o outro como irmão meu e irmã minha. Como é bom não esquecermos nossa filiação divina, pois nos dá força para continuar nossa luta para nos manter como filhos e filhas de Deus. Posso ter meus fracassos e fraquezas, mas sou filho(a) de Deus. Posso me encontrar doente, mas sou filho(a) de Deus.


Somos filhos e filhas no Filho de Deus. Consequentemente, como prega São Paulo na Primeira Leitura de hoje, somos destinados também para a vida gloriosa, para a ressurreição, pois Jesus nos abriu este caminho: “Nós vos anunciamos este Evangelho: a promessa que Deus fez aos antepassados, ele a cumpriu para nós, seus filhos, quando ressuscitou Jesus, como está escrito no salmo segundo: ‘Tu és o meu filho, eu hoje te gerei’”.


O Salmo Responsorial de hoje (Sl 2) se refere à entronização de um rei da dinastia davídica. É um salmo messiânica. A Igreja referiu-o a Cristo. Em Cristo as promessas de Deus e as professias se cumprem, sobretudo com sua ressurreição: “’Fui eu mesmo que escolhi este meu Rei e em Sião, meu monte santo, o consagrei!’. O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: ‘Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei!’”.


O Senhor nos uniu a Ele e nos fez participes da glória que lhe corresponde como ao Filho unigênito de Deus. Mas Ele nos consagrou não para que vivamos sentados e seguros de nós mesmos. Temos que sair e caminhar pelo mundo em busca das ovelhas desgarradas pelo espirito mundano para que voltem a viver como filhos e filhas de Deus. Somos sinais de Cristo Ressuscitado neste mundo.


Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei. “Chamo-te diariamente de Pai, e o faço porque me chamaste de filho. Eis o mais caro segredo da minha vida, a minha alegria mais íntima e a minha maior razão de felicidade. ... Quero sentir que sou teu filho hoje; que me estás dando a vida a cada instante; que contigo, todo momento é novo e todo instante vivo; que a vida começa outra vez sempre que volto a pensar em ti, porque neste momento, tu te tornas de novo meu Pai.  ... Ensina-me o teu hoje, para que todo momento da minha vida volte a ter vivacidade” (Carlos G. Vallés: Busco Tua Face, Senhor, Ed. Loyola, 1997).


Através do Evangelho de hoje Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade a fim de que possam ter a verdadeira Vida. Mediante o Mistério Pascal de Cristo, o Senhor nos abriu o acesso para a eternidade junto a Deus. Somente quem aceita, por meio da fé, o Enviado do Pai, escutando Sua Palavra e vivendo conforme a Palavra de Deus, viverá com Deus eternamente. Jesus, Caminho, Verdade e Vida, nos une a Ele para que, como Ele, caminhemos no amor fiel à vontade do Pai, e tendo Ele, Verdade eterna, tenhamos Vida e vida em abundância.


Na Eucaristia o Senhor nos comunica sua própria Vida. Sua entrega, celebrada em Memória de seu Mistério Pascal, nos põe em caminhi de salvação. Quem une sua vida a Cristo e quem vai atrás de suas pegadas, sabe muito bem a onde vai: para casa do Pai onde todos têm espaço.


Mas a participação na Eucaristia nos leva a pormo-nos ao serviço da humanidade inteiro como pão da vida que se parte e comparte para que os demais, especialmente os necessitados, tenham vida. Jesus, nosso Caminho para o Deus da Verdade e da Vida nos quer como testemunhas dessa Verdade e dessa Vida.


Deus É Soberano No Cumprimento De Seu Plano Para Salvar a Humanidade


“Nós vos anunciamos este Evangelho: a promessa que Deus fez aos antepassados, ele a cumpriu para nós, seus filhos, quando ressuscitou Jesus, como está escrito no salmo segundo: “Tu és o meu filho, eu hoje te gerei”.


O texto da Primeira Leitura é a continuação do discurso/pregação de Paulo em Antioquia de Pisídia numa Sinagoga num dia de Sábado.


Neste discurso Paulo coloca a culpabilidade sobre os habitantes de Jerusalém e os seus chefes sobre a morte cruel de Jesus na cruz. Eles quiseram a morte de Jesus mesmo sendo inocente, e usaram Pilatos como instrumento para realizar sua maldade de eliminar (matar) Jesus da vida. A covardia de Pilatos em libertar o inocente Jesus cede à pressão da população e dos chefes para acabar com a vida de Jesus.  Mas por incrível que pareça, em vez de impedir o plano de Deus em constituir Jesus como o verdadeiro Messias, eles contribuíram para realizar o plano de Deus. Se eles mataram o Messias Jesus, o Inocente, Deus restituiu a vida a Jesus. Jesus foi ressuscitado.


No seu discurso, Paulo não somente enfatiza a ressurreição de Jesus, mas ele também fala das aparições de Jesus para os apóstolos. Essas aparições são base do testemunho dos Apóstolos. Os apóstolos são as testemunhas tanto de tudo que Jesus fez e disse na Galileia durante sua vida pública como da sua ressurreição pelas aparições. Tudo isso motiva os Apóstolos a dar testemunho para o resto do mundo sem medo da prisão e da morte como consequência.


A coragem dos Apóstolos em testemunhar Jesus Ressuscitado que garante o futuro da humanidade, isto é, que os homens fieis à Palavra de Deus não estão caminhando para o nada e sim para o futuro de Deus que já começou no presente na vivencia da Palavra de Deus, nos faz pensarmos na responsabilidade de cada cristão, seja praticante, seja menos praticante. Em geral, os cristãos se reúnem na assembleia para se alimentar da Palavra de Deus e do Corpo e Sangue do Senhor na Eucaristia. Mas será que a vida dos cristãos traz alguma coisa boa para o bem do mundo ao seu redor a exemplo de Jesus que passou a vida fazendo o bem? Os que leem e decoram, ouvem e meditam a Palavra de Deus contribuíram alguma coisa para melhorar o mundo ao seu redor onde moram e trabalham? Será que usamos os outros como instrumentos para eliminar alguém de uma função, de uma missão, de um trabalho porque ele está nos impedindo de ceder o lugar que queremos ocupar?


Através da Primeira Leitura de hoje Deus quer nos deixar um recado muito forte: um inocente, um justo, um honesto pode ser eliminado pela mão humana em nome do interesse egoísta, em nome do poder, mas com os braços abertos Deus o acolhe e o glorifica (ressuscitar). Um maldoso, um injusto, um desonesto, um corrupto da vida alheia, se não se converter, acabará não vendo Deus (fica fora da salvação), pois Deus é o Bem Superior, por excelência. São Paulo nos relembra que um dia “teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo” (2Cor 5,10). Não é por acaso que no texto do Evangelho de hoje Jesus se apresenta para todos nós como o único Caminho que leva à verdadeira vida. Diante de um mundo desconcertado e perdido, diante das religiões que se brigam entre si em nome do próprio interesse e não em nome do bem comum, diante de um mundo que está em busca de ideologias e messias e felicidades, Jesus é a resposta de Deus, pois Ele é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).


A Fé Em Jesus Nos Traz Uma Paz Profunda Que Vem Do Alto


“Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”.


Os capítulos 13 a 17 do evangelho de João constituem um “Discurso de despedida” de Jesus. Como os patriarcas do AT e outros grandes personagens ao saber de sua morte iminente se despedem de sua família fazendo recomendações importantes para eles (cf. Gn 49,1-28; 50,24-25; Dt 33; 1Rs 2,-9 etc.), assim também Jesus faz a mesma coisa para seus discípulos. Nestes capítulos encontramos vários ensinamentos de Jesus para quem quiser segui-lo.


Na última Ceia os discípulos estavam tristes e desorientados ao saber da despedida do seu Mestre que iria morrer. Por isso, antes de passar deste mundo ao Pai Jesus diz no texto do evangelho deste dia: “Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”. Segundo a concepção do AT, a fé é um apoiar-se do homem no fundamento vital divino que lhe confere vida e existência; um entregar-se sem reservas, e confiado na promessa, bondade e lealdade de Deus. Justamente neste sentido não é possível crer em tudo. Ou o homem crê em Deus ou crê em nada que terminará no nada. Evidentemente não é possível crer em nada do mundo, e sim somente em Deus, pois só Deus, o Criador do universo, é capaz de responder aos anseios profundos do homem.


Qual é a maior mensagem de consolo ou de esperança que Jesus oferece aos discípulos e a todos nós através do evangelho de hoje? É o convite para viver a fé: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus e tende fé em mim também” (v.1). “Ter fé em Deus” e “ter fé em Jesus” não se trata de dois tipos de fé. Mas trata-se de uma só e única fé. No capítulo anterior Jesus já disse: “Quem crê em mim, não é em mim que crê, mas em quem me enviou...” (Jo 12,44). E na primeira carta de São João temos esta ideia expressa negativamente: “Todo aquele que nega o Filho também não possui o Pai. O que confessa o Filho também possui o Pai” (1Jo 2,23).


Em segundo lugar, a exortação que Jesus dirige aos discípulos para que tenham fé nele é algo mais que uma petição de um voto de confiança. A fé é a força que supera tudo, pois a fé é um dom que vem do Alto. A fé é capaz de vencer o mundo: “Esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé” (1Jo 5,4). “Mundo” aqui significa tudo que se opõe ao plano ou à vontade de Deus. A verdadeira fé em Deus é capaz de vencer as influências nefastas do mundo, pois quem se mantém na profissão da verdadeira fé vive no mundo de Deus, e Deus está por cima do mundo. Por isso, mais tarde Jesus dirá aos discípulos: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). Para que possamos vencer o mundo como Jesus o venceu, temos que nos unir a Jesus, ou temos que ter fé nele. O mundo pode seduzir qualquer cristão, mas não tem poder de decidir sobre a vida do cristão. Quem pode decidir é o próprio cristão para aceitar ou recusar tal sedução. “Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças. Mas, com a tentação, Ele vos dará os meios de sair dela e a força para suportar” (1Cor 10,13b). Basta permanecer unido a Jesus Cristo.


Em terceiro lugar, ao dizer “não se perturbe o vosso coração, mas tendes fé em Deus e em mim também”, Jesus quer nos mostrar outra função ou outro efeito da fé é o coração sereno, coração cheio de paz. Quanto mais profunda for nossa fé em Deus, mais sereno se tornará nosso coração. Enquanto nosso coração não estiver em paz, nossa mente se tornará perturbadora para nosso cotidiano.


Hoje como em qualquer momento Jesus diz a cada um de nós: “Não perca sua calma. Acredite em Deus. Acredite em mim. Eu estou perto de você, dentro de você, em teu coração. Feche seus olhos, entre dentro de tua alma, tome minha mão, eu estou com você”. Jesus é o nosso bom companheiro que nos acompanha mesmo que estejamos rodeados pelas dificuldades. “Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”. Precisamos ouvir estas palavras permanentemente. Ao dizer isso Jesus quer nos dizer que nosso Deus não é indiferente nem frio, e sim um Deus sensível aos nossos anseios e aos nossos sofrimentos. Mas Jesus pede um ato de fé em sua pessoa, uma fé sem reserva. A paz profunda que supera toda perturbação vem da fé.


“Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”. A verdadeira fé em Deus sempre resulta em ter um coração sereno e pacífico, porque a fé é participação na vida divina, adesão a Deus como único Senhor, o apoiar-se total e exclusivamente em Deus. A fé consiste em nos alicerçamos unicamente em Deus, no seu poder infinito e no seu infinito amor. O poder de Deus e seu amor não estão sujeitos a qualquer manipulação humana. Não há outro caminho para alcançar a paz e a serenidade do coração senão o caminho do pleno abandono à vontade de Deus, isto é, ao seu amor infinito. A palavra “abandono” significa a renúncia aos planos e idéias próprios. Santa Teresa do Menino Jesus dizia: “Tem que ser como uma criança e não se preocupar com nada” (Conselhos e Lembranças). Nesta curta frase está contido todo um programa. Abandonar-se significa não se preocupar com nada, porque Deus nos ama e de tudo se ocupa. Somente quando isso acontecer, o nosso coração poderá começar a se impregnado da verdadeira paz. Não podemos nos desfazer dos perigos que geram o medo, mas é muito importante eliminar esse medo através de um ato consciente de abandono ao Senhor.


Quando São Paulo suplicou a Jesus que afastasse da sua vida uma grande dificuldade, algo que contrariava os seus planos, o Senhor respondeu-lhe: “Basta-te a Minha graça porque é na fraqueza que a Minha força se revela totalmente” (cf. 2Cor 12,9). E Santa Teresa escreveu: “A confiança e a fé se aperfeiçoam na angústia”. E Para a Santa Margarida Maria Alacoque, a grande apóstola do coração de Jesus, o Senhor disse com grande ardor: “Deixa-Me agir”. Uma abertura de nosso coração permite ao Senhor viver em nós em toda a Sua plenitude. Quando assim for, poderá Ele fazer de nós a Sua obra-prima. O abandono a Deus é a suprema forma de confiança e de apoio no Senhor.


A ausência desta fé suscita a angústia e o pavor. Quando confiarmos apenas nas nossas forças, quando contarmos apenas com as nossas capacidades, com aquilo que possuímos ou somente com as relações que mantemos com as pessoas com as quais estamos ligados, mais cedo ou mais tarde ficaremos desiludidos. A confiança total em Deus nascida da nossa fé na Sua Palavra é a única resposta adequada ao Seu insondável amor por nós.


“Para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. O caminho para o Pai é a prática do amor fraterno. Jesus é o Filho, mas os que o seguem serão também filhos, irmãos de Jesus. Para isso, os que seguem a Jesus precisam praticar o amor fraterno para fazer parte da família de Deus.


Todo homem, em sua vida, segue um caminho ou outro. Todo homem busca, em sua vida, encontrar a verdade. Todo homem deseja, que sua vida não termine para sempre. Para estes três anseios profundos do homem é que o próprio Jesus é uma resposta precisa, pois Ele próprio é o Caminho, a Verdade e a Vida. Nele e em viver a vida como Ele a viveu está a resposta para as interrogações e buscas do homem. O Caminho a seguir, a Verdade a defender, a Vida que não se perde estão ao alcance de nossa vida. Aceitar Jesus ou recusá-Lo é coisa nossa com suas consequências para nossa vida e salvação.
P. Vitus Gustama,svd



Sábado Da XXIX Semana Comum, Ano Par, 24/10/2026

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