quinta-feira, 30 de abril de 2020

Domingo,03/05/2020

Eu sou a porta das ovelhas | 32. “Disse Jesus: Eu sou a porta das ...Chúa Giêsu (com imagens) | Jesus o bom pastor, Imagens religiosas ...Reflexão do Pastor (13/05) – Padre João Alves – Paróquia Coração ...
JESUS É A PORTA DAS OVELHAS APELA QUAL DEVEMOS ENTRAR E A QUEM DEVEMOS NOS CONVERTER
IV DOMINGO DA PÁSCOA “A”


I Leitura: At 2,14a.36-41
No dia de Pentecostes, 14ª Pedro, de pé, no meio dos Onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: 36 “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. 37Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, o que devemos fazer?” 38Pedro respondeu: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. 39Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”. 40Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho, e os exortava, dizendo: “Salvai-vos dessa gente corrompida!” 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles.


II Leitura: 1Pd 2,20b-25
Caríssimos: 20b Se suportais com paciência aquilo que sofreis por terdes feito o bem, isto vos torna agradáveis diante de Deus. 21 De fato, para isto fostes chamados. Também Cristo sofreu por vós deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos. 22 Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. 23 Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. 24 Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas fostes curados. 25 Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas.


Evangelho: Jo 10,1-10
Naquele tempo, disse Jesus: 1“Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. 6Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 7Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9 Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10 O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.
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Neste Quarto Domingo da Páscoa, a Igreja nos apresenta a figura inefável de Cristo, Bom Pastor, que nos leva ao Pai, que dá sua vida por nós, que nos alimenta com Sua Palavra, Seu Corpo e Seu Sangue, que nos defende do lobo voraz do demônio e de suas sequelas. O próprio Cristo, como Bom Pastor, é o único que tem o poder de nos reunir no redil do Pai. Ele é sempre a única Porta da Salvação.


A Bíblia descreve o pastor como o homem armado com uma coragem extraordinária. O homem com uma ousadia que não foge dos maus momentos físicos ou morais. É como personificação de uma vontade determinada, astuta e prudente. É por isso que o simbolismo do pastor foi aplicado às personalidades mais destacadas: o rei, o profeta, o Messias, o próprio Deus. Em nossa linguagem mais atual traduziríamos esse símbolo falando do condutor dos homens, do guia, do líder, mesmo com todas as limitações que esses termos têm em relação ao Evangelho. Mas o ser líder tem um perigo: o perigo de apoiar a liderança na manipulação do outro, na imposição de critérios próprios; na anulação da personalidade do outro, em converter o outro em um robô, em uma máquina em nosso serviço mais ou menos interessado.


No texto deste domingo não se menciona Jesus como o Bom Pastor diretamente, somente a partir do v.11. No evangelho deste domingo acentua-se outro aspecto desse bom pastor. E o discurso de Jesus sobre a porta das ovelhas e o Bom Pastor se apresenta como continuação lógica da perícope imediatamente anterior, sobre o cego de nascença (Jo 9).


Como o pano de fundo de Jo 10 é necessário ler dois textos do AT: Ez 34,1ss e Jr 23,1ss. Nestes textos fala-se da denúncia profética contra os maus pastores. Os maus pastores são denunciados por estarem mais preocupados em se alimentar do que em fornecer alimento para as ovelhas confiadas ao seu cuidado (cf. Jo 21,15-17: Apascenta as minhas ovelhas); em cuidar da própria vida do que a vida do rebanho. Em vez de tomar conta das ovelhas, eles se omitiram, e sacrificavam as mais gordas para se deliciar da sua carne e se vestir com sua lã. Os maus pastores estão preocupados com o seu conforto, com o seu bem estar, em salvar a situação pessoal e familiar, e deixam o restante se perder.


E os pastores de hoje (sacerdotes/padres, religiosos, pastores, líderes das comunidades), são melhores dos antigos ou se tornaram ovelhas perdidas, em vez de serem pastores/líderes de confiança?


O uso metafórico do substantivo “pastor” (poimén em grego) aparece 14 vezes no NT (Mt 9,36;25,32;26,31; Mc 6,34;14,27; Jo 10,2.11.12.14.16;Ef 4,11;Hb 13,20;1Pd 2,25). Lucas nunca usa o termo “pastor” em sentido figurado, mas só em sentido próprio (cf. Lc 2,8.15.20). Também na parábola da ovelha perdida (Lc 15,4-6) ele não chama o protagonista de “poimén”, “pastor”, como o faz Mt, mas simplesmente de “ánthropos”, “homem”.


No evangelho de João, a palavra “pastor” faz parte do vocabulário da auto-revelação do Messias; ela é precedida da afirmação “egó eimí”, “Eu sou” (Em Jo, sete vezes, Jesus toma a palavra para autoproclamar: 6,35: Eu sou o pão da vida; 8,12: Eu sou a luz do mundo; 10,7: Eu sou a porta; 10,11: Eu sou o bom pastor; 11,25: Eu sou a ressurreição e a vida; 14,6: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; 15,1: Eu sou a videira verdadeira).


O pastor de Jo 10 assume o comportamento do guia: conduzir para fora, levar para fora, caminhar adiante (v.4) e os aspectos de providência e salvação: quem entra pela porta, que é Jesus (v.9) será salvo, pois ele veio para que as suas ovelhas “tenham a vida em abundância” (v.10).


O discurso sobre a porta das ovelhas e o bom pastor contém uma Cristologia rica, porque nesta perícope Jesus revela alguns aspectos de sua função e de sua personalidade; trata-se de um discurso revelador, semelhantes aos outros, como foram ditos acima nas sete autoproclamações de Jesus.


Jesus começa seu discurso usando uma linguagem bastante enigmática (10,1s), a qual no contexto imediatamente anterior tem significado bem preciso. Os fariseus e os judeus (os guias do povo) processaram o cego curado e o condenaram (foi expulso da comunidade) por causa de sua fé no Messias. Eles pretendiam ver sem a luz de Cristo e se consideravam os verdadeiros mestres de Israel (Jo 9,24.34.40s). Jesus declara que os fariseus e todos os que querem exercer funções pastorais no povo de Deus, sem passar pela porta do redil das ovelhas, porta que Jesus é, não podem ser pastores autênticos, e sim ladrões e assaltantes. Os que querem apascentar, governar ou ensinar seus irmãos não podem ignorar o Filho de Deus, que é a porta de entrada no recinto das ovelhas, isto é, o mediador entre o Senhor e o seu povo (cf. 1Tm 2,5; Hb 8,6;9,15;12,24). Se ignorarem Cristo, eles não poderão ser verdadeiros pastores da humanidade; eles não terão condições para conduzir os homens às pastagens da vida e da liberdade; apenas provocarão danos, farão grande mal e se comportarão como ladrões e assaltantes.


Jesus É a Porta De Salvação Para Nós


Na continuação do discurso, Jesus se identifica explicitamente com a porta das ovelhas: “Em verdade, em verdade eu vos digo, eu sou a porta das ovelhas” (v.7). A PORTA sugere a ideia da passagem, do limiar entre o conhecido e o desconhecido, o aquém e o além, a luz e as trevas, a privação e o tesouro. Ela se abre para um mistério; ao mesmo tempo leva psicologicamente para a ação: uma porta sempre convida a ultrapassá-la para sair através dela ou para se proteger. Neste sentido, a porta significa como barreira/segurança e proteção (observe bem as portas das casas do mundo moderno: fortes com um intuito de dificultar a entrada de ladrões/assaltantes). Era na porta da cidade que recebiam os que chegavam e se despediam os que partiam. Por isso, a porta era o símbolo de acolhimento ou carinho.


Quando Jesus declara que é a porta das ovelhas, evidentemente esta expressão tem significado funcional enquanto indica a missão salvífica de Cristo, a mediação universal para a vida e para a revelação divina. Jesus, ao proclamar-se a porta das ovelhas, apresenta-se como o lugar no qual encontra a vida e a salvação. Em Jo 10,9 Jesus esclarece que para sermos salvos e termos a vida em abundância devemos passar pela porta, que é a sua pessoa divina; o escopo da sua vinda ao mundo é o dom da vida e salvação plena(v.10). “Eu sou a porta”, Jesus está nos dizendo que somente por ele entramos na cidade de Deus, e somente nele encontramos o abrigo, a segurança e a proteção (cf. Mt 11,28). Ele nos acolhe cada vez que recorrermos a ele: “...quem vem a mim eu não o rejeitarei” (Jo 6,37).


Essa doutrina cristológica contém mensagem de importância excepcional para nossa vida de fé e nossa missão de guia ou pastores. Jesus Cristo é o mediador perfeito em sentido descendente e ascendente; na direção vertical e horizontal. O Pai comunica a revelação de sua vida de amor ao homem por meio de seu Filho (cf. Jo 1,17s); a salvação é dada ao homem somente por meio do Filho unigênito (Jo 3,14ss); a vida divina foi trazida ao mundo por meio de Jesus (Jo 14,6). E o homem pode subir até Deus unicamente por meio do seu Filho, que é a vida (Jo 14,2-6); a vida de comunhão com o Pai só é possível através de Jesus Cristo. Enfim, o homem pode exercer função pastoril e salvífica somente se comungar com eles por meio de Cristo, a única porta do redil de Deus (Jo 10,7ss).


A mensagem desta doutrina é dirigida tanto para todos os cristãos em geral como, particularmente, para os que exercem uma função de guia no seio da comunidade. Para ser instrumento de vida e salvação para os irmãos e irmãs, é necessário estar em contato íntimo e vital com aquele que é a salvação personificada: o Senhor Jesus. Para a função pastoral ser exercida com fruto, torna-se indispensável uma comunhão profunda com Cristo, o pastor supremo do rebanho de Deus; exige-se amor forte e concreto à sua pessoa.


O Amor Do Senhor Por Nós É Um Amor De Ternura


Um outro aspecto do discurso é o de ternura ou afetividade: “...as ovelhas escutam a sua voz porque conhecem a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora”. Na nossa vida facilmente desvalorizamos a dimensão afetiva. Dedicamos muito mais atenção à dimensão do fazer, do produzir, do ter, esquecendo-nos das outras dimensões ligadas às afetivas. Isto pode acontecer dentro de família, pois cada um acaba correndo atrás de seus compromissos, descuidando de cultivar os relacionamentos afetivos entre as pessoas. Podemos imaginar as consequências depois.


Aparece no Evangelho de hoje a figura de Jesus Cristo, numa atitude de ternura com as ovelhas. Ternura é amor respeitoso, delicado, concreto, atento e alegre. Ela é amor sensível, aberto à reciprocidade, não ávido, ganancioso, pretensioso, possessivo, mas forte na sua fraqueza, eficaz e vitorioso, desarmado e desarmante. 


Jesus, como o bom Pastor, conhece as ovelhas e as chama pelo nome. Tudo isto é a expressão da ternura. Porque o verbo “conhecer” no vocabulário bíblico não se refere a um mero conhecimento intelectual. Ele exprime muito mais a relação de amor. Portanto, quando Jesus fala que conhece as suas ovelhas, quer dizer que tem para com elas uma relação de amor profundo. O mesmo amor que o une ao Pai, Jesus exprime também para com todos nós, suas ovelhas: um amor fiel, eterno, indestrutível. Em Jesus, cada um de nós torna-se participante da filiação divina e é amado pelo Pai como ele ama seu único Filho. Já agora, nesta vida, nos sentimos assim amados. Na “outra vida” atingiremos a plenitude desse amor. O salmista do Sl 23 (Salmo Responsorial) tem a firmeza de dizer: “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, pois o Bom Pastor está sempre comigo”. O filósofo Emmanuel Kant dizia que o Sl 23 lhe deu mais consolo do que todos os livros que havia lido. Muitos gostam do Salmo do Bom Pastor do Sl 23, enquanto outros gostam do Bom Pastor do Sl 23.


Muita gente se esquece da ternura de Deus, Deus que ama com um amor paterno e materno: sofre por nossa causa, nos toma pela mão e nos conduz a “verdes pastagens”. Deus é incapaz de esquecer seu filho, que é cada um de nós: “Pode a mãe se esquecer do seu nené, pode ela deixar de ter amor pelo filho de suas entranhas? Ainda que ela se esqueça, eu não me esquecerei de você” (Is 49,15) pois “Eu tatuei seu nome na palma da minha mão” (Is 49,16). Ele quer nos dar a vida e vida em abundância (Jo 10,10). Até um pecador Deus ama. Se Deus ama um pecador porque Deus quer mostrar que o pecador ainda não ama Deus suficientemente.


Todos nós fomos feitos à imagem de Deus de ternura e não de Deus de castigo. Por isso, todos nós somos chamados a nos vestir de ternura na convivência com os outros: ser amorosos na conversa e nos comentários, no acolhimento e no atendimento, na escuta e no dar conselho. O amor verdadeiro é sempre como uma experiência de derrota que se transforma em vitória; uma entrega que se transforma em enriquecimento; uma experiência de sair de si que se transforma no mais profundo encontro consigo mesmo; uma experiência de morte que se transforma em vida.


Será que você ainda pode afirmar que foi feito à imagem do Deus de ternura? Quais são as manifestações concretas que você é a imagem do Deus de ternura? Jesus diz que as ovelhas escutam a sua voz e ele as chama pelo nome. Temos escutado a voz do Senhor ou preferimos escutar outras vozes deste mundo. Temos escutado a chamada do Senhor cada vez que optamos por um caminho errado, em vez de entrar pela porta que é Jesus?


Jesus É Cristo e Senhor a Quem Devemos Nos Converter


Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. Estas são palavras de conteúdo anúncio de Pedro no dia de Pentecostes, que lemos na Primeira Leitura de hoje.


O primeiro anúncio da Boa Nova no discurso de São Pedro é que Deus ressuscitou Jesus e O constituiu Senhor e Messias, isto é, Guia, Pastor, Libertador e Pedra fundamental. A iniciativa não é nossa e sim de Deus. Ninguém é cristão por nascimento. O primeiro é sempre uma Palavra que se proclama, o anúncio de uma realidade. A iniciativa é sempre de Deus, e crer é sempre uma graça, um dom sobre a qual ninguém pode atribuir-se nenhum direito.


E o anúncio da Boa Nova deve traspassar o coração: “Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito (At 2,37), e que causa nossa resposta. Mas não é uma resposta superficial, tipo resposta por emoção, e rotineira e sim uma resposta real e profunda (causar o coração aflito). Que, como aqueles que escutavam Pedro, o Evangelho nos traspassa o coração a ponto de fazermos a seguinte pergunta incondicional: “Irmãos, o que devemos fazer?”. A resposta clara e precisa é CONVERSÃO: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo(At 2,38). Conversão dentro deste contexto é aceitar Jesus como Guia, Pastor, Libertador e Pedra fundamental de nossa vida.


Aqui não se trata de uma conversão de uma vez para sempre. Ninguém é convertido definitivamente, pois ele é capaz de pecar qualquer hora. Mas aqui se trata de uma conversão contínua e progressiva, porque a conversão significa seguir cada vez melhor o caminho que Jesus Cristo nos assinala.


Pedro disse: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo”. Esta frase sintetiza o que o Batismo quer expressar.


Primeiramente, batizar em nome de Jesus, isto é, submergir-se naquilo que é para nós Jesus Cristo: abrir-se ao seu anúncio de vida e comprometer-se a segui-Lo. Em segundo lugar, batizar significa estar disposto a lutar como Jesus contra todo mal (perdão dos pecados, isto é, libertado da escravidão do pecado). Em terceiro lugar, batizar é para enxertar ou inserir-se no fluxo da vida, na fonte de vida que é o Espirito de Deus (receber o Espirito Santo). Tudo isso é o significa do Batismo que recebemos. Por isso, não se trata de algo rotineiro que deve ser cumprido assim uma criança nasceu. Batismo é o início de um caminho, e o caminho é contínua se quisermos continuar a seguir a Jesus Cristo. A pergunta que devemos fazer sempre é se realmente vivemos como batizados.


Jesus Cristo, nosso Bom Pastor continua nos chamando a segui-Lo. Ele chama cada um de nós por seu nome. Será uma graça e uma paz muito profunda quando estivermos conscientes de que para o Senhor eu tenho nome e Ele me chama pelo meu nome. Chamar alguém pelo nome expressa uma grande intimidade. Para Jesus não existe a massa de pessoas, pois cada ser humano tem um rosto próprio e um nome para o Senhor. A sociedade, ao contrário, tende a converter-se e a nos converter em uma massa de pessoas cada vez mais anônimas, deixando-nos profundamente insatisfeitos: não somos amados por nós mesmos. Para a sociedade cada um de nós é um simples cifra em classe, no trabalho, na seguridade social e assim por diante. “Eis que te gravei nas palmas da minha mão”, disse o Senhor a cada um de nós através do profeta Isaías (Is 49,16).


Seguir a Jesus Cristo, nosso Pastor é um compromisso e por isso, pedimos que Ele continue a nos comunicando Seu Espirito para que possamos avançar pelo caminho da vida que é o próprio Jesus que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Conhecer e chamar pelo nome significa que o Senhor convida cada um de nós a desenvolver as próprias capacidade e a pô-las livremente ao serviço dos demais. “Se suportais com paciência aquilo que sofreis por terdes feito o bem, isto vos torna agradáveis diante de Deus. De fato, para isto fostes chamados”, assim São Pedro nos relembra (1Pd 2,20b-21).
P. Vitus Gustama,SVD

segunda-feira, 27 de abril de 2020

02/05/2020
É PRECISO CAMINHARTHE POWER AND PRESENCE OF JESUS IN THE EARLY CHURCH | A CHRISTIAN ...A quem iremos, Senhor? So Tu tens palavras de vida eterna ...iCatolica.com: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida ...
JESUS TEM PALAVRAS QUE SACIA NOSSA SEDE DO SENTIDO DA VIDA
Sábado da III Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 9,31-42
Naqueles dias, 31 a Igreja vivia em paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria. Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo. 32 Pedro percorria todos os lugares; e visitou também os fiéis (santos) que moravam em Lida. 33 Encontrou aí um homem chamado Enéias, que estava paralítico e, há oito anos, jazia numa cama. 34 Pedro disse-lhe: “Enéias, Jesus Cristo te cura! Levanta-te e arruma a tua cama!” Imediatamente Enéias se levantou. 35 Todos os habitantes de Lida e da região do Saron viram isso e se converteram ao Senhor. 36 Em Jope, havia uma discípula chamada Tabita, nome que quer dizer Gazela. Eram muitas as obras boas que fazia e as esmolas que dava. 37 Naqueles dias, ela ficou doente e morreu. Então lavaram seu corpo e o colocaram no andar superior da casa. 38 Como Lida ficava perto de Jope, e ouvindo dizer que Pedro estava lá, os discípulos mandaram dois homens com um recado: “Vem depressa até nós!” 39 Pedro partiu imediatamente com eles. Assim que chegou, levaram-no ao andar superior, onde todas as viúvas foram ao seu encontro. Chorando, elas mostravam a Pedro as túnicas e mantos que Tabita havia feito, quando vivia com elas. 40 Pedro mandou que todos saíssem. Em seguida, pôs-se de joelhos e rezou. Depois, voltou-se para o corpo e disse: “Tabita, levanta-te!” Ela então abriu os olhos, viu Pedro e sentou-se. 41 Pedro deu-lhe a mão e ajudou-a a levantar-se. Depois chamou os fiéis (santos) e as viúvas e apresentou-lhes Tabita viva. 42 O fato ficou conhecido em toda a cidade de Jope e muitos acreditaram no Senhor.


Evangelho: Jo 6,60-69
Naquele tempo, 60muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 61 Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64Mas entre vós há alguns que não creem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. 65E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?” 68Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.
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Jesus Continua e Quer Continuar Atuando Através Dos Cristãos


“Enéias, Jesus Cristo te cura! Levanta-te e arruma a tua cama!”. “’Tabita, levanta-te!’ Ela então abriu os olhos, viu Pedro e sentou-se”. São palavras pronunciadas pelo Apóstolo Pedro.


A Primeira Leitura nos relata dois milagres de Deus através de Pedro. Um é a cura de Eneias de sua paralisia. O outro é a reanimação (“ressurreição”) de uma mulher generosa chamada Tabita.


A cura de Eneias nos lembra Mc 2,1-12 (cura de um paralítico). A reanimação de Tabita lembra Mc 5,36-43 (ressurreição da filha de Jairo; cf. 1Rs 17,17-24; 2Rs 4,18-37): mesma exclusão das pessoas, mesma fórmula, (exceto: “Tabita, levante-se”), gesto idêntico da mão e assim por diante.


Através destes milagres o autor dos Atos dos Apóstolos (Lucas) quer nos dizer que Jesus continua agindo por meio de Pedro, Seu Apóstolo. Por isso, em vez de dizer “Eneias, eu te curo”, Pedro diz: “Eneias, Jesus Cristo te cura”. A fonte do poder de Pedro é Jesus Cristo. Esta frase quer nos enfatizar que Pedro é apenas um instrumento de Deus neste milagre. O agente principal nesta cura é o próprio Jesus Cristo. A fé de Pedro e a misericórdia de Jesus Cristo se encontram unidas nesta cura. Ninguém faz milagre, mas somente Deus. Mas Deus pode usar qualquer um para acontecer qualquer milagre. Jamais poderíamos ficar arrogantes por uma cura por causa de nossa oração, pois o autor da cura é o próprio Senhor. Jamais poderíamos atribuir qualquer milagre ao nosso mérito. Jesus Cristo continua sendo a fonte de todos os milagres. Jamais podemos pensar demasiadamente naquilo que fazemos em termos de qualquer milagre e pensamos pouco no Cristo que é o próprio autor dos milagres.


Da mesma maneira quando aconteceu o milagre da reanimação de Tabita. Antes da ordem de levantar Tabita do leito da morte, Pedro rezou, pois o poder está em Jesus Cristo: “Pedro mandou que todos saíssem. Em seguida, pôs-se de joelhos e rezou”. A exemple de Pedro, sejamos instrumentos eficazes do Senhor para qualquer coisa que possa edificar a vida humana e a convivência. Nós pensemos demais do que podemos fazer e muito pouco do que Cristo pode fazer


Além disso, através destes milagres, Lucas (autor dos Atos dos Apóstolos) quer destacar a função de Pedro no caminho da Igreja. Com estes milagres Lucas quer colocar Pedro no grupo dos grandes profetas taumatúrgicos na Bíblia como Elias (cf. 1Rs 17,17-24) ou como Eliseu (cf. 2Rs 4,18-37). Encontramos também dois milagres analógicos operados por meio de Paulo: a cura do paralítico em Antioquia da Pisídia (At 14,8-10) e a ressurreição de Êutico em Troade (At 20,7-10). Pedro e Paulo são dois Apóstolos (missionários) que têm uma grande contribuição, cada um com sua própria maneira, para a expansão da Igreja. São dois grandes colunas da Igreja do Senhor.


O que nos chama a atenção do texto da Primeira Leitura é que os cristãos de Lida e de Jope são chamados de “santos” (At 9,32.41; o Lecionário traduz a palavra “santos” por “fieis”). São Paulo usa a palavra “santo” para descrever o membro da Igreja quando ele escreve uma carta para determinada comunidade.


A palavra grega é hagios. Às vezes é traduzida por “santo”. A raiz desta palavra significa “diferente”. O cristão é aquele que é diferente dos que simplesmente são habitantes do mundo. Os cristãos são diferentes por terem sidos escolhidos para a especial proposta de Deus. Os cristãos são chamados para ser luz do mundo e sal da terra. Eles são diferentes porque eles sabem que devem passar a vida fazendo o bem a exemplo de Cristo. Se não o fizerem, os cristão deixarão de ser cristãos; a diferença fica desaparecida. Os cristãos foram salvos para servir os outros; foram libertados para libertar os outros; são escolhidos para o serviço por amor.


É Preciso Seguir a Jesus, Pois Somente Ele Tem Palavras de Vida Eterna


A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.


O texto do evangelho deste dia, com que se encerram as reflexões sobre o sinal da multiplicação dos pães e peixes, formula a única atitude de entender esse sinal. Quem entende o significa do sinal ou quem capta o espírito de Jesus nesse discurso, continua a seguir Jesus (Pedro e companheiros). Os que não o entendem, ou não penetram no espírito de Jesus, abandonam Jesus (outros discípulos que se sentem escandalizados). Somente aqueles que descobrem a importância da mensagem de Jesus, pois cheia de vida eterna, são capazes de relativizar o que até aquele momento parecia ser fundamental. Quem encontra a prata, relativiza o bronze; quem descobre o ouro, relativiza a prata.


No fim do discurso sobre o Pão da vida o entusiasmo das multidões por Jesus vai se esfriando e chega um momento em que, escandalizadas pelas palavras de Jesus, O abandonaram. A desilusão penetra, inclusive, no interior do círculo dos mais apegados: no grupo dos discípulos. Mas Jesus, apesar deste aparente fracasso, anuncia já a vitória de sua ressurreição e a glória de sua ascensão ao céu: “E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes?”, perguntou Jesus retoricamente. Os que permanecerem até o fim, terão, um dia, experiência deste mistério e conhecerão a existência gloriosa do Senhor ascendido ao céu e serão confirmados na fé. As palavras de Jesus são espírito e vida. O Espírito de Deus dá às palavras de Jesus um sentido e uma força divina capaz de fortalecer os que nele creem e escutam as palavras de Jesus: “O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida”.


Muitos se escandalizaram por causa das palavras de Jesus porque não penetraram ainda no mistério da pessoa de Jesus. Uma palavra ou uns fatos são escandalosos na medida em que rompem os esquemas, hábitos ou comportamentos dos indivíduos ou dos grupos.


O grupo que hoje se escandaliza já não é o grupo dos mestres de Israel e sim um grupo dos discípulos de Jesus. Eles se sentem mais seguros sendo observantes do que sendo crentes. Eles preferem o estado de vida orientado pela Lei ao estilo de vida orientado pela fé, preferem o estilo de vida carnal ao estilo de vida espiritual. Diferentemente da pessoa carnal, a pessoa espiritual é aquela que se entende a si mesma a partir de uma relação com Deus manifestada por Jesus: “O espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida”, disse Jesus aos discípulos. Mesmo assim muitos discípulos abandonaram Jesus.


“Vós também vos quereis ir embora?”, perguntou Jesus aos demais discípulos. Pedro responde à pergunta de Jesus fazendo em nome de seus companheiros uma sincera profissão de fé: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus”.


Pela primeira vez e única vez no quarto Evangelho aparecem os Doze como um grupo já formado. João os apresenta como os homens da experiência mística: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus”. É Pedro quem fala por todos. Trata-se do descobrimento do insondável mistério de Jesus, de sua pessoa de carne e de osso. Daí o caráter fundamental e insubstituível dos Doze. Os Doze creem que Jesus tem palavra de vida eterna e que ele é o Messias ou “santo de Deus” por outra parte.


Por isso, a questão não é somente seguir ou deixar de seguir Jesus, e sim encontrar o Outro que tenha ele palavras capazes de dar o sentido para nossa vida e por isso, a vida eterna. Este descobrimento leva os Doze a relativizarem tudo que até naquele momento parecia ser fundamental e importante. No lugar de tudo isso surge Jesus, sua pessoa, sua palavra, iluminando tudo na vida deles com uma luz nova. Sob a luz de Jesus há coisas que deixam de ter interesse e valor, outras que surgem e outras que cobrem novo valor. A sede da busca do absoluto se sacia em Jesus, e a partir de Jesus, o relativo perde sua importância. Jesus tem palavras de vida eterna, pois Ele é a Palavra do Pai no meio da humanidade e para a humanidade (cf. Jo 1,1-3.14).


São Paulo nos convida a descobrirmos e a experimentamos a maravilhosa experiência mística: “Por essa razão eu dobro os joelhos diante do Pai de quem toma o nome toda família no céu e na terra para pedir-lhe que ele conceda, segundo a riqueza da sua glória, que vós sejais fortalecidos em poder pelo seu Espírito no homem interior, que Cristo habite pela fé em vossos corações e que sejais arraigados e fundados no amor. Assim tereis condições para compreender com todos os santos qual é a largura e o comprimento e a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede a todo conhecimento, para que sejais plenificados com toda a plenitude de Deus” (Ef 3,14-19).


Também no mundo de hoje, como para os ouvintes que estavam em Cafarnaum, Jesus se converte em sinal de contradição, como anunciou o ancião Simeão, quando Maria e José apresentaram seu filho no Templo (cf. Lc 2,34-35). A dureza da fé pode nos levar ao cansaço e ao abandono. São muitos batizados que optaram por buscar caminhos mais fáceis em vez de encarar a verdade e se esforçar para melhorar a qualidade de vida e de fé. Cristo é exigente, e seu estilo de vida está não poucas vezes em contradição com os gostos e as tendências de nosso mundo. Crer em Jesus, e concretamente comungar com ele na Eucaristia, que é uma maneira privilegiada de mostrar nossa fé nele, pode resultar no algo difícil, mas termina na coisa preciosa.


Quando nos cansamos de seguir o bem, de viver de acordo com a verdade, o amor, e a justiça, de praticar a caridade e o perdão, quando nos pesa a fidelidade a Deus e aos irmãos, quando o mal nos circunda e nos assedia, quando a dúvida e a incredulidade nos oprimem, então, Jesus também nos pergunta: “Também tu queres partir e me abandonar?”. Constantemente temos que escolher entre vários deuses e senhores. Temos que matar muitos deuses que criamos e que não nos dá salvação. Se quisermos optar pela vida em plenitude, sem limite nem ocaso, temos que fazer nossas as palavras de Pedro: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”.


Nós cremos em Jesus e sabemos disso. Mas a fé é uma adesão pessoal a Cristo. A fé entendida como adesão pessoal a Cristo nos conduz a um maior conhecimento de sua mensagem e de sua pessoa. A fé entendida como pautar nossa vida à vida de Cristo nos exige renunciar a muitas coisas. Conhecer Jesus, refletir sua mensagem e assimilar suas atitudes nos conduz a uma maior maturidade na fé.


A quem iremos, Senhor?”. Esta expressão é incompreensível para o mundo, mas cheia de luz para nós que cremos em Jesus, pois “Tu tens palavras de vida eterna, Senhor”. “Palavras de vida eterna!”. Palavras que nos dão garantia para vivermos eternamente com Deus. A expressão “Palavras de vida eterna”, quando vividas por nós, nos torna portadores de sinais de vida e não de morte; quando vividas por nós torna a vida eterna presente desde já na nossa vida em história.


Ao participar da Eucaristia, ao comungar o Corpo e Sangue do Senhor estamos permitindo Deus que, por meio do Mistério pascal de Seu Filho, sejamos restaurados no íntimo de nosso ser, pois somente em Jesus tem “palavras de vida eterna”. A Igreja de Cristo, que são todos os batizados, é chamada a ser portadora de vida; da Vida que nos vem do próprio Deus. No cumprimento da missão que o Senhor nos confiou, nos encontraremos com muitas pessoas deterioradas pelo pecado, pela enfermidade, pela pobreza, pela injustiça, pelo abuso, pela exploração da dignidade humana. Não podemos passar adiante sendo traidores de Cristo e de seu evangelho. Quem abandona Cristo não somente quem não reza nem participa dos sacramentos, mas também quem fecha os olhos diante do sofrimento de seu próximo com quem Jesus se identifica (cf. Mt 25,40.45). Nenhum cristão pode justificar o próprio egoísmo ao perguntar: “Acaso, sou eu responsável do meu irmão ou pelo meu irmão?”. A Eucaristia nos faz entrarmos numa comunhão de vida com Cristo que passou a vida fazendo o bem (cf. At 10,38). A Eucaristia nos move para que sejamos pão de vida a fim de continuarmos a fortalecer aqueles que necessitam de uma mão para levantá-los de seus túmulos de maldade e para ajudá-los a caminharem no bem.
P. Vitus Gustama,svd




São José: santo mudo de palavras, mas falante pelas ações « Ordem ...Oração a São José para encontrar trabalho
SÃO JOSÉ OPERÁRIO
01 de Maio


Primeira Leitura: Gn 1,26–2,3
26 Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e segundo a nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra”.  27 E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou: homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra”. 29 E Deus disse: “Eis que vos entrego todas as plantas que dão semente sobre a terra, e todas as árvores que produzem fruto com sua semente, para vos servirem de alimento. 30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou todos os vegetais para alimento”. E assim se fez. 31E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia. 2,1 E assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército. 2 No sétimo dia, Deus considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera. 3 Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nesse dia descansou de toda a obra da criação.


Evangelho: Mt 13,54-58
Naquele tempo, 54 dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? 55Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? 56 E suas irmãs não moram conosco? Então, de onde lhe vem tudo isso?” 57 E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” 58E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé.
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O Homem É a Imagem De Deus No Mundo


Façamos o homem à nossa imagem e segundo a nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra”.


O relato do Livro de Gênesis apresenta a criação do homem como o ponto alto de toda a criação. Depois que criou tudo, Deus, finalmente, criou o ser humano. No mar Deus deixou os peixes e outros semelhantes e na terra criou as plantas e os animais terrestres. Tudo foi feito para o bem do homem.


Entre as criaturas, o homem possui uma característica singular e única. Ele é o único ser, entre todas as criaturas, criado à “imagem de Deus”. O conceito bíblico de “imagem de Deus” leva a uma reciprocidade na relação Deus-homem. Deus é o tudo do homem. No âmago do humano está a abertura construtiva, inexorável para Deus. Dentro de si o homem tem algo de Deus, pois ele é o fruto do sopro de Deus. Por ter sido feito do barro da terra, à semelhança dos animais, é mortal. Mas por ser vida da vida de Deus é transcendente. O sopro divino é o que coloca o homem no âmbito humano e o distingue dos animais e de outras criaturas.


O homem é a imagem e a semelhança de Deus. Por isso, o homem é o tu de Deus. Quando olha para a criatura humana, o próprio Deus se vê refletido no homem. Deus não criou o homem como objeto qualquer, mas Ele o criou como um ser correspondente, capaz de responder ao “tu” divino.


O homem é “imagem de Deus” por sua autoridade sobre o universo, por sua inteligência criadora com que foi posto em condições de dominar a natureza, desenvolvê-la e transformá-la.


Como “Imagem de Deus” o destino terreno do homem não é viver por viver; trabalhar, amar, reproduzir-se ou dominar a criação e sim conviver, compartilhar a vida com Deus e caminhar juntos. O homem jamais perderia a consciência de ser “Imagem de Deus”. Tudo que o homem fizer, deve refletir o querer de Deus.


Por isso, vem a pergunta: será que minha maneira de viver revela ao mundo que sou imagem de Deus? Será que o mundo percebe que sou imagem de Deus? será que eu faço morrer a imagem de Deus em mim que leva o mundo a crer sobre a “morte” de Deus no mundo?


O Trabalho É Sagrado Porque Mantém a Vida Do Homem


O livro de Gênesis nos relatou que Deus “trabalhou” seis dias. Quando o homem trabalha, ele reproduz a imagem de Deus que trabalhou seis dias e no sétimo dia descansou. Pelo trabalho o homem toca Deus. O trabalho enobrece o homem e ele pode consagrar a Deus qualquer atividade por simples que ela seja.


Para a Bíblia, o trabalho é uma função sagrada, é algo que de certa forma pertence ao mundo e ao próximo, é aquilo que deve ocupar o tempo do homem. O trabalho é sagrado porque mantém a vida do homem, e Deus é sensível ao sofrimento da vida e ao trabalho do homem. O trabalho é o meio de subsistência do homem. A Bíblia não tem uma única palavra de louvor para o preguiçoso e a pobreza, quando é consequência da preguiça. A preguiça nunca é considerada virtude. São Paulo nos recorda: “Quem não quer trabalhar, também não há de comer” (2Ts 3,10).


O trabalho é também um caminho de realização da pessoa, o meio pelo qual o homem atualiza suas possibilidades e exercita suas capacidades. O trabalho é um elemento de personificação e de humanização. O que importa na vida do homem é o esforço sempre renovado. É o amor que se coloca em tudo aquilo que faz.


Mas o homem precisa estar consciente de que o trabalho deve possibilitar viver e desfrutar a vida. Jamais podemos ser escravos do trabalho. O homem trabalha para viver e não viver somente para trabalhar. Todos condenam a preguiça, mas nem todos estão conscientes dos perigos do excesso de trabalho.


Na Bíblia, Deus se manifesta como Aquele que trabalha, mas que depois descansa. Deus quer que o homem interrompa seus afazeres, recupere suas energias e encontre tempo para elevar seu olhar mais para o alto. O preceito sabático, na Bíblia, existe para libertar o homem de seu próprio trabalho. O significado profundo do preceito sabático está em romper a alienação do trabalho. O preceito sabático existe para impedir que o homem pense que ele somente vale aquilo que produz. O homem deve saber que o seu “ser” e aquilo que ele “faz” ou “produz” são coisas completamente distintas. Um mundo que valoriza somente segundo o critério de desempenho não pode ser considerado um mundo humano e sim um mundo mecanizado.


Paralelamente, o preceito cristão do descanso dominical existe para libertar o homem de seu próprio trabalho. É o homem que dá valor ao seu trabalho ou à função que desempenha, e não o contrário. O trabalho em excesso pode embotar a mente e oprimir o espirito, convertendo assim o trabalho numa espécie de ídolo.


Em Nazaré Jesus Ajuda José No Trabalho Como Carpinteiro


De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro?”.


Jesus começa o relato dos “fatos” da vida terrena de Jesus com a rejeição/recusa pelos nazarenos: “Acas não é este filho do carpinteiro?”.


A palavra “carpinteiro” (tékton) somente aparece em Mc 6,3 e Mt 13,55 em todo o Novo Testamento. Em grego “tékton” não significa somente uma pessoa que trabalha com madeira, mas também com ferro (serralheiro) e pedra (pedreiro). Jesus trabalhava com essas coisas acompanhando seu pai adotivo, José.


No texto de Marcos (Mc 6,3) o termo “carpinteiro” (tékton) se aplica a Jesus: é a única passagem bíblica em que se menciona o ofício de exercido por Jesus: “Não é este o carpinteiro?”. Em Mateus o termo se aplica a José: “Não é ele o filho do carpinteiro?”.


José trabalha (carpinteiro) e Jesus (carpinteiro/filho do carpinteiro) também como sua Mãe, Maria, dona de casa. O trabalho é a expressão cotidiana do amor na vida da família de Nazaré. O tipo de trabalho para manter a família é carpintaria. A simples palavra “carpinteiro” abarca toda a vida de São José.


Para Jesus, os anos em Nazaré (antes de sua vida pública) são os anos da vida escondida da qual fala o evangelista Lucas atrás do episódio no Templo: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso” (Lc 2,51ª). Esta “submissão” quer dizer, primeiramente, a obediência de Jesus na casa de Nazaré. Em segundo lugar, esta “submissão” é entendida também como participação no trabalho de José. O que era chamado o “filho de carpinteiro” aprendeu o trabalho de seu pai adotivo, José.


O trabalho humano, especialmente o trabalho manual, tem no Evangelho um significado especial. Junto à humanidade do Filho de Deus, o trabalho faz parte do mistério da encarnação. Graças ao seu trabalho, sobre qual exerce sua profissão com Jesus, São José aproxima o trabalho humano ao mistério da redenção. No crescimento humano de Jesus “em sabedoria, idade e graça” representou uma parte notável a virtude da laboriosidade. O trabalho faz o homem, em certo sentido, mais homem.


O trabalho humaniza o homem e através de seu trabalho honesto ele se diviniza e potencia sua humanidade. Trabalhando com Jesus, são José se diviniza, pois Jesus é o Deus-conosco. São José Operário, interceda por nós para que através de nosso trabalho possamos nos humanizar mais a fim de que consigamos ser divinizados. Assim seja!
P. Vitus Gustama,svd
01/05/2020
La conversión de Saulo (bosquejo) | literaturabautista.comConversão de São Paulo | Paróquia São Pedro ApóstoloConsagrada para amar: Evangelho 15/04/2016 - Pão que desceu do céuÉ PRECISO CAMINHAR
COMER A CARNE E BEBER O SANGUE DE JESUS SIGNIFICA VIVER A VIDA DE JESUS
Sexta-Feira da III Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 9,1-20
Naqueles dias, 1Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao Sumo sacerdote 2e pediu-lhe cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém os homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho. 3Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo, de repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. 4Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” 5Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. 6Agora, levanta-te, entra na cidade, e ali te será dito o que deves fazer”. 7Os homens que acompanhavam Saulo ficaram mudos de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. 8Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. 9Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu. 10Em Damasco, havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: “Ananias!” E Ananias respondeu: “Aqui estou, Senhor!” 11O Senhor lhe disse: “Levanta-te, vai à rua que se chama Direita e procura, na casa de Judas, por um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está rezando”. 12E numa visão, Saulo contemplou um homem chamado Ananias, entrando e impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista. 13Ananias respondeu: “Senhor, já ouvi muitos falarem desse homem e do mal que fez aos teus fiéis que estão em Jerusalém. 14E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, recebidos dos sumos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome”. 15Mas o Senhor disse a Ananias: “Vai, porque esse homem é um instrumento que escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. 16Eu vou mostrar-lhe quanto ele deve sofrer por minha causa”. 17Então Ananias saiu, entrou na casa, e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: “Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu quando vinhas no caminho, ele me mandou aqui para que tu recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo”. 18Imediatamente caíram dos olhos de Saulo como que escamas e ele recuperou a vista. Em seguida, Saulo levantou-se e foi batizado. 19Tendo tomado alimento, sentiu-se reconfortado. Saulo passou alguns dias com os discípulos de Damasco, 20e logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus.


Evangelho: Jo 6, 52-59
Naquele tempo, 52os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”. 59Assim falou Jesus, ensinando na sinagoga em Cafarnaum.
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Conversão de São Paulo e Minha Conversão


A Primeira Leitura nos conta como foi a conversão de São Paulo que era um grande perseguidor dos cristão. Paulo sempre perseguia os cristãos, logo perseguia o próprio Cristo. Mas até certo momento em vez de perseguir os cristãos, o próprio Senhor perseguiu o próprio Paulo.


A queda de Paulo na estrada de Damasco foi a linha divisória para sua vida entre antes e depois. Essa queda é a chave geral para entender Paulo e toda a sua luta incansável.


Paulo sempre foi um homem profundamente religioso, judeu praticante, irrepreensível na mais estrita observância da Lei (Fl 3,6; At 22,3), cheio de zelo pelas tradições paternas (Gl 1,14). Para defender essas tradições, chegou a perseguir os cristãos e isso com o apoio do Sinédrio.


Mas na estrada de Damasco Paulo, Paulo se encontrou com o próprio Senhor. São Paulo é obrigado a viver seu estado de criatura, a voltar a reconhecer que é pó. Esta volta ao seu estado primordial como pó, o texto bíblico usa a expressão “Cair por terra” (At 9,4). Caído no chão, Paulo se entregou. Lucas não diz que Paulo cai do cavalo, mas “cai por terra”, porque essa é a fraseologia usada em alguns textos bíblicos para descrever a reação humana diante da manifestação divina. Após a visão da glória Javé junto ao canal Quebar, no país dos caldeus, Ezequiel descreve a sua reação nestes termos: “Quando vi, cai imediatamente com o rosto no chão e ouvi a voz de alguém que falava comigo” (Ez 1,28; cf. 43,3; 44,4). O mesmo esquema se encontra no livro de Daniel (cf. Dn 10,7.9; e veja também Dn 8,17-18).


Paulo é interpelado duas vezes pelo seu nome hebraico, transcrito em grego: “Saoúl, Saoúl” (v.4). A repetição do nome corresponde ao esquema de diálogos de revelação aos patriarcas bíblicos: Abraão, Jacó, Moisés (Gn 22,1; 46,2; Ex 3,4). A novidade na experiência de Paulo é a pergunta: “Por que você me persegue? (v.4). Ela revela uma situação singular. Aquele que fala com Paulo, no contexto de uma luz divina, se identifica com aqueles que Paulo está perseguindo (v.5). A identificação de Jesus com os seus discípulos perseguidos coloca Paulo diante de uma escolha sem alternativas. Ele precisa mudar radicalmente os seus projetos.


Por que você me persegue? é a pergunta que o Senhor faz para cada um de nós toda vez que maltratamos, exploramos, praticamos a injustiça contra o próximo. Não podemos pedir nada ao Pai do céu quando maltratamos os homens e as mulheres na terra que são os filhos e as filhas do Deus Pai do céu. A pergunta do Senhor a Paulo nos obriga a revermos nosso comportamento e o nosso tratamento em relação ao próximo, pois sem querer querendo acabaremos maltratar o próprio Deus que está em cada homem e em cada mulher (cf. 1Cor 3,16; 6,19).


Para nos ajudar a aprofundarmos nossa meditação precisamos lançar algumas perguntas como ponto de partida para nossa reflexão. Onde tu estavas quando a Palavra de Deus te alcançou? Para que direção te levou o Senhor? Como aconteceu esta passagem? Que existe em ti de parecido, diferente ou análogo à experiência de Paulo? Como podes acolher na tua vida a ação proveniente de Deus que te faz ser o que és? Como e de que maneira o Senhor, que foi para Paulo a revelação da misericórdia divina, é para ti o ponto de referência fundamental para compreender quem és, o que és, de onde vens, para que tu foi chamado? Quais são as posses que te impedem de acolher com liberdade a iniciativa divina com relação a ti?


Devemos fazer estas perguntas com amor: se as fizermos com espírito possessivo ou autojustificativo, responderemos com pressa e não conseguiremos ver em profundidade a história da nossa vida sob o olhar de Deus. Mas se nos interrogarmos com amor e misericórdia poderá emergir o que em nós é obra de Deus e o que em nós é resistência de Paulo à obra de Deus. Como o próprio Paulo disse: “Esta palavra merece crédito e toda a aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou o primeiro” (1Tm 1,15).  O pecado fundamental do homem é não reconhecer Deus como Deus, não reconhecer-se como dom seu, como fruto do seu amor. Carregamos todos dentro de nós a incapacidade de reconhecer a Deus como Deus, “dos quais eu sou o primeiro. E se a misericórdia me foi dada, foi para que Jesus Cristo manifestasse primeiro em mim toda a sua generosidade, para que eu servisse de exemplo aos que devem crer nele a fim de conseguir a vida eterna” (1Tm 1,16). A conversão é polivalente. Em sentido geral indica mudança de vida; deixar o comportamento habitual de antes para empreender outro novo; prescindir da busca egoísta de si mesmo para colocar-se a serviço do Senhor que se traduz no amor fraterno. Conversão é toda decisão ou inovação que de alguma forma nos aproxima da vida divina e nos torna mais próximos para com os outros.


Jesus, Pão Da Vida É a Vida Para o Mundo a Fim De Alcançar a Eternidade


No final do discurso de Jesus sobre o Pão da vida, o tema é claramente eucarístico. Antes Jesus falava da fé no Enviado de Deus: “ver”, “vir”, “crer”, “permanecer” que no evangelho de João são sinônimos. Agora fala de “comer” a Carne e de “beber” o Sangue que Jesus vai dar para a vida do mundo na Cruz, mas também na Eucaristia, porque quer que a comunidade celebre este memorial da Cruz (cf. 1Cor 11,24-25). O fruto do comer e do beber a Carne e o Sangue de Jesus Cristo é o mesmo que o do crer nele: participar de sua vida. Antes Jesus havia dito: “Quem crê, tem vida eterna” (Jo 6,47). Agora: “Quem come deste pão viverá para sempre” (Jo 6,58).


Por isso, a palavra que se repete no texto deste dia, dentro do discurso de Jesus sobre o Pão da vida é “carne”. A palavra “carne” designa tudo o que constitui a realidade do homem com suas possibilidades e debilidades (Jo 1,14;3,16;8,15). A carne designa aqui o ser humano, considerado sob o aspecto de ser material, sensível e perceptível; designa o homem na sua condição de fraqueza e de mortalidade.


E um dos verbos que se repete neste texto é comer. Comer a carne e beber o sangue de Jesus significa incorporar-se, fusionar. É entrar em comunhão de amor e de destino de Jesus. Tomar o Corpo e o sangue, além disso, é reconhecer a vida do Espírito na carne e no sangue da humanidade (cf. 1Cor 3,16-17). É a humanidade que sofre, que busca, que dá a luz ao mundo com dor; a humanidade que se alegra, que canta e dança. É a humanidade de ricos e de pobres, humanidade de pecadores e de santos. É a humanidade dos rápidos e dos atrasados em descobrir a graça de Deus. É a humanidade da humanidade.


A eucaristia proporciona uma comunhão real de vida e de destino com a pessoa de Jesus. Seu Corpo nos faz participarmos na ressurreição, nos faz vivermos por Cristo que é vida para sempre, nos faz convivermos como irmãos, nos leva a vivermos na igualdade.


Há três efeitos da Eucaristia que o discurso sobre o Pão da vida nos indica:


1. A Vida Eterna E A Ressurreição


“Quem come minha carne e bebe meu sangue tem vida eterna e Eu o ressuscitarei”.


O pão eucarístico segue as leis de todo pão oferecido pelo pai da família aos seus. O pão não tem significado especial em si sem outros componentes. Alguém tem que ganhá-lo e produzi-lo ou fabricá-lo e tem que ter alguém para comê-lo. Ao entregar ou ao distribuir o pão, que representa sua vida e seu trabalho, o pai e a mãe de uma família podem dizer em certo modo aos seus: “Este pão é minha carne entregue aos meus filhos” (cf. Jo 6,51). E os comensais, ao participar desse pão, compartilham, em certo modo, a própria vida de quem deu ou entregou esse pão (Jo 6,54).


Na Eucaristia comungamos o Cristo vivo ressuscitado. E este corpo ressuscitado passa a ser em nós “semente” de vida divina, vida que recebemos de Cristo (cf. 1Cor 15,1-58). No momento da Ceia Jesus falará do banquete celestial onde reunirá de novo seus amigos: “Não beberei mais do fruto da vinha até o dia em que beberei convosco o vinho novo no Reino do meu Pai” (Mt 26,29). Vamos caminhando até este encontro feliz onde beberemos com Cristo o vinho novo, uma alegria sem limite, uma vida sem ameaça de morte, uma vida eterna.


2. A Imanência Recíproca De Cristo E Do Cristão


“Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele”.


Nós sabemos muito bem o que significa o estar com alguém a quem se ama? É ser feliz com ele. A vocação de todo homem é estar com Deus, permanecer em Deus e estar com todos os homens. É o tema fundamental da Aliança, que se expressou, ao curso da história da salvação, na Sagrada Escritura, por fórmulas cada vez mais íntimas: “Vós sereis meu povo, e Eu serei vosso Deus”, “Meu amado está comigo e Eu estou com ele”, “Permanecei em Mim e Eu em vós”.


A incorporação a Cristo, que tem lugar pelo Batismo, se renova e se consolida continuamente com a participação no Sacrifício eucarístico, sobretudo, quando esta é plena perante a comunhão sacramental. Podemos dizer que não somente cada um de nós recebe Cristo na comunhão, mas também que Cristo recebe cada um de nós. Cristo estreita sua amizade conosco: “Vós sois meus amigos” (Jo 15,14). Além disso, nós vivemos graças a Cristo: “Aquele que comer minha carne viverá por mim” (Jo 6,57). Na comunhão eucarística se realiza de maneira sublime que Cristo e o cristão estão unidos: um está no outro: “Permenecei em mim e eu permanecerei em vós” (Jo 15,4).


Precisamos meditar aquilo que São João Crisóstomo dizia: “Com efeito, o que é o pão? É o corpo de Cristo. E em que se transformam aqueles que o recebem? No corpo de Cristo; não muitos corpos, mas um só corpo. De fato, tal como o pão é um só apesar de constituído por muitos grãos, e estes, embora não se vejam, todavia estão no pão, de tal modo que a sua diferença desapareceu devido à sua perfeita e recíproca fusão, assim também nós estamos unidos reciprocamente entre nós e, todos juntos, com Cristo”.


E o Papa João Paulo II escreveu: “O dom de Cristo e do seu Espírito, que recebemos na comunhão eucarística, realiza plena e sobreabundantemente os anseios de unidade fraterna que vivem no coração humano e ao mesmo tempo eleva esta experiência de fraternidade, que é a participação comum na mesma mesa eucarística, a níveis que estão muito acima da mera experiência dum banquete humano. Pela comunhão do corpo de Cristo, a Igreja consegue cada vez mais profundamente ser, em Cristo, como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (Carta Encíclica Ecclesia De Eucharistia no. 24)


3. A Consagração Do Cristão A Cristo


Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim”. 


Jesus consagrou sua vida ao Pai, viveu totalmente para Ele para viver totalmente para os homens. Por sua vez, ele nos pede para que vivamos para Ele a fim de alcançar a comunhão plena com o Pai na comunhão com os irmãos.


Por isso, comungar o Corpo e Sangue do Senhor não é uma coisa mágica, automática. É um compromisso sério para viver a vida como Cristo a viveu: Viveu somente para o bem. Ensinou somente para indicar o caminho para o bem e para alcançá-lo. Usou até palavras duras como “hipócrita”, “vida como um túmulo: belo por fora, podre por dentro” para dizer-nos que vale a pena largar outros interesses em função do bem e da verdade.


A vida de Cristo é a vida de Deus, pois Cristo vive pelo Pai, e quem comungar o Corpo e o Sangue de Cristo viverá por Cristo. Trata-se de uma vida que se doa, que se sacrifica, que se presenteia. Como Cristo, o cristão deve viver para os outros, para os favoritos de Deus: os pobres, os pequenos, os sofredores e assim por diante. Quem vive em Cristo o egoísmo é superado totalmente.
P. Vitus Gustama,svd