sexta-feira, 28 de setembro de 2012


ARCANJOS: MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL

Sábado, 29 de Setembro de 2012

Texto de Leitura: Jo 1, 47-51

 
No evangelho lido neste dia Jesus descreve Natanael como modelo de israelita: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fraude” (Jo 1,47). Natanael representa precisamente Israel eleito que conservou a fidelidade a Deus. E Jesus renova a eleição.

“Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas de baixo da figueira”, disse Jesus a Natanael. A menção da figueira alude ao Livro do profeta Oseías 9,10: “Encontrei Israel como cachos de uvas no deserto; vi os vossos pais como os primeiros frutos da figueira”.

Natanael reage com entusiasmo e diz a Jesus: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Natanael chama Jesus de “Rabi”, isto é, Mestre fiel à tradição e “Rei”, interpretado como rei de Israel, o Ungido, o prometido sucessor de Davi (Sl 2,26s; 2Sam 7,14; Sl 89,4s.27) que restaurará a grandeza do povo.

Diante da reação de Natanael Jesus disse aos discípulos: “Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1,51). A obra do Messias não se limita à eleição de Israel (figueira). Jesus faz a primeira declaração sobre si mesmo e alude à visão de Jacó em Betel (Gn 28,11-27) fazendo uma promessa (“vereis”): a comunicação permanente com Deus em Jesus (“o céu aberto”). A promessa se realizará na cruz na qual a glória ou o amor brilhará (cf. Jo 19,34).

“Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”, disse Jesus (Jo 1,51). Neste dia celebramos a festa dos Arcanjos: Miguel, Gabriel e Rafael.

Na Bíblia se evita apresentar Deus atuando em forma direta na história, pois isto ameaçaria a transcendência de Deus. Por isso, aparece um anjo (=mensageiro) que na verdade é Deus mesmo que atua na história. E a história não é somente o que se vê e se toca. Há uma dimensão transcendente, oculta e invisível da história. A revelação é um desocultamento dessa realidade, que é o fundamento de nossa esperança. Os anjos (mensageiros) são os que nos recordam e os que nos fazem visível essa dimensão transcendente. Por isso, o mundo dos anjos não é outro mundo e sim a dimensão transcendente de nossa história. Crer nos anjos significa crer na presença transcendente de Deus na história. Atrás de cada pessoa e de cada sucesso libertador há sempre um anjo, isto é, há sempre uma realidade divina transcendente.

Os Arcanjos: Miguel, Gabriel e Rafael são símbolos dessa comunicação entre Deus e os homens, um Deus que em Jesus infunde força (Gabriel significa Deus é forte), cura (Rafael significa Deus cura) e se mostra totalmente diferente (Miguel significa quem como Deus?), como Pai de todos.

 
1. São Miguel (hebraico “mikael” significa “Quem é como Deus?”).

Na bíblia ele é mencionado somente em Dn, em Epístola de Judas (Jd 9) e em Apocalipse. No AT o nome encontra-se apenas em Dn 10,13.21;12,1 onde Miguel é chamado “um dos primeiros príncipes” e “o grande príncipe” representante e defensor de Israel. Miguel é concebido como um espírito celeste que vela pelos judeus. Em Ap 12,7 Miguel é o chefe dos Anjos na batalha contra o Dragão e seus anjos. Na liturgia cristã, Miguel é o protetor da Igreja e o Anjo que acompanha as almas dos mortos ao céu.

Miguel sempre foi considerado como o Anjo que luta por nós. Ele derrota o Dragão. É corajoso lutador de Deus. Por isso, Miguel não é nenhum anjo bonitinho, e sim um Anjo de muita força. E esta força de Deus envia a cada pessoa para que não seja vencida pelos poderes deste mundo. Ao nosso lado está um anjo que luta por nós. Ele nos defende quando pessoas lutam contra nós.

 

2. Gabriel (hebraico “gabriel” significa “homem de Deus” ou “Deus é forte”).

“Gabriel” é nome próprio de um anjo, não arcanjo. Só na literatura posterior é chamado arcanjo. No AT ele aparece pela primeira vez em Dn, explicando a Daniel a visão do carneiro e do bode (Dn 8,16-26), e o sentido dos setenta anos de Jr 25,11;29,10 (Dn 9,21-27). No NT Gabriel aparece a Zacarias, anunciando-lhe o nascimento de João Batista (Lc 1,11-20). Ele chama-se a si mesmo Gabriel, que está diante da face de Deus (cf. Tb 12,15). Ele é quem leva a Boa Nova a Maria (Lc 1,26-38). A figura de Gabriel é a de embaixador de Deus.

Como aconteceu com Daniel, Gabriel nos interpreta as nossas visões. Ele nos faz compreender o que já intuímos em nosso coração. Mas precisamos compreender também o que Deus deseja operar em nós. Gabriel nos faz compreender o que Deus realiza em nós.

3. Rafael (hebraico “refael” significa “Deus cura/curou”)

Segundo o livro de Tobias (Tb 12,15) Rafael é um dos sete anjos ou arcanjos que estão diante do Senhor. Ele desempenha papel importante na história de Tobias. Rafael é o companheiro de viagem (Tb 5-6), aquele que cura (Tb 6; 11,1-15), aquele que expulsa demônios (Tb 6,15-17;8,1-13). É um dos sete anjos que oferecem as orações do povo de Deus e são admitidos na presença do Senhor (Tb 12,15). Peçamos a ele que cure nossas doenças e males que fazem ninhos em nosso coração.

Rafael não é somente o Anjo que cura as feridas nossas ou aquele que expulsa os demônios ou o companheiro, mas também é o Anjo que possibilita as relações sadias. Através de Rafael Tobias torna-se capaz de amar sua mulher sem ser morto por ela. E aprende a amar seu pai sem ser determinado por ele.

Tudo isso quer nos dizer que Deus está sempre ao nosso lado. Ele é providente para quem se abre a ele. Deus nunca abandona os seus nesta terra (Mt 28,20) desde que sejamos fiéis a Ele eternamente. E somos chamados a ser “anjos” para os outros, isto é, ser mensageiros de Deus que leva somente coisas boas (evangelizar).

P. Vitus Gustama,svd


QUEM É JESUS PARA MIM EM TODOS OS MOMENTOS DA MINHA VIDA?

Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012

 
Texto de Leitura: Lc 9,18-22

 
“Para ser um bom orador é necessário ser um bom orante” (Santo Agostinho. De doc. christ. 4,15,32)

O evangelista Lucas volta ao tema do evangelho do dia anterior sobre a identidade de Jesus (cf. Lc 9,7-9). No texto do evangelho do dia anterior o interessado por saber quem era Jesus foi Herodes Antipas, filho do rei Herodes, o Grande. No texto do evangelho de hoje é o próprio Jesus quem dirige a pergunta a seus discípulos. Quem é Jesus para as pessoas em geral e quem é Jesus para os próprios discípulos?

A resposta do povo é múltipla: Elias, João Batista, um profeta que ressuscitou. Segundo os discípulos Jesus é o Messias. “Messias” é palavra hebraica que é em grego “Christos” que significa “Ungido”. Jesus é o Ungido de Deus, ou seja, Aquele sobre quem Deus derramou seu Espírito, ungindo-o com Sua força para que leve a cabo uma missão.

Mas que tipo de Messias Jesus é? Estamos aqui no centro da fé: crer em um Messias que será crucificado. A cruz de Jesus não é um incidente e sim uma conseqüência. A presença de Deus se manifesta no caminho da cruz, isto é, na entrega de si mesmo, na recusa de toda imposição, no amor que aceita ser contradito e aparentemente derrotado: “É necessário o Filho do Homem sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, no terceiro dia, ressuscitar”.

Mas a cruz de Jesus é saborosa, pois trata-se de uma vida vivida até o fim por amor aos homens (cf. Jo 3,16). Por isso, na sua cruz vemos com clareza o amor de Deus por cada um de nós. Deus encarnado é capaz de tudo, até o impossível, pois cada um tem um valor incalculável diante de Deus. Por você e por mim Deus se encarnou em Jesus e por amor a nós todos aceitou ser crucificado (cf. Mt 8,17; Jo 3,16). O caminho do amor é o caminho que nos leva à salvação. Por este caminho não há outro caminho para chegar até Deus que é  Amor por excelência (1Jo 4,8.16).

O amor transforma tudo. Com amor levamos a carga sem carga, pois o amor torna tudo leve. O amor faz doce e saboroso o que é amargo. O amor nobre de Jesus nos impulsiona a desejar sempre o mais perfeito e a fazer o bem para todos. O amor não é detido por qualquer coisa deste mundo. O amor quer ser livre. Não há nada que seja mais doce, mais forte, mais alto, mais alegre, mais humano e mais divino do que o amor, pois o amor nasce de Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). O amor sempre vela, e dormindo não se dorme; fatigado, não se cansa; angustiado, não se angustia; espantado, não se espanta; é forte na sua fraqueza.

A pergunta de Jesus é repetida para nós em todos os momentos: “Quem é Jesus para nós?”. Não se trata de uma pergunta supérflua. É claro que “sabemos” já quem é Jesus. Não somente cremos em Jesus como o Filho de Deus e Salvador da humanidade, mas queremos segui-Lo com fidelidade na vida de cada dia. Mas temos que refrescar ou renovar com freqüência esta convicção, pensando se realmente nossa vida está orientada para Ele, se nossas opções de cada dia estão de acordo com seus critérios. Quem é Jesus para mim agora, nesta etapa concreta da vida que estou vivendo? Não podemos responder a esta pergunta com palavras magistrais nascidas do estudo. Nossa resposta deve ser muito simples, nascida da vida de cada dia com o próprio Senhor.

O segundo ponto que Lucas quer nos transmitir através do texto do evangelho de hoje é a importância da oração. Lucas nos mostra Cristo em oração toda vez que ele toma uma decisão importante ou quando se compromete em uma etapa de sua missão (Lc 3,21; 6,12; 9,29; 11,1; 22,31-39). Lucas é o único evangelista que menciona a oração de Cristo antes de obter a profissão de fé nos seus e de anunciar-lhes sua Paixão. Assim cabe pensar, como em cada uma das demais circunstâncias mencionadas por Lucas, que Jesus reza pelo cumprimento de sua missão cujos contornos ele não vê mais que na obscuridade. Através da oração vemos a realidade de sua humanidade.

Se a oração de Jesus demonstra a realidade de sua humanidade, não deixa de ser um sinal de sua divindade. Que Jesus pode reunir em sua oração a profundidade de sua pessoa, onde se estabelece sua vocação como o Ungido de Deus, é o indício de que dispõe do Espírito do Pai. Com feito, a oração não é um discurso que se dirige a Deus como um objeto. Tem Deus por sujeito que conhece a profundidade de nosso ser. Não podemos alcançar esta profundidade sem a ajuda do Santo Espírito (cf. Rm 8,26-27). Do ponto de vista humano podemos dizer que somente aquele que reza profundamente é que reconhece os próprios limites e fraquezas, pois diante de Deus tudo fica iluminado. A história de nossa oração é a história de nossa vida, pois na oração contamos para Deus tudo o que acontece na nossa vida embora Ele saiba de tudo. Erraremos o caminho se pararmos de orar, pois Deus é a Luz de nossa vida (Jo 8,12).

P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 21 de setembro de 2012


   QUEM MORRE POR TODOS É O SENHOR DE TODOS


XXV DOMINGO DO ANO LITÚRGICO B
23 de Setembro de 2012
 

                                                         Texto: Mc 9,30-37

 

             Este texto faz parte de uma seção chamada: “O caminho de Jesus e dos discípulos”(8,22-10,52). Este conjunto começa com a cura do cego(8,22-26) e termina com a cura de outro cego(10,46-52). Com isso Marcos quer nos mostrar que os discípulos continuam a não compreender a identidade de Jesus e sua missão. Através desta seção central do seu Evangelho Marcos trabalha com grande habilidade para apresentar o verdadeiro Cristo aos fiéis da sua comunidade para que eles possam saber como eles devem se comportar como verdadeiros seguidores de Cristo. No início e no fim desta seção, Marcos coloca o tema de fé como dom de Deus. A fé faz ver claramente quem é Jesus. Mas a visão clara que se tem de Jesus não vem de uma só vez. Com a ajuda do próprio Jesus, veremos mais claro e com maior nitidez quem Ele é. A fé também faz ver o caminho que Jesus trilhou e que devemos trilhar. Assim a seção começa e termina com a cura de um cego(8,22-26; 10,46-52). E essas duas curas têm uma função simbólica: para mostrar a cegueira dos discípulos. Elas também lembram o leitor de que é Jesus quem faz possível a fé daqueles que acreditam nele e O seguem no Seu caminho.

 
1. Poder e Autoridade
           “Pelo caminho os discípulos discutiam quem era o maior entre eles”(cf. v. 34). Trata-se de uma discussão sobre o poder e não sobre quem tem a autoridade e liderança.
           A partir da concepção de Max Weber, James C. Hunter(um escritor americano) define o poder como a faculdade que uma pessoa tem, por causa de sua posição ou força, de forçar ou coagir os outros a fazerem sua vontade mesmo que eles preferissem não fazê-lo(veja: O Monge e o Executivo: Uma história sobre a essência da liderança; e  Como Se Tornar Um Líder Servidor,  os dois livros da editora Sextante). Os “funcionários”/súditos fazem tudo porque o “patrão” mandou que o fizessem para não serem despedidos. Os outros fazem funcionar simplesmente a vontade de quem tem o poder. Quem tem o poder geralmente impõe aos outros suas decisões, muitas vezes através dos meios injustos como opressão, repreensão, tortura, ameaça, execução etc.. O poder não respeita a liberdade humana, por isso ele não faz que os homens se tornem bons.  O poder obriga e impõe o silêncio. Quem tem poder geralmente não se preocupa com a ética.
           O contrário do poder é a autoridade. O mesmo James C. Hunter define a autoridade como a habilidade que uma pessoa tem de levar os outros a fazerem de boa vontade o que ela quer por causa de sua influência pessoal. Por causa de sua habilidade um líder acaba convencendo os outros a fazerem determinada coisa mais por causa deles do que do líder. Em outras palavras, uma pessoa que tem a autoridade diz para os outros: “Farei isso por você”. Quem tem a autoridade tem liderança. “Liderar significa conquistar as pessoas por meio de caráter, envolvê-las de forma que coloquem seu coração, mente, espírito, criatividade e excelência a serviço de um objetivo”(J.C. Hunter). Quem tem autoridade geralmente tem responsabilidade mora e ética. Autoridade e responsabilidade são inseparáveis.
 
2. Comunidade cristã e Serviço
           “Quem quer ser o primeiro que seja o último de todos e servidor de todos” é o recado de Jesus para todos os que querem segui-Lo.
           A palavra chave na exortação de Jesus é “serviço”. O caminho de serviço aos demais se concretiza através do sacrifício da própria vida para que todos possam viver. Ao contrário, o caminho do poder não deixa os outros viverem porque quem tem o poder se preocupa somente com os próprios interesse.
           O caminho de Jesus é o caminho do serviço, pois ele sacrifica a própria vida pela salvação de todos: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”(Jo 10,10), e “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos”(Jo 15,13), diz Jesus. Jesus vive uma vida de amor e de serviço. Para Jesus a maior honra é medida pelo maior serviço e sacrifício pelo bem de todos. E quem morrer por todos será chamado de Senhor e será o Senhor de todos. Por esta razão Jesus é o Senhor de todos nós.
           Por essa razão, para os cristãos está bem claro que a autoridade não pode exercer-se legitimamente como poder, mas como serviço. Por isso, um dos vícios fundamentais que incapacitam para o exercício da autoridade é o vício de querer mandar e impor a própria vontade. Quem tem a tendência de querer mandar e impor não é apto para o exercício da autoridade. Mas os que estão capacitados e têm vontade firme de servir para o bem comum são aptos para exercer a autoridade. A autoridade é o autêntico serviço para a comunidade.
           Isto quer dizer também que na comunidade cristã, quem ocupa o primeiro lugar deve prescindir de todos os sinais de grandeza. Na comunidade cristã não há grau de importância, há somente iguais que exercem as funções diferentes. A comunidade cristã é o lugar onde cada um celebra a própria grandeza através da prestação de serviço, de acordo com os dons recebidos de Deus, aos irmãos, especialmente aos necessitados para o bem do Reino de Deus. A importância do lugar que cada um ocupa está em ocupá-lo bem a fim de que os outros possam crescer por meio dos próprios dons.
           Muitas vezes temos dificuldade de compreender o caminho de Jesus porque a ambição e a vontade de querer ocupara o primeiro lugar a fim de mandar mais nos outros estão enraizados em nós.
           Por isso, em cada Eucaristia da qual participamos somos convidados a renovar os nossos compromissos como verdadeiros seguidores de Cristo. Celebrar a Eucaristia é celebrar a fé. E a fé é uma amizade, uma celebração pessoal, uma confiança e por isso, é uma vivência, uma experiência, e não é um costume social, ou uma rotina por preceito nem um ativismo tradicional ou de uma soma de ritos ou de atos semimágicos. Numa relação pessoal, o mais importante é uma pessoa, um Alguém com quem convivemos, com quem entrelaçamos nossa vida, um Alguém com quem contamos, a Quem consultamos em qualquer momento antes de tomarmos qualquer decisão, um Alguém cujas idéias devem influenciar e informam nossas idéias, e, portanto, nossa vida, um Alguém cuja vida é um modelo a seguir e imitar. Esse Alguém é Jesus Cristo. Por isso, a fé é algo muito mais profundo, mais sério e mais vital do que imaginamos.
           Portanto, precisamos estar conscientes sempre de que toda vez que comungamos em cada Eucaristia, comemos “o Corpo do Senhor entregue por” e bebemos “o Seu Sangue derramado por”. Isto significa que a vida de Jesus deve ser a nossa vida e a sua missão deve ser a nossa missão. Aqueles que assumem e interiorizam as propostas de Deus e se deixam conduzir por elas são aqueles que vivem de acordo com a Sabedoria de Deus, uma sabedoria que leva o homem ao encontro da verdadeira felicidade, da verdadeira realização, da vida plena. Aquele que vive segundo a sabedoria do mundo fecha-se no próprio orgulho e na própria auto-suficiência que somente o leva a uma felicidade fictícia. Hoje está alegre e amanha estará na solidão de uma vida sem sentido. Você decide!!!
 
P. Vitus Gustama,svd

           O VERDADEIRO JESUS EM QUEM ACREDITAMOS
 
XXIV DOMINGO DO ANO LITÚRGICO B
 
16 de Setembro de 2012

 Texto: Mc 8,27-35

           Sabemos que o Evangelho de Marcos foi escrito para responder à pergunta: Quem é Jesus? E, ao mesmo tempo, para mostrar o caminho de Jesus, que devemos seguir se quisermos ser seus discípulos. A identidade de um cristão se define a partir da vivência dos ensinamentos de Cristo. Através de várias afirmações no Evangelho de hoje Mc quer nos apresentar o verdadeiro Jesus. Essas afirmações sobre Jesus nos levam a verificarmos nossos conceitos sobre Jesus e nosso modo de viver se realmente conhecemos o verdadeiro Jesus.

 

1. Renúncia E Rompimento

           “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo”. “Renunciar” quer dizer quebrar uma fidelidade precedente. Neste sentido, se alguém quer realmente seguir a Jesus, ele deve romper a fidelidade a si mesmo dirigindo-a para Jesus. Conseqüentemente, o seguidor não centra suas atenções em si mesmo, mas em Jesus. Renunciar a si mesmo significa abandonar o egoísmo e a auto-suficiência para transforma a vida em um dom generoso para Deus e para os outros. Por isso, renunciar a si mesmo não é uma atitude passiva, mas a espiritualidade que nos leva ao dinamismo da construção de nova relações dentro das quais não há lugar para os instintos egoístas. É um verdadeiro e profundo rompimento. O verdadeiro rompimento acontece não quando procuramos Deus, mas quando O encontramos. Em outras palavras podemos dizer que quando realmente encontrarmos Deus a quem buscamos, na nossa vida vai acontecer um profundo rompimento ou uma série de mudanças na nossa maneira de viver. Todos os nossos critérios de julgamento das coisas têm como referência os critérios de Jesus Cristo. Ao encontrar Deus que se revela em Jesus Cristo, um cristão faz uma passagem da confiança em si para a confiança no amor de Deus. A renúncia de tudo é o sinal de que encontramos Deus.

 

2. Passagem Do Deus Dos Milagres Ao Deus Crucificado Por Amor E Solidariedade

           Mc gosta de contradições sobre Jesus. Por um lado, Mc apresenta Jesus cujos gestos e palavras estão cheias do poder de Deus através dos milagres operados. Por outro lado, ele apresenta Jesus da debilidade na cruz. Todos os milagres terminam na cruz: “Se alguém quer me seguir, tome sua cruz e siga-me”.  Jesus curou os outros, mas ele não se salva a si mesmo. Poder e fraqueza são os dois lados do mistério de Jesus: os milagres mostram que em Jesus se opera o poder de Deus, e a cruz mostra que o poder de Deus está no amor e na doação de si mesmo. Amor e doação são milagres dos milagres. Tomar a cruz, neste sentido, significa gastar a vida de forma total e completa por amor a Deus para que os irmãos vivam e sejam felizes. Por isso, para Mc o verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que reconhece Jesus não somente nos milagres que ele opera, mas principalmente na persistência e na vivência do amor e da solidariedade mais radical. O verdadeiro cristão é aquele que fica persistente no amor e na solidariedade até a morte, pois o modo de viver de um cristão é norteado pelo modo de viver de Cristo.

 

3. Lógica Dos Homens Diante Da Lógica De Deus

           Mc também apresenta duas lógicas que são contrárias: a lógica dos homens representada pelo modo de pensar de Pedro e a lógica de Deus em Jesus Cristo. A lógica dos homens se baseia sobre o poder, o triunfo e o domínio. A partir dessa lógica pensa-se que a vida somente terá sentido, se o homem tiver bastante dinheiro abundantemente, se for vencedor na vida mesmo que através dos meios ilícitos como humilhar os outros, se tiver fama para ser idolatrado e assim por diante. A lógica de Jesus, o Deus encarnado, se baseia sobre a entrega da vida a Deus e aos irmãos, especialmente aos mais necessitados. Para Jesus e para quem quer acreditar em Jesus a vida somente terá sentido quando assumirmos e vivermos os valores do Reino como o amor, a partilha, o serviço, a solidariedade, a humildade, simplicidade e outros semelhantes valores.  Por isso, Jesus não aceita que nada nem ninguém O afastem do caminho do dom da vida. Para ele, dar ouvidos à lógica do mundo é uma tentação diabólica contra o plano de Deus que ele rejeita duramente. Ele chamou Pedro de Satanás por ter tentado ouvir a voz do mundo. Jesus pede a Pedro e outros discípulos que olhem para Jesus com os olhos da fé, pois Jesus é o Messias que quer amar os homens através do dom total de sua vida até o fim. Somente mais tarde Pedro fará a experiência de renúncia de si próprio a fim de conhecer a verdadeira Vida.

           As duas lógicas colocam cada um que se diz cristão diante da verdade se realmente está com Jesus ou está contra Jesus. Ao viver a lógica do mundo eu revelo a todos que não conheço ainda Jesus que o evangelho me apresenta. Ser cristão é muito mais do que ser batizado, de ter casado na igreja, de receber a catequese para poder fazer a primeira comunhão ou a crisma. Ser cristão é essencialmente seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida. Ser cristão é gestar Jesus no coração para dá-Lo aos irmãos.  Ser cristão é aquele que faz de Jesus a referência fundamental de tudo nesta vida.

           Para cada um conhecer Jesus Cristo verdadeiramente, não perca seu tempo discutindo se ele fez ou não tal milagre, se ele ressuscitou ou não, mas comece a viver de acordo com sua mensagem. Jesus pregou o amor e foi gratuitamente odiado. Quer pregar o amor? Então esteja preparado também para ser admirado e odiado. Mas o amor jamais morre, pois ele é eterno. Jesus pregou a verdade, e foi abertamente rechaçado. Ao pregar a verdade, esteja preparado para encarar a mentira. Jesus pregou a justiça e foi condenado injustamente. Se você quiser pregar a justiça, esteja preparado para ser condenado como Jesus. Jesus pregou a liberdade, e foi violentamente aprisionado. Ao pregarmos a liberdade encontramos a prisão que os prisioneiros do mundo preparam para seus adversários. O pior inimigo de sua liberdade não é o autoritarismo dos outros, mas seu próprio medo de ser livre. Deus é tão livre, que não pode deixar de amar. Jesus pregou a bondade e foi cruelmente torturado. Jesus pregou a vida e os seus adversários O mataram. E Jesus nos relembra de que o verdadeiro “discípulo não está acima do mestre”(Mt 10,24).

          Portanto, procurar o rosto do Senhor e procurar conhecer Jesus Cristo significa deixar-se perturbar, sair das certezas tranqüilas dos equilíbrios que não comprometem. A fé é envolvimento, espírito e coração vibrando fortemente na tentativa de uma resposta à interrogação de Cristo que compromete a vida. Quando saímos rumo a uma vida nova de acordo com as mensagens de Cristo, Deus estará conosco até na tristeza e na dor dos fracassos e da incompreensão.

           Mas a pergunta continua em aberta esperando a sua resposta: Você conhece realmente Jesus ou apenas na imaginação? Quais são provas de que você conhece Jesus? Na vida não se pode ser neutro e permanecer em cima de um muro: ou você se compromete com o bem ou acaba comprometido com o mal.      
 
P.Vitus Gustama,svd                         

 

Sábado Da XXIX Semana Comum, Ano Par, 24/10/2026

CONVERTER-SE PERMANENTEMENTE PARA PRODUZIR CONSTANTEMENTE OS FRUTOS DE AMOR NO CORPO DE CRISTO QUE É A IGREJA Sábado da XXIX Semana Comum ...