segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Santo Agostinho De Hipona, 28 Agosto- Doutor Da Igreja- Memória

SANTO AGOSTINHO

(28/08)

Neste dia celebramos a festa de Santo Agostinho. Santo Agostinho nasceu em Tagaste (África) em 354. Depois de uma juventude conturbada, converteu-se aos 33 anos em Milão, onde foi batizado pelo bispo Ambrósio. Regressando à sua pátria e eleito bispo de Hipona, desenvolveu uma enorme atividade por meio da pregação e dos seus escritos doutrinais em defesa da fé. Ele é um dos grandes Doutores da Igreja. E é um mestre, teólogo, filósofo, moralista e apologista. Morreu em 430.

Não é fácil falar de nossos próprios defeitos e fraquezas para os outros, muito menos publicá-los. Mas acontece o contrário com o Santo Agostinho. Agostinho é um santo que não tem medo nem vergonha de falar com sinceridade e simplicidade de suas fraquezas e que os publicou como uma confissão num livro se chama “Confissões” de Santo Agostinho.  Neste livro Santo Agostinho mostra a realidade nua e crua de sua alma com sinceridade e simplicidade.

Santo Agostinho recebeu uma educação cristã de sua mãe, Santa Mônica. Mas essa educação materna e o amor à verdade, que sempre existiu na alma de Agostinho, não o livraram de cair em graves erros e de levar uma vida moral muito afastada de Deus. Mas ele confessou: “Ninguém está tão só do que aquele que vive sem Deus. O homem, para onde se dirija, sem se apoiar em Deus, só encontrará dor”. Por isso ele escreveu: “...fizeste-nos para Ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti. Dá-me, Senhor, saber e compreender qual seja o primeiro: invocar-te ou louvar-te; conhecer-te ou invocar-te. Mas, quem te invocará sem te conhecer? Por ignorá-lo, poderá invocar alguém em lugar de outro..... Quem o procura, o encontra, e tendo-o encontrado, o louvará. Que eu te busque, invocando-te; e que eu te invoque, crendo em ti: tu nos foste anunciado” (Confissões,I,1). “Quando estiver unido a ti com todo o meu ser, não mais sentirei dor ou cansaço. Minha vida será verdadeiramente vida, toda plena de ti” (X,39).

Depois de ter passado anos em busca da verdade sem encontrá-la, chegou à convicção, com a ajuda da graça que a sua mãe implorou constantemente, de que só em Cristo é que encontraria a verdade e a paz para a sua alma. Finalmente ele se converteu. Ele se lamentou porque tarde demais encontrou Deus: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora... Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Tua luz afugentou a minha cegueira. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz” (Confissões, X,27). “O céu e a terra estão gritando: “Fomos feitos por Deus”.

Tudo isso quer nos ensinar que nada e ninguém é perdido nesta vida, enquanto a nossa fé em Deus continua forte e inabalável em qualquer situação. Santa Mônica e Santo Agostinho são grandes provas de tudo isso. O senhor nunca nos nega a sua ajuda. E se tivermos a desgraça de ofendê-lo gravemente, Ele nos esperará em cada instante, como esperou durante tantos anos pelo regresso de Santo Agostinho a exemplo do filho pródigo que voltou para sua casa.

Outros conselhos de Santo Agostinho:

•        “Escuta primeiro ao que fala dentro e desde dentro, fala depois aos que estão fora” (In ps. 139).

•        “A ignorância mais refinada é a ignorância da própria ignorância” (Conf. 5,7). “Com relativa freqüência a ignorância põe máscara e capa de simplicidade” (idem 2,9). “O reconhecimento da própria ignorância é a primeira prova de inteligência” (Serm.301,4,3).

•        “Quanto mais curioso torna-se o homem por conhecer a vida alheia, tanto mais relaxado se torna para consertar a sua própria” (Conf.10,3). “Quanto menos atenção o homem presta aos seus próprios pecados, tanto mais curioso ele se torna em relação aos alheios. Não podendo desculpar-se a si mesmo, trata de salvar a pele acusando os outros” (Serm.19,2). “Amando ao próximo tu limpas os olho para ver a Deus” (In Joan.17,8). Quanto mais amas, mais alto tu sobes (In ps. 83,10)

•        Não Andes averiguando quanto tens, mas o que tu és (Serm. 23,3). Dentro do coração sou o que sou (Conf. 10,3). Conserve o que tens dentro e não terás de temer nada de fora (In ps. 35,17). O homem não se torna bom por possuir coisas boas. Ao contrário, o homem bom torna boas as coisas que possui, ao usá-las bem (Epist. 130,2,3).

•        O homem não se movimenta pelos pés, mas pelos afetos. Até os próprios pés ele move por afetos (In ps. 9,15). Quanto mais cresce teu amor, maior é tua perfeição. A perfeição da alma é o amor (In epist. Joan. 9,2). Amando o próximo limpas os olhos para ver Deus (In Joan. 17,8). Tempera tua ciência com amor e tua ciência será útil. Não por si mesma, mas pelo amor (In Joan. 18,6). O homem novo canta um cântico novo quando vive uma vida nova, a vida do amor. Cantar é sempre sinal de felicidade e coisa de amantes (Serm. 34,1,1).

P. Vitus Gustama,svd

28/08/2025-Quintaf Da XXI Semana Comum- Ano Ímpar

ESTEJAMOS VIGILANTES, POIS O SENHOR VIRÁ REPENTINAMENTE

Quinta-Feira Da XXI Semana Comum

Primeira Leitura: 1Ts 3,7-13

Irmãos,7 ficamos confortados, em meio a toda angústia e tribulação, pela notícia acerca de vossa fé. 8 Agora sentimo-nos reviver, porque vós estais firmes no Senhor. 9 Como podemos agradecer a Deus por toda a alegria que nos invade diante do nosso Deus, por causa de vós? 10 Noite e dia rezamos efusivamente para vos rever e completar o que ainda falta na vossa fé. 11 Que o próprio Deus e nosso Pai, e nosso Senhor Jesus dirijam os nossos passos até vós. 12 O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós. 13 Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos.

Evangelho: Mt 24,42-51

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 42 “Ficai atentos! porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43 Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44 Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá. 45 Qual é o empregado fiel e prudente, que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados, para lhes dar alimento na hora certa? 46 Feliz o empregado, cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar. 47 Em verdade vos digo, ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. 48 Mas, se o empregado mau pensar: ‘Meu senhor está demorando’, 49 e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; 50 então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. 51 Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes”.

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Viver Solidamente Na Fé e No Amor Na Esperança Da Segunda Vinda Do Senhor

“Noite e dia rezamos efusivamente para vos rever e completar o que ainda falta na vossa fé... O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós.... Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos”, é a oração e o desejo de São Paulo para os tessalonicenses.

Estamos no ano 51 depois de Cristo, e São Paulo está longe da comunidade cristã tessalonicense. Depois de uma evangelização tão curta (algumas semanas), São Paulo tem uma preocupação de que a fé dos tessalonicenses seja frágil e cheia de lacunas. Por causa da perseguição, São Paulo era obrigado a sair da Tessalônica antes do tempo que ele queria. Por isso, podemos entender o sentido da frase “Noite e dia rezamos efusivamente para vos rever e completar o que ainda falta na vossa fé”.

São Paulo conclui a primeira parte de sua carta aos tessalonicenses com uma oração: de ação de graças, de um desejo e de uma súplica.  Ação de graças porque através da notícia de Timoteo enviado para a Tessalônica São Paulo fica sabendo que os cristãos de Tessalônica continuam firmes na fé. Surge então o desejo de São Paulo para voltar a visitar a comunidade tessalonicense. Embora a comunidade tessalonicense se mntenham firmes na fé. E ele suplica a comunidade de Tessalonica que cresça e fique abundante no amor que é essencial para a vida cristâ. O amor vivido na convivência com os demais homens nos faz subirmos até Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Fora do amor não há salvação (cf. Mt 25,40.45). Quanto mais amamos, mais santos nos tornamos.

Em outras palavras, a oração de São Paulo se desenvolve segundo uma estrutura bem precisa: vv.10-11 fazem a alusão à fé dos tessalonicenses; o v.12 recorda sua caridade e o v.13, sua esperança (Fé Esperança e Caridade- Virtudes teologais. Cf 1Cor 13,13).

A fé e o amor sólidos assegrurarão os cristãos de Tessalônica uma santidade irreprovável. Mas a comunidade deve crescer sem cessar na esperança da Parusia do Senhor (1Ts 5,23; 1Cor 1,8).

O cristão não pode ter a fé sem o amor e nem o amor sem a esperança. Com a vivência do amor, da fé e da esperança iseparadamente, o cristão é capacitado a dar a todas as coisas um sentido novo em Jesus Cristo: o sentido ele dá à vida, à morte e à ressurreição do homem-Deus, o sentido que ele dá à vida dos homens, entre eles e o sentido que ele dá à peregrinação terrestre da humanidade.

Viver Na Permanente Vigilância Faz Parte Inseparavel De Nossa Fé No Deus Que Virá Na Sua Parusia

“Não enganes a ti mesmo. Gostes ou não, não és mais que um convidado, um transeunte, um peregrino neste mundo. Podes, pois, adoçar teu caminho; porém, por mais que queiras, não poderás converter-te em residente” (Santo Agostinho. In ps. 120,14)

O conjunto de Mt 24,1-25,46 forma o quinto Discurso de Jesus no evangelho de Mateus: o Discurso sobre o fim do mundo. Trata-se de um discurso apocalíptico-escatológico.

O termo “apocalipse” é muito longe da linguagem moderna que suscita imediatamente idéias de catástrofe, de desastre total, de comoções cósmicas aterradoras. No entanto, a linguagem apocalíptica quer expressar a fé e a esperança numa orientação divina da história humana e da criação. Os autores de apocalipses, diante do desenvolvimento de fatos inevitáveis, de catástrofes, de ruínas e de mudanças históricas, cantam sua esperança no cumprimento das promessas movidos pela fé no triunfo de Deus, aparentemente impossível, porém seguro: Deus triunfará sobre o mal. Conseqüentemente eles querem transmitir a força, o ânimo e a perseverança em seguir os mandamentos do Senhor, pois no fim a última palavra será a Palavra de Deus e não a do homem.

Na primeira parte do quinto discurso de Jesus (Mt 24,4-41), ao revelar o futuro dos discípulos, um futuro “presente”, Jesus quer ajudá-los a entender como devem viver na história a missão que lhes é confiada para pregar o Evangelho do Reino a todas as nações (24,14; 28,18-20), confiando em Sua Palavra (Mt 24,25).

O quinto discurso é chamado também de “o discurso escatológico”. “Escatologia” é o discurso sobre o que ocorrerá no fim. Quando falamos de realidades futuras e finais (escatologia), o texto assinala duas expressões: “Vinda do Senhor” e “Fim do mundo”. Quando intentamos a viver à espera do encontro com o Senhor, que terá lugar para o final da história, então dizemos que estamos dando um “sentido escatológico” para nossa existência. O mandato será: “Vigiai porque não conheceis nem o dia nem a hora”. O discurso termina falando do “encontro” com o Senhor glorioso (Mt 25,31-46).

O texto do evangelho de hoje começa com a seguinte ordem: “Ficai atentos! Porque não sabeis em que dia virá o Senhor”. Esta é a mensagem que a Palavra de Deus dirige a cada um de nós hoje. “Ficai atentos! Estejais vigilantes!”. Por um lado, é a certeza da vinda-regresso do Senhor. Por outro lado, a incerteza do “quando” desta vinda. Esse fato põe, de manifesto, a importância do tema sobre a vigilância. São João Crisóstomo dizia: “Se os homens conhecessem o momento de sua morte, eles se preparariam com grande empenho e cuidado para essa hora”. Jesus nos disse isto com parábolas que encontramos neste quinto discurso.

“Ficai atentos! Porque não sabeis em que dia virá o Senhor”. Ficai atentos! Estejam vigilantes! Velar ou vigiar, em sentido estrito, significa renunciar ao sono da noite para terminar um trabalho urgente e importante ou para não ser surpreendido pelo inimigo. Em um sentido mais simbólico significa lutar contra a negligência para estar sempre em estado de disponibilidade. É viver uma vida atenta à voz do Senhor e vigilante diante dos sinais da realidade.

Vigiar significa não distrair-se, não adormecer-se. Vigiar faz parte inseparável da própria atenção. O cristão não pode ser alienado. Ser vigilante faz parte do discipulado. Quem é vigilante nota com facilidade o que está acontecendo ao redor. A vigilância é a atitude própria do amor que vela. O amor mantém o coração alerta e a disponibilidade para ajudar. No meio de uma sociedade que parece muito contente com os valores que tem, o cristão é convidado a viver na esperança vigilante. Vigiar significa ter o olhar posto nos “bens de cima”. Vigiar é viver despertos, em tensão, mas não com angústia e sim com seriedade. O cristão precisa se esforçar por buscar sempre as “coisas do alto”, os valores que o edificam e salvam, como a fraternidade, o amor, a solidariedade, o projeto de Deus, entre “as coisas de baixo”, como egoísmo, ganância, exploração, arrogância, ódio e assim por diante. Em outras palavras, nós cristãos temos que ser protagonistas não somente da espera do Reino, mas também de sua construção desde agora neste mundo.

A vigilância perseverante nos leva a ser considerados bem-aventurados pelo Senhor quando vier: “Feliz o empregados cujo senhor o encontrar agindo assim quando voltar” (Mt 24,46). Será que o Senhor vai me considerar bem-aventurado quando ele chegar? É a pergunta que nos faz vigilantes e nos faz revermos nossas atitudes. Estou suficientemente atento e disponível para escutar os sinais, através dos quais Deus me apresenta as suas propostas?

A vigilância, para um cristão, não é opcional. O futuro de cada homem é imprevisível. A imprevisibilidade do futuro reclama vigilância. O homem prudente, sensato não considera a atitude vigilante como algo simplesmente possível, uma entre outras muitas opções. A vigilância é a melhor opção. Vigiar para ser capazes de dominar os acontecimentos, no lugar de ser dominados por eles. Vigiar para não perder jamais a paz. Vigiar para descobrir a escritura de Deus nas páginas da história. Vigiar para saber descobrir a ação do Espírito no nosso interior. Vigiar para manter íntegras a fé, a esperança e a caridade. A vigilância não é um opcional e sim uma necessidade vital. Vigiar é viver como o lavrador que semeia e está sempre pensando em ter boa colheita, e como o desportista que, desde o primeiro esforço, sonha em chegar primeiro à meta.

Um cristão não pode ser nem estar alienado. Ele deve estar em alerta constante, sempre pronto para a ação, e preparado para servir dia e noite. Servir para o cristão não é opcional, é lei constitutiva da vida cristã. O Senhor voltará com toda segurança no nosso encontro derradeiro. O discípulo não pode ficar adormecido. Ele deve permanecer alerta, sempre em tensão e em atenção. Somente assim ele assegurará a comunhão com o Senhor no gozo e no amor.

É sábio quem vive na vigilância permanente e sabe olhar para o futuro. Não é porque não saiba gozar da vida presente e cumprir suas tarefas de hoje e sim porque sabe que é peregrino nesta vida e o importante é assegurar-se sua continuidade na vida eterna. É viver com uma meta e uma esperança. Por isso, o trabalho neste mundo para o cristão é um compromisso pessoal para transformar-se a si mesmo e para transformar o mundo em que vive.    

A fé é sempre um êxodo, uma saída, o começo de um caminho até o futuro de Deus que nos traz a salvação. Quem crê está sempre de passo, vive como um estrangeiro, como um nômade. Assim viveu Abraão, inclusive na terra que Deus lhe havia prometido (Gn 17,8; 20,1; 21,23; 24,37). A “terra prometida” é o símbolo da cidade futura, da cidade que Deus constrói para os que a buscam e põem nela toda sua esperança. No campo aberto pela promessa de Deus, o homem de fé se arrisca investindo toda sua vida e gera nova vida sobre sua debilidade ou fraqueza. 

O cristianismo não está preocupado pela futurologia que se sustenta nas possibilidades humanas, nas previsões e tendências atuais para prever o futuro, e sim radicalmente pelo futuro que provem da promessa de Deus. Para Deus promessa significa certeza: “As minhas Palavras não passarão”, disse Jesus (Mc 13,31). Para Jesus o depois se inicia como algo já presente no agora. Isto que dizer que já agora temos que viver como viveremos depois, como rezamos no Pai-Nosso: “assim na terra como no céu”.

P. Vitus Gustama,svd

domingo, 24 de agosto de 2025

27/08/2025- Quartaf Da XXI Semana Comum- Ano Ímpar

VIVER COM O ORAÇÃO PURO É VIVER NA AUTENTICIDADE

Quarta-Feira Da XXI Semana Comum

Primeira Leitura: 1Ts 2,9-13

9 Irmãos, certamente ainda vos lembrais dos nossos trabalhos e fadigas. Trabalhamos dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vós. Foi assim que anunciamos o Evangelho de Deus. 10 Vós sois testemunhas, e Deus também, de quão santo, justo, irrepreensível foi o nosso proceder para convosco, os fiéis. 11 Bem sabeis que, como um pai a seus filhos, 12 nós exortamos a cada um de vós e encorajamos e insistimos, para que vos comporteis de modo digno de Deus, que vos chama ao seu reino e à sua glória. 13 Por isso agradecemos a Deus sem cessar por terdes acolhido a pregação da Palavra de Deus, não como palavra humana, mas como aquilo que de fato é: Palavra de Deus, que está produzindo efeito em vós que abraçastes a fé.

Evangelho: Mt 23, 27-32

Naquele tempo, disse Jesus: 27 “Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão! 28 Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça. 29 Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, 30 e dizeis: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas’. 31 Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32 Completai, pois, a medida de vossos pais!”

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Trabalho Que Humaniza e Santifica o Homem É Um Trabalho Evangelizador

“Irmãos, certamente ainda vos lembrais dos nossos trabalhos e fadigas. Trabalhamos dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vós”, escreveu São Paulo aos tessalonicenses que lemos na Primeira Leitura.

Nas Cartas aos Tessalonicenses São Paulo fala enfaticamente sobre a dignidade do “trabalho manual”. Ele chegou a escrever aos tessalonicenses na Segunda Carta: “Quem não quer trabalhar também não há de comer” (2Ts 3,10).

Os pagãos de cultura grega despreciavam o trabalho manual, indigno de um homem livre (trabalho servil). Para São Paulo, ao contrário, o trabalho manual era não somente um fator complementário do equilíbrio humano e sim, sobretudo, um meio de não ser peso para os demais: “Trabalhamos dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vós”.

“Trabalhamos dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vós”. Jamais podemos ser peso ou ser cruz para os outros. Muitas vezes fazemos qualquer coisa ou tomamos decisão sem pensar nas consequências devastadoras. Antes de fazer qualquer coisa, antes de tomar qualquer decisão temos que levar em conta as pessoas que nos amam e as pessoas que amamos. Quando levarmos em conta tudo isso, seremos mais prudentes e sábios. Lembre-se de que sou o outro do doutro. Não podemos esquecer a regra de ouro de Jesus em Mt 7,12. Somos chamados a ser irmãos dos outros, em vez de ser peso para eles. Para ser irmão não precisa ser de sangue. Basta ser de coração. Quando tivermos essa consciência nós nos ajudaremos mutuamente para carregar os pesos desta vida.

No trabalho de evangelização São Paulo e seus colaboradores não têm nenhum interesse econômico, isto é, não querem explorar os tessalonicenses. Eles evangelizam trabalhando. Sabemos que São Paulo era um confeccionador hábil. Ele fez lonas para tendas (Cf. At 18,3). São Paulo não tinha vergonha dos calos de suas mãos ou do dinheiro que ganhava com seus trabalhos “para satisfazer suas necessidades e as de seus companheiros” (At 20,34).

O Papa João Paulo II, logo no início de sua Carta Encíclica: Laborem Exercens, escreveu a seguinte definição sobre o trabalho: “Com a palavra trabalho é indicada toda a atividade realizada pelo mesmo homem, tanto manual como intelectual, independentemente das suas características e das circunstâncias, quer dizer toda a atividade humana que se pode e deve reconhecer como trabalho, no meio de toda aquela riqueza de atividades para as quais o homem tem capacidade e está predisposto pela própria natureza, em virtude da sua humanidade”.

O trabalho, todo trabalho é testemunho da dignidade do homem, de seu domínio sobre a criação. É ocasião de desenvolvimento da própria pessoa, e é fonte de recursos para sustentar a própria família. Com o trabalho o homem ganha seu pão de cada dia para sustentar a vida que é sagrada. Por isso, o trabalho é também sagrado.

O trabalho é vínculo de união com os demais seres humanos, e meio de contribuir para a melhoria da sociedade na qual se vive e o progresso da humanidade. Através do trabalho o homem mostra seu caráter social e entra em contato com os outros. O trabalho também é o lugar de encontro social.

Com o trabalho o homem humaniza o mundo em dois sentidos: No sentido de que o homem faz do mundo uma moradia mais habitável, hospitaleira e confortável. É também no sentido de que o mundo torna-se o reino do homem e não de outras potências e de outros seres, graças ao trabalho. O mundo é o material para trabalhar, pois no mundo o homem descobre tudo aquilo de que necessita para seu crescimento.

Através do trabalho, o homem participa da obra do Criador que continua trabalhando. “Meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho”, disse Jesus aos seus adversários (Jo 5,17).  Isto significa que através do trabalho o homem se transcende, pois o homem se esforça todos os dias para se superar e para estar com Deus que continua trabalhando pela humanidade e pelo universo.

Quando fizermos um trabalho bem feito na honestidade para o bem comum e para ajudar os outros a crescerem, estaremos fazendo um trabalho de evangelização. Nisto santificamos o trabalho. Santificar o trabalho é fazer santa a atividade humana de trabalhar. Todo o demais são consequências imediatas: da santificação da pessoa que trabalha até a santificação das estruturas do mundo dos homens. “O trabalho bane estes três grandes vícios: tédio, vício e pobreza” (Voltaire, filósofo).

Viver Com Cristo É Viver Na Autenticidade

 “Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora aparecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão”.

Mais acusações de Jesus contra a hipocrisia dos fariseus e escribas: aparecer por fora o que não é por dentro.

Antigamente, hipócrita era quem, simulando virtudes, nobres sentimentos e boas qualidades, enganava as outras pessoas no intuito de conquistar a estima delas. Um hipócrita sempre quer parecer bom. Ele refugia na simulação de possuir virtudes. Ele não se preocupa em ser bom, mas em parecer bom. “Onde não há virtude não há retidão”, dizia Santo Agostinho. “A simulação de uma virtude é sacrilégio duplo: une à malicia a falsidade”, acrescentou Santo Agostinho.

Jesus critica duramente a distância que há em nós entre o “parecer” e o “ser”; entre o que deixamos que apareça de nossa vida e o que ocultamos. Se alguém falar muito de si pode ser uma forma de se ocultar. Quem fala muito pode ser que tenha algo a esconder. “Quem não sabe julgar o que merece crédito e o que merece ser esquecido presta atenção ao que não tem importância e se esquece do essencial” (Buda). Jesus quer que tenhamos o mesmo cuidado tanto de nossa aparência como de nosso interior. A dignidade da pessoa humana não consiste em parecer bom, e sim, em ser bom. De uma pessoa de bondade só saem as coisas boas. Mas um coração não convertido nunca produz frutos bons para a convivência.

Para denunciar a hipocrisia dos mestres da Lei e dos fariseus, Jesus serve-se, no evangelho de hoje, de uma expressão forte. Ele chama os fariseus e escribas de “sepulcros caiados”: belos por fora, cheios de podridão por dentro.     

Os sepulcros, na cultura judaica, eram cuidadosamente pintados de branco, de modo a serem bem visíveis. Desta forma, evitava-se o contato das pessoas com o túmulo e, por extensão, com o cadáver nele sepultado. Se os sepulcros fossem tocados por inadvertência, impedia a pessoa de participar das atividades religiosas, pois ficou impura. É assim o formalismo: pecar sem saber. O formalismo cobre a consciência de que a pessoa está cometendo o pecado.     

Jesus compara a vida dos mestres da Lei e os fariseus a um sepulcro. Não adianta querer esconder cadáveres no porão, porque eles acabam cheirando mal. Como sepulcros caiados, eles parecem justos por fora, mas por dentro estão repletos de hipocrisia e de maldade. De que adiantam a beleza exterior e esplendor externo quando há miséria interior?        

Mas Jesus não se deixa enganar porque ele conhece o coração de cada ser humano. O olhar de Jesus é o de Deus: não fica na superfície, mas penetra profundamente, atinge o coração e vê o que está no íntimo do homem, a parte mais recôndita da alma. É iníquo quem atua contra a Lei de Deus e tem seu coração longe d’Ele.

O cristão que lê o texto do evangelho de hoje precisa voltar a ler conjuntamente Mt 6,1-6.16-18 onde Jesus disse três vezes aos seus discípulos que não vivam como hipócritas, e precisa ler novamente Mt 7,1-5 onde Jesus chama “hipócrita” o discípulo que espera dos demais o que ele mesmo não quer fazer. Isto significa que o perigo de ser como os fariseus está sempre presente na comunidade.        

Não estamos isentos do exibicionismo e da hipocrisia dos escribas e fariseus. Se cada um de nós empregar na busca do bem todo o tempo e todas as energias que desperdiça em mendigar os louvores dos outros, talvez tenha a consciência tranquila e a satisfação de ser admirado. Mas, preferindo os louvores em vez do bem, ele está convulsionando a ordem das coisas e acabará ficando com o coração vazio.         

A dignidade da pessoa humana não consiste em parecer bom/boa, e sim em ser bom/boa. O verniz encobre o mal, mas não o suprime; um sepulcro pintado de branco parecerá menos lúgubre, mas continuará um sepulcro.

Nós andamos, muitas vezes, preocupados com o que os outros pensam de nós. Mas na verdade devemos trabalhar pela pureza de nosso interior para que nossos atos e ações também sejam puros e não simplesmente para agradar ninguém. E nós mesmos também queremos, muitas vezes, que os outros se comportem como desejamos. Na verdade precisamos estar em sintonia com o querer de Jesus Cristo. Jesus quer que estejamos preocupados com a justiça, a fidelidade e a misericórdia, como ele falou no evangelho do dia anterior. 

“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, e dizeis: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas’. Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Completai, pois, a medida de vossos pais!”, assim terminou o texto do evangelho de hoje. 

Esta última acusação é o ato de ruptura de Jesus com Israel e é um olhar panorâmico sobre toda sua história, uma história de sangue e de recusa contínua de todos os enviados de Deus como se manifestou na parábola dos vinhateiros assassinados (Mt 22,1-14). Mas os contemporâneos de Jesus não se sentem responsáveis: “Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas”. No entanto, sua atuação é uma hipocrisia total, pois eles repetem o passado e enterram para sempre a voz dos profetas que se faz ouvir em Jesus e estão prontos para enterrar a voz de todos os enviados de Jesus, matando-os. Desta maneira, eles completam a obra de seus pais. Os contemporâneos de Jesus fingem ser bonzinhos, mas seu coração está cheio de maldade que se manifesta no assassinato dos enviados de Deus.

A pergunta que cada um de nós deve fazer, como mensagem do evangelho deste dia: “Será que nossa aparência de piedade é autêntica ou falsa? ”. O nosso modo de viver é que vai dar a resposta exata para esta pergunta. Porque é que você vira inimigo quando alguém fala a verdade? A mentira dói, mas a verdade liberta. É tão prazeroso viver com o coração limpo, pois podemos ter um sono sadio, a leveza para viver e para lutar diariamente. A

P. Vitus Gustama,svd

SANTA MÔNICA- MEMÓRIA, 27 De Agosto

SANTA MÔNICA

(27/08)

Celebramos hoje a festa de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho (a festa de Santo Agostinho no dia 28 de agosto). Ela nasceu em Tagaste, África, em 331, de uma família cristã. Ainda muito jovem casou-se com Patrício, legionário pagão, com quem teve três filhos: Agostinho, Navígio e uma filha (que morreu como superiora do mosteiro de Hipona, em 424).             

A vida de Mônica não foi muito tranqüila, mas terminou feliz. Em primeiro lugar, ela teve aflições pelo marido, Patrício, que era duro de caráter. Ela suportou infidelidades conjugais, sem jamais hostilizar ou demonstrar ressentimento contra o marido por causa disso. Além disso, o marido era um homem de comportamento esquentado. Mônica se mostrava calma e paciente por causa de sua vida espiritual profunda. “Depois que ele se refazia e acalmava, ela procurava o momento oportuno para mostrar-lhe como se tinha irritado sem refletir”, escreveu Santo Agostinho sobre sua mãe, Mônica, diante do marido, Patrício (Confissões, IX,19). Era assim que ela conquistava o marido.  O que tem por trás disso é a fidelidade de Mônica a Deus dia a dia. Por isso, Mônica teve a consolação de levar o marido à fonte batismal em 371, um ano antes da morte dele.             

Após a morte do marido, Patrício, Mônica se viu sozinha diante da conduta desordenada do filho Agostinho, que aos 16 anos abandonou a vida digna de um filho de Deus. Trata-se de outra aflição que Mônica tinha. Agostinho era um filho rebelde à graça de Deus, inteligente, mas indiferente. Por ele, Mônica rezou e chorou. Ela suplicou a Deus com insistência e não cansou de pedir a ajuda das pessoas sábias. Um dia ela pediu o conselho do bispo Ambrosio de Milão (festa 07/12). Dele ela recebeu esta resposta: “Vai em paz, mulher, e continua assim; não te preocupes, contenta-te com rezar por ele; é impossível que perca o filho de tantas lagrimas”. Esse pensamento se expressa na coleta da festa:

“Ó Deus, consolação dos que choram, que acolhestes, as lagrimas de Santa Mônica pela conversão de seu filho, Agostinho....”. Mônica mais uma vez alcançou a graça de ter conseguido de Deus a conversão de Agostinho. Agostinho se converteu quando tinha 33 anos de idade. Agostinho recebeu o batismo em 387.           

Mônica e Agostinho passaram juntos o verão na Itália, aguardando a partida de Mônica para a África. As últimas palavras de Mônica para Agostinho eram estas: “Meu filho, quanto a mim, não existe nada que me atraia nesta vida. Nem sei mesmo o que estou fazendo aqui, e por que ainda existo. Uma única coisa que me fazia desejar viver ainda um pouco era ver-te católico antes de eu morrer. Deus me concedeu algo mais e melhor: ver-te desprezar as alegrias terrenas e só a Ele (Deus) servir. Por isso, o que é que estou fazendo aqui?” (cf. Confissões, 25). “Maravilhados diante da coragem dessa mulher (Mônica), dádiva tua, perguntaram-lhe se não tinha medo de deixar o corpo longe de sua cidade natal. E ela respondeu: ‘Para Deus nada é longe, nem devo temer que no fim dos séculos ele reconheça o lugar onde me ressuscitará’”, recordou Santo Agostinho (Confissões, 28).

E dentro de pouco tempo ela morreu (em Óstia) antes de embarcar de volta à pátria. Era o ano de 387 e Mônica tinha 56 anos de idade. “Pelo nono dia de doença, aos cinqüenta e seis anos de idade, quando eu tinha trinta e três, essa alma fiel e piedosa libertou-se do corpo. Fechei-lhe os olhos, e uma tristeza infinita invadiu-me a alma. Estava prestes a transbordar em torrentes de lágrimas”, assim escreveu Santo Agostinho sobre a morte de sua mãe, Mônica (Confissões, 28-29).          

Agostinho ficou tão admirado pela virtude de sua mãe, Mônica, até chegou a escrever: “Não quero calar os sentimentos que me brotam na alma a respeito de tua serva, que me deu a vida temporal segundo a carne e que, pelo coração, fez-me nascer para a vida eterna”. (Confissões IX, 17). No seu livro “Confissões”, Agostinho dedicou o cap. IX para falar da virtude de sua mãe, Mônica.

São três as razões porque devemos ser perseverantes nas nossas orações: A bondade e a misericórdia de Deus;  o amor de Deus por cada um de nós; e o interesse que nos mostramos perseverantes na oração. Deus nos ama imensamente por isso acreditamos na sua bondade e na sua misericórdia que nos fazem perseverantes na nossa oração. A perseverança na oração é o princípio fundamental de toda a doutrina evangélica sobre a oração. A pessoa de fé é sempre perseverante, porque ela sabe a quem recorrer e em quem acredita, sem se importar com as circunstâncias. Aquele que crê, tem firme certeza de ser atendido, mesmo devendo esperar. A oração perseverante é expressão e o alimento da fé em Deus. Fé e oração, portanto, estão sempre intimamente unidas. Para orar é preciso crer e para crer é necessário orar. E aquele que crê não quer obrigar Deus a fazer a própria vontade, utilizá-lo para realizar seus desejos, mas para obter a graça de conformar sua vontade à vontade de Deus.                 

Creio que muitas mães de hoje, que sofrem pela mesma causa de Santa Mônica ou outras causas, vêem-se em Santo Mônica e se identificam com ela. Mônica quer dar a mensagem de esperança para todas as mães sofredoras que continuem a acreditar em Deus e permaneçam na oração serena. Deus pode tardar, mas nunca falha. É preciso aprendermos a viver ao ritmo de Deus, pois com Sua sabedoria infinita Deus dá o que nos é digno no tempo certo. É importante mantermo-nos fieis até o fim. E o próprio Jesus afirma: “E Deus, não faria justiça a seus eleitos que clamam a Ele dia e noite, mesmo que os faça esperar?” (Lc 18,7).

P. Vitus Gustama,svd

sábado, 23 de agosto de 2025

26/08/2025-Terçaf Da XXI Semana Comum- Ano Ímpar

JUSTIÇA, MISERICÓRDIA E FIDELIDADE SÃO ESSENCIAIS PARA A VIDA  E A SALVAÇÃO DO SER HUMANO

Terça-Feira da XXI Semana Comum 

Primeira Leitura: 2Ts 2,1-3a.14-17

1 No que se refere à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa união com ele, nós vos pedimos, irmãos: 2 não deixeis tão facilmente transtornar a vossa cabeça, nem vos alarmeis por causa de alguma revelação ou carta atribuída a nós, afirmando que o Dia do Senhor está próximo. 3ª Que ninguém vos engane de modo algum. 14 Deus vos chamou para que, por meio do nosso evangelho, alcanceis a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. 15 Assim, portanto, irmãos, ficai firmes e conservai firmemente as tradições que vos ensinamos, de viva voz ou por carta. 16 Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou em sua graça e nos proporcionou uma consolação eterna e feliz esperança, 17 animem os vossos corações e vos confirmem em toda boa ação e palavra.

Evangelho: Mt 23,23-26

Naquele tempo, disse Jesus: 23 Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 24 Guias cegos! Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 25 Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 26 Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo.

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Viver o Presente Com Responsabilidade Cristã

“No que se refere à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa união com ele, nós vos pedimos, irmãos: não deixeis tão facilmente transtornar a vossa cabeça, nem vos alarmeis por causa de alguma revelação ou carta atribuída a nós, afirmando que o Dia do Senhor está próximo. Que ninguém vos engane de modo algum”, é o conselho do autor da Segunda Carta aos tessalonicenses que lemos na Primeira Leitura.

A grande questão das duas Cartas de são Paulo aos Tessalonicenses é a Parusia, isto é, a vinda escatológica de Jesus, a última vinda do Senhor. O Dia do juízo é especificado: trata-se da parusia de Cristo, o “encontro” dos fiéis com Ele e o “Dia do Senhor”. O termo “parusia” significa “presença”, “vinda”. No contexto cristão o termo indica o retorno glorioso de Cristo ressuscitado ao final da história, na qualidade de juiz escatológico.

A finalidade da exortação do autor da 2Ts no texto de hoje é para equipar os Tessalonicenses perante o risco de mal-entendido sobre o momento exato deste encontro. Para o autor, o Dia do Senhor não está nada presente nem mesmo iminente. Por isso, pede-se que os Tessalonicenses não fiquem pertubados por causa disso. O autor inisiste para que ninguém se deixe enganar. A parusia não está às portas (2Ts 2,3b-12), porque antes, segundo autor, deve acontecer a “apostasia” e a manifestação do “homem da iniquidade” ou “filho da perdição”, “adversário”, “aquele que está contra tudo o que é divino e sagrado” (2Ts 2,3-4). A apostasia é a deserção (abandono) deliberada da fé e foi contada entre os pecados mais graves, porque marcava o abandono de uma realidade tão preciosa como a própria fé.

Quando o homem iníquo ou perverso for revelado, então Cristo, segundo o autor, o destruirá. Aquele será o momento verdadeiro da parusia do Senhor, que o “matará com o sopro de sua boca, destruindo-o com a manifestação de sua vinda (2Ts 2,8). Cristo na sua parusia, portanto, se apresentará como um guerreiro vitoriosos sobre os inimigos só com a força da sua Palavra e da sua Presença. Certamente, satanás vai colocar em campo todos os seus encantos sedutores, tentando imitar as ações prodigiosas de Deus e dando vazão ao seu poder (2Ts 2,9-10), mas o ápice de seu sucesso será também o início da sua ruína. Por isso, vale a pena ser fiel a Cristo seja no momento de alegria (sem problemas), seja no momento das perseguições.

Alguns cristãos tessalonicenses  estavam persuadidos da iminência do retorno de Jesus Cristo e os esperavam com tal impaciência que eram negligentes em seus deveres cotidianos. São Paulo pretende simplesmente repetir o que Jesus havia claramente proclamado: “Ninguém sabe nem o dia nem a hora... o dia do Senhor vem como um ladrão... há que estar sempre vigilantes...” (Mc 13; Mt 24; Lc 21). O “dia do Senhor”, segundo toda a tradição profética é o dia que marcará o ato final da história.

Por isso, são Paulo pede aos Tessalonicenses que “não deixeis tão facilmente transtornar a vossa cabeça, nem vos alarmeis por causa de alguma revelação ou carta atribuída a nós, afirmando que o Dia do Senhor está próximo”. Aqui parece dizer que não é iminente a última vinda do Senhor e que os Tessalonicenses não façam caso do rumores sobre visões e revelações neste sentido.

Ao longo da história sempre houve e continua havendo vários períodos em que se agitam os ânimos sobre a possível iminência do fim do mundo. Os sonhadores que anunciam o fim do mundo trazem sempre confusão, especialmente para os inocentes e simples. A orientação de são Paulo vale para qualquer cristão em qualquer lugar e época que assuma a realidade do momento presente, isto é, que faça algo com responsabilidade para o bem de todos. Quem fica pensando somente na morte é sinal de que não está vivendo bem sua vida nem leva a sério a responsabilidade como cristão. Quem fica pensando na morte, perde tempo para fazer o bem.

A vida real tem lugar aqui e agora. E o Deus em Quem acreditamos é um Deus do presente. O Deus em quem acreditamos é Aquele-que-é, e que é para mim no momento presente. Deus está presente neste momento quer seja difícil ou fácil, quer alegre ou triste (Cf. Mt 28,20). Eis porque Jesus veio para tirar de nós o peso do passado e as preocupações pelo futuro. “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. Cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6,34). Temos que aprende a viver um dia de cada vez e dar o melhor de nós para o mundo ao nosso redor. Deste modo, a vida vale a pena ser vivida.

Convem para nós olharmos para frente, pois isso nos ajuda a endireitarmos nossa rota e a motivarmos nosso trabalho de cada dia. Não tenhamos medo de praticar  bem mesmo que encontremos dificuldades ou experimentemos o cansaço. O que mais importante para nós é como vamos fazendo o caminho com consciência de o povo peregrino sem cidadania definitiva neste mundo, e como nos preparamos para o encontro derradeiro com o nosso Pai misericordioso.

Viver o Essencial e Viver Em Função Do Bem Comum

Continuamos a acompanhar os “ais” de Jesus endereçados aos dirigentes religiosos do povo (escribas e fariseus). Como foi dito no dia anterior, o capítulo 23 do Evangelho de Mateus é uma página mais dura dirigida aos escribas e fariseus, pois a hipocrisia que eles vivem afeta a vida e a salvação do povo. No texto do evangelho de hoje Jesus desmascara todos aqueles que se escondem atrás de uma fachada religiosa para enganar o povo/os outros com o seu ensinamento.

Jesus se enfrentou abertamente com as autoridades judaicas. Ele os criticava a falta de responsabilidade psobre o povo de Deus, pois só pensavam nos próprio interesses e não no bem comum. As comparações que Jesus faz põe em evidência a mentira com que os fariseus se encobrem. Aparentemente eles são homens puros, mas em seu interior somente acumulam a cobiça, a corrupção e a maldade. Os fariseus se mostram como homens extremamente cumpridores da lei, mas não lhes importa a justiça nem a fidelidade a Deus.

“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da lei como a justiça, a misericórdia e a fidelidade”, disse Jesus aos fariseus. Os fariseus (e os escribas) se preocupam em pagar os dízimos até as mínimas coisas, mas esquecem-se de observar o mais essencial. Os pontos essenciais da lei que as normas se referem ao amor ao próximo são a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Justiça indica o comportamento para o homem que compreende todo o campo da justiça social, tal como entendiam os profetas (cf. Am 5,24; Os 4,1-2, etc.). Justo é aquele que vive de acordo com os mandamentos do Senhor resumidos no amor fraterno. Daqui nasce a “misericórdia”, isto é, amar até os que não merecem ser amados (misericórdia= dar o coração aos miseráveis) que tanto se enfatiza neste evangelho: “Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9,13; cf. Mt 12,12-13). Da justiça nasce também a “fidelidade” entendida como verdadeiro cumprimento da vontade de Deus (cf. Mt 22,34-40). Jesus não despreza as mínimas coisas, mas que não se esqueça o essencial para a vida e a salvação do homem.

O que essencial no ensinamento de Jesus é amar a Deus e ao próximo. Toda a ação pastoral deve ser direcionada para essa essência. Quanto tempo gastamos para discutir os secundários, e menos tempo para o essencial! Ame! Amor. “Por este caminho não há outro caminho”, dizia Santo Agostinho.

Os cristãos receberam, no Batismo, uma das três funções: a função profética. A comunidade cristã é chamada e enviada para continuar a ação profética de Jesus. A comunidade cristã não pode guardar silêncio diante dos que usam o poder sem escrúpulo que enganam o povo com mentiras e projetos fantasiosos e promessas enganosas. Quem tem um olhar profético e permanece em Cristo percebe facilmente tudo que é falso e mentiroso, e logo toma posição contra.

“Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da lei como a justiça, a misericórdia e a fidelidade”. Os judeus eram minuciosos em algumas bagatelas e não se preocupavam com os assuntos importantes. Jesus nos recorda as grandes exigências de todos os tempos: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Justiça é reconhecer os direitos dos outros, é dar a outro o que lhe compete ou lhe pertence. Não tem como praticar a caridade sem praticar a justiça. Para praticar a caridade o homem tem que reconhecer o direito do outro. Simplesmente, podemos dizer que a justiça é dar a alguém o que é dele e dar a mim o que é meu. A caridade é dar a alguém o que é meu. Do mesmo modo podemos dizer quer não tem como pedir o perdão de Deus se não formos capazes de ser misericordiosos para com os outros. Não tem como sermos fieis, se nossa vida for contaminada pelas traições praticadas violando nossa própria dignidade e conseqüentemente a dignidade dos outros.

“Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade”. Hoje diríamos: a ajuda aos mais pobres, a defesa dos débeis e dos oprimidos, a pureza do coração, a honestidade profissional, a justiça social, respeito devido a toda pessoa, e assim por diante. Jesus quer que a fidelidade às observâncias cultuais seja o reflexo de uma fiel observância do amor aos demais durante toda a vida.

Os defeitos apresentados no evangelho de hoje não são exclusivos dos fariseus, podemos tê-los também hoje em dia. Na vida há coisas de pouca importância para as quais há que dar pouca importância. E há outras coisas muito mais transcendentes para as quais vale a pena que se preste atenção a elas. Em outras palavras temos que dar a importância para as coisas de acordo com seus valores para nossa vida e nossa salvação. Temos que saber discernir o que é importante e urgente para ser realizado e o que não é importante nem urgente. Há coisas que são importantes, mas não são urgentes para serem realizadas. É preciso a aprender a viver de acordo com a escala de valores. Para isso, temos que aprender a viver de acordo com os valores. Não podemos nivelar o valor do ouro com o da prata.

Seremos como os fariseus se reduzirmos nossa vida de fé a meros ritos exteriores sem nenhuma ligação com a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Seremos fariseus se dermos mais importância ao parecer do que ao ser, à aparência do que à transparência, ao bonzinho do que ao bom. Tudo é puro quando sai de um coração limpo. A impureza do coração afasta a pessoa da vontade de Deus. Pelo contrário, buscando-se a pureza interior, tudo o mais se torna puro. Autenticidade atrai, a falsidade afasta as pessoas. Uma pessoa simples atrai a simpatia dos outros; uma pessoa complicada afasta as outras pessoas de seu círculo.

Ao fazer qualquer coisa devemos também nos perguntar: Será que aquilo que estou fazendo é essencial? Será que aquilo que estou vivendo e praticando serve para minha edificação e para minha salvação e das pessoas com quem vivo? Não deixemos “de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade” é a mensagem forte da Palavra de Deus hoje para cada um de nós. 

P. Vitus Gustama,svd

25/08/2025-Segundaf Da XXI Semana Comum- Ano Ímpar

VIVER NA COERÊNCIA ENTRE A FÉ E A VIDA NO AMOR RECÍPROCO

Segunda-Feira da XXI Semana Comum 

Primeira Leitura: 2Ts 1,1-5.11b-12

Paulo, Silvano e Timóteo, à Igreja dos tessalonicenses reunida em Deus nosso Pai e no Senhor Jesus Cristo: 2 a vós, graça e paz da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. 3 Devemos agradecer sempre por vós, irmãos, com toda justiça, porque progredis sempre mais na fé e porque aumenta a caridade que tendes uns para com os outros. 4 Assim, nos gloriamos nas igrejas de Deus por causa da vossa perseverança e da vossa fé em todas as perseguições e sofrimentos que suportais. 5 Estes constituem um sinal do justo juízo de Deus, pois servem para serdes julgados dignos do reino de Deus, pelo qual também estais sofrendo. 11b Que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação. Que ele, por seu poder, realize todo o bem que desejais e torne ativa a vossa fé. 12 Assim o nome de nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós nele, em virtude da graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

Evangelho: Mt 23,13-22

Naquele tempo, disse Jesus: 13 “Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós fechais o Reino dos Céus aos homens. Vós porém não entrais, 14 nem deixais entrar aqueles que o desejam. 15 Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós percorreis o mar e a terra para converter alguém, e quando conseguis, o tornais merecedor do inferno, duas vezes pior do que vós. 16 Ai de vós, guias cegos! Vós dizeis: ‘Se alguém jura pelo Templo, não vale; mas, se alguém jura pelo ouro do Templo, então vale!’ 17 Insensatos e cegos! O que vale mais: o ouro ou o Templo que santifica o ouro? 18 Vós dizeis também: ‘Se alguém jura pelo altar, não vale; mas, se alguém jura pela oferta que está sobre o altar, então vale!’ 19 Cegos! O que vale mais: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? 20 Com efeito, quem jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. 21 E quem jura pelo Templo, jura por ele e por Deus que habita no Templo. 22 E quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado”.

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Viver Na Permanente Vigilância

A Primeira Leitura é tirada da Segunda Carta aos Tessalonicenses. Para muitos biblistas/exegetas a Segunda Carta aos Tessalonicenses não foi escrita por Paulo, por causa do tema do adiamento da parusia (Segunda Vinda de Cristo) e do tema da relação literária de semelhança com 1Ts. Na 1Ts a volta gloriosa de Cristo é esperada como um fato já iminente e súbito. Para 2Ts a volta gloriosa de Cristo é um futuro distante. O autor da 2Ts desaprova o entusiasmo vinculado cronologicamente à proximidade da parusia do Senhor que é enfatizado na 1Ts. Além disso, do ponto de vista literário, para os especialistas, 2Ts foi uma espécie de cópia da 1Ts, escrita pelo desejo de imitar 1Ts, pois há várias evidentes igualdades expressivas  em face de diferenças igualmente óbvias no conteúdo.

Para os especialistas 2Ts foi escrita por algum discípulo de Paulo ou por um autor desconhecido provavelmente entre os anos 80 e 90. Ou seja, 2Ts é considerada como pseudoepigrafia isto é, seu autor apelou para a autoridade de Paulo para manter as tradições autênticas relacionadas à Segunda Vinda de Cristo.

O que se enfatiza em 2Ts é que o Senhor não está para chegar  de imediato (a vinda iminente, como enfatiza em 1Ts). Com esta ênfase o autor da 2Ts resolve certas inquietudes e ansiedades provocadas pela demora da vinda do Senhor (parusia). Deste pensamento surge um conselho muito prudente: a Segunda vinda do Senhor é certa, mas o momento é incerto e por isso, é preciso seguir esperando vigilantes, porém de uma forma tranquila. Deve-se, em consequência, continuar construindo a cidade terrena: “Vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (2Ts 3,13), e não se deixar levar pela mentalidade religiosa estéril e paralisante. O autor chegou a escrever: “Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer” (2Ts 3,10).

O Dever De Ação De Graças Até Nas Perseguições

“Devemos agradecer sempre por vós, irmãos, com toda justiça, porque progredis sempre mais na fé e porque aumenta a caridade que tendes uns para com os outros”. (2Ts 1,3).

Para o autor da 2Ts expressar gratidão a Deus pelo dom da fé e do amor recíproco significa reconhecer n´Ele a fonte. O resultado da boa vontade dos fiéis é, em última análise, fruto da própria iniciativa de Deus. Este é precisamente o motivo da ação de graças, que é ainda reiterado em 2Ts 2,13.  Ou na linguagem da Primeira Carta de João: “Amamos porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19). O autor libanês, Kahlil Gibran, traduziu este pensamento com as seguintes palavras: “Quando vocês amam, não devem dizer: ‘Deus está em meu coração’, mas, em vez disso, ‘Eu estou no coração de Deus’” (veja, O Profeta).

O motivo da ação de graças se estende, de alguma forma, na capacidade de resistência dos Tessalonicenses diante das próprias perseguições e tribulações. Para o autor da 2Ts os sofrimentos das perseguições não só devem ser suportados com paciência, mas tornam-se o lugar da própria eleição de Deus.

A menção ou o tema das persguições e tribulações que afetam e afligem a vida dos justos se conecta com os temas clássicos da apocalíptica, segundo a qual eles são o sinal que atencede o momento do juízo. Os tormentos suportados pelos justos ou eleitos garantem  o curso do julgamento divino. Deus é garante da reviravolta de situação para os justos ou fiéis e receberão o consolo de Deus. E aqueles que afligem os fiéis, por sua vez, serão objeto de tormento.

A Oração Para a Glorificação Do Nome

“Que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação. Que ele, por seu poder, realize todo o bem que desejais e torne ativa a vossa fé. Assim o nome de nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós nele, em virtude da graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo (2Ts 1,11-12).

Além dos temas tratados acima, na Primeira Leitura de hoje sobressaem dois pedidos: que Deus faça os Tessalonicenses dignos da sua chamada, e que seja glorificado o nome do Senhor Jesus (da sua pessoa). Em outras palavras: o objetivo é a glorificação do “nome” de Jesus, ou seja, da sua pessoa, através das obras boas dos fiéis de Tessalônica difundem o conhecimento de Jesus e O honram. Como cristãos, toda vez que praticarmos o bem e vivermos na bondade, na justiça, na caridade, glorificaremos o nome de Jesus no mundo em que vivemos. A bondade e o bem que praticamos falam por si ao mundo de que somos de Jesus Cristo.

Somos Chamados a Viver Na Autenticidade

O capítulo 23 do Evangelho de Mateus é, sem dúvida nenhuma, uma das páginas mais duras do Novo Testamento. Quem o lê fica impressionado, sobretudo, com a linguagem dura de Jesus. Neste capítulo, o evangelista Mt inicia com uma introdução (vv.1-12) para um extenso discurso que Jesus pronuncia contra os líderes religiosos da sua época (vv.13-36) como conseqüência de um longo enfrentamento com eles (Mt 21-22). Estes ataques completam a obra dos profetas contra a falsa religiosidade. As palavras são duras porque o perigo que é denunciado é grave. E a validade da denúncia profética que ouvimos dos lábios de Jesus, neste capítulo, não perde sua atualidade, pois seu alcance é universal. O “fariseu”, a quem Jesus dirige suas palavras duras e sua denúncia, é personagem típico, representa um paradigma de comportamento oposto ao Evangelho.

Neste capitulo 23 Mt nos apresenta os chamados “ais” de Jesus contra os escribas e fariseus ou lamentações que Mateus coloca depois de Jesus ter proclamado as bem-aventuranças no Sermão da Montanha (cf. Mt 5,1-12).

“Ai de vós...!”, assim Jesus se dirige aos escribas e fariseu neste capitulo. Entre os versículos 13 a 33 do texto há sete “ais”. Nestes “AIS” Jesus denuncia a hipocrisia dos fariseus e escribas. João Batista e Jesus anunciam o Reino de Deus (Mt 3,2; 4,17), mas os letrados (escribas e fariseus) usam sua autoridade para impedir que o povo de Deus aceite a mensagem de João Batista e de Jesus, porque os próprios letrados recusam toda a mensagem dos dois (cf. Mt 11,18-19). Jesus os escribas e fariseus como “sábios e entendidos” para os quais se esconde o desígnio de Deus (cf. Mt 11,25-26). Por sua responsabilidade, os escribas e os fariseus deveriam facilitar o povo de Deus para entrar no Reino de Deus. Porém, de fato, eles estão longe da prática. Como na sociedade, muitos são chamados de Vossa Excelência, mas há poucos que têm o comportamento excelente (ética e moral).

A palavra grega “Quai” (ai de vós) é uma onomatopéia (onomatopéia é a formação de uma palavra a partir da reprodução aproximada, com os recursos de que a língua dispõe; de um som natural a ela associado: p.ex.: pum, tiquetaque, atchim, chuá-chuá, zunzum). “Quai” ou “ai de vós!” não é uma maldição e sim expressa uma profunda dor, uma indignação, uma ameaça profética. Jesus está triste e indignado com a atitude e o modo de viver incoerente dos fariseus e dos escribas e que não levam em conta a importância da pessoa humana e os valores essenciais da vida humana.

Jesus é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29). Mas quando se trata de defender um certo numero de valores essenciais Jesus se faz bastante bravo, como uma mãe ou um pai que chama atenção do filho ou da filha duramente quando este/esta não leva a sério as coisas importantes para sua vida. Por isso, há que escutá-Lo.

Chama nossa atenção de que com as pessoas normais, por humildes e pecadoras que elas sejam, Jesus não se apresenta tão duro (cf. Mt 11,25-30 etc.). Mas com os que são guias do povo ou constituídos em autoridade, a sentença de Jesus é mais severa pela falta de autenticidade e da hipocrisia desses guias ou dirigentes: ”Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Ai de vós, guias cegos!”.

Jesus critica duramente os dirigentes ou os responsáveis pela vida do povo. Nós que temos alguma responsabilidade na vida da família ou no campo da educação, da política ou da comunidade eclesial, temos maior obrigação de dar exemplo aos demais, de não levar uma vida dupla (entre o que ensinamos e o que logo fazemos), de não ser exigentes com os demais e tolerantes com nós mesmos (duas medidas para o mesmo peso), de não ser como os hipócritas que apresentam por fora uma fachada, mas por dentro uma podridão.

As acusações de Jesus são muito atuais. Por isso temos que aplicá-las para nós mesmos, pois dentro de cada um de nós pode estar escondido um pequeno ou grande fariseu. Eu preciso fazer um exame sério de consciência: Que atitudes farisaicas eu descubro em mim? Preciso responder sinceramente se eu também entro na categoria de “guias cegos e néscios”, se busco mais vaidade do que o bem de todos ou a glória de Deus, se eu matei o Espírito com uma casuística exagerada?!

Através de muitos “ais”, Jesus critica duramente a hipocrisia dos escribas e fariseus que dizem e não fazem, ensinam, mas não praticam. A hipocrisia é complexa: os mesmos hipócritas são as primeira vitimas de sua vaidade religiosa, caem na mesma armadilha de sua vanglória. Jesus critica duramente os escribas e fariseus porque não convertem os homens ao verdadeiro Deus e sim a suas próprias idéias fazendo deles fanáticos do legalismo e impedindo os homens de entrar no Reino pela mesma intransigência legalista.

A pessoa que tem a atitude de hipocrisia, simulando virtudes, nobres sentimentos e boas qualidades, engana as outras pessoas no intuito de conquistar a estima delas. O recurso ao fingimento visa obter louvores por uma virtude que ela não possui.  Ela é habilidosa em camuflar-se. Ela faz questão de parecer boa. Ao constatar sua perversidade interior, incapaz de confessá-la e corrigi-lá, ela se refugia na simulação de possuir a virtude. Ela não se preocupa em ser boa, mas em apropriar-se daqueles indícios que a fazem parecer como tal.

Uma das virtudes humanas mais apreciadas pela maioria das pessoas é, sem dúvida nenhuma, a coerência de vida. Na própria vida de Jesus podemos ver um grande exemplo de coerência humana, pois Ele atua como prega. As palavras de Jesus não ultrapassam sua atuação. Vivamos para que nossa palavra e a prática sejam niveladas. Será melhor, se tivermos mais ação do que palavra, pois as palavras movem enquanto que o exemplo arrasta (Verba movent, exempla trahunt, diz o ditado latim).

Os seguidores de Cristo são alertados a considerar tal comportamento incompatível com a sua opção. O exibicionismo e a hipocrisia devem ser combatidos com o espírito de simplicidade e humildade. Isto exigirá de todos nós cultivar uma atitude de fraternidade e igualdade. A atitude que convém ao discípulo consiste em fazer-se servidor de seu semelhante, num gesto de amor de gratuidade.

Todos nós somos chamados a ser de Cristo e a viver como Cristo. Não fechemos a porta do Reino para aqueles que não são de nossa condição social, econômica ou cultural ou que não pensam como nós. Nossas palavras não ultrapassem nossa atuação. Que seja mais ação do que pregação. Não sejamos escândalos para os outros. Ganhemos todos para Cristo e para ser novos parceiros do bem e não para que sejam de nosso grupo egoísta.

É curioso sentir o tom distinto que tem as leituras deste dia. Na primeira (2Ts 1,1-5.11-12) São Paulo dá graças pela fé dos tessalonicenses. No Evangelho (Mt 23,13-22) Jesus reprova a falta da autenticidade, e a hipocrisia dos dirigentes religiosos de Israel. Na Igreja e em cada um de nós, também há momentos, situações e atitudes que provocam as duas coisas: dar graças por tudo de bom na nossa vida. E há momentos em que precisamos parar para reconhecer nossos pecados antes que eles destruam nossa vida. Esses dois momentos nos ajudam a crescer como ser humano, como irmão dos outros e como filhos e filhas de Deus. Que bom seria recordarmos esses dois momentos todos os dias. Nosso Deus, o Deus da vida, o Deus de Jesus Cristo, o Deus Pai Nosso é glorificado quando vivemos de verdade sem medos nem mediocridades nem retaguardas e assim por diante. Um cristão vivo nesta maneira será capaz de dar vida ali onde se encontra. Somente assim se pode anunciar com verdade que temos uma Boa Notícia para dar ao mundo, porque o Filho de Deus não veio para nos julgar e sim para dar vida e a vida em abundância (cf. Jo 10,10).

Você tem seus momentos de ação de graças e momentos de reconhecer suas fraquezas na sua vida diária?

P. VitusGustama,SVD

Sexta-feira Da XXX Semana Comum, 30/10/2026

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