quinta-feira, 14 de maio de 2015

18/05/2015
FÉ: COM CRISTO SOMOS VENCEDORES

Segunda-Feira da VII Semana da Páscoa


Evangelho: Jo 16,29-33

Naquele tempo, 29os discípulos disseram a Jesus: “Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. 31 Jesus respondeu: “Credes agora? 32 Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. 33Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!”
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O texto do evangelho se encontra no conjunto do discurso de despedida de Jesus dos seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17). A vida em si é formada de despedidas diárias. A despedida da noite dá lugar para saudar o novo dia. A despedida de uma hora é uma entrada para nova hora que está se despedindo também. A passagem de um dia para a entrada de novo dia que está terminando. A despedida de quem parte e a saudação de quem chega ou nasce. O choro de tristeza sobre quem partiu, e o choro de alegria pela chegada de quem acabou de nascer. A vida na história tudo passa. Estamos sempre em despedidas ou em partidas. Charles Chaplin dizia: “A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”.


Geralmente quem estiver para partir temporariamente ou permanentemente sempre dá alguns conselhos, recomendações, alertas, forças para lutar pelo bem, pela comunhão, pela dignidade e assim por diante para quem fica. Jesus também, ao ter consciência de sua partida iminente (morte), dá alguns outros conselhos aos seus discípulos para que eles possam continuar sua obra neste mundo. Jesus sabe que até para fazer o bem os discípulos terão que enfrentar as tribulações e todo tipo de dificuldades. Mas não há melhor exercício para ter e fortalecer o bom coração do que estender o braço para baixo e erguer as pessoas. A bondade é o único investimento que nunca falha.


“Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”, disseram os discípulos a Jesus.


Com esta afirmação os discípulos perceberam que Jesus é aquele que sabe de Deus e O conhece e sabe da felicidade e da miséria dos homens e por isso, ele foi enviado para o mundo pelo Pai para salvá-lo por amor (Jo 3,16). Jesus revela tudo sobre Deus para os discípulos porque eles são amigos de Jesus: “Eu vos chamo amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai vos dei a conhecer” (Jo 15,15b). Para Jesus o conhecimento de Deus e o conhecimento sobre os homens estão intimamente ligados entre si. Deus conhece o homem e sua miséria e por isso, Jesus foi enviado pelo Pai celeste.


Diante deste conhecimento revelador de Jesus, todas as perguntas dos discípulos se tornam supérfluos: “Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. A clareza da revelação de Jesus é de tal ordem que responde às derradeiras perguntas do homem sobre Deus e sobre o próprio homem. Quem se aproximar desta revelação, quem se aproximar de Jesus e permanecer com Ele, todas as suas perguntas encontrarão suas respostas (cf. Jo 1,45; 4,29-30). Além disso, quem se aproximar de Jesus, acabará se conhecendo melhor. Somente saberemos que somos nós quando contemplarmos quem é Deus. A fé estabelece nosso relacionamento com Jesus e possibilita nosso conhecimento sobre Deus e sobre o homem, em geral, e sobre nós mesmo, em particular. O conhecimento de Deus e o conhecimento dos homens estão intimamente ligados entre si. Quem está em profunda comunhão com Deus, está também tão próximo dos homens para ajudá-los. Quem encontra Deus acaba encontrando os homens objeto do amor salvador de Deus.


No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!”.


“Estar no mundo” e o “medo” estão entrelaçados. O medo é a marca fundamental do “estar no mundo” no contexto do evangelho de hoje. O medo aqui é o medo da morte. O medo que o homem tem é o medo da morte diante do nada que jamais pode ser descartado, pois o poder da morte está sempre presente na vida. Lutamos todos os dias para manter nossa vida. Evitamos certas comidas e bebidas, tomamos certos remédios para que a vida perdure um pouco mais neste mundo. Deus ajuda quem sabe se esforçar para se ajudar.


Mas, de outro lado, Jesus afirma: “Mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Esta afirmação só é possível porque Jesus é o ressuscitado que venceu a morte. A ressurreição é a morte da própria morte. A vitória de Jesus sobre o mundo é a vitória sobre o poder da morte que impera no mundo. Esta vitória de Jesus sobre o mundo deve assegurar os discípulos o dom da paz no meio das lutas da evangelização e dos sofrimentos da perseguição. O cristão sabe que nenhum poder sobre a terra é absoluto. Não o foram os grandes impérios que se sucederam sem interrupção ao longo da história, não o serão tampouco os poderes atuais do mercado, da eficiência, do dinheiro, da técnica da globalização informática, tecnológica e econômica. Todos os poderes deste mundo estão submetidos ao poder de Deus, pois todos não passam a ser simples criaturas. Jamais podemos colocar o ouro e a prata acima do Criador.


São João traduzirá estas palavras de Jesus na sua Primeira Carta da seguinte forma: “Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo 5,4b). A fé em Jesus já é uma participação da vitória de Jesus. Como Ressuscitado, Jesus é o Doador e o Distribuidor escatológico da vida. Ter fé significa estar com Deus e participar de sua vida. A fé liberta o homem da morte para a vida. Deus está sempre do nosso lado e por isso, podemos ter serenidade em tudo. Uma certeza nos acompanha: Cristo venceu o mundo. Se Cristo venceu o mundo, venceremos também com ele. A ultima palavra não é a fraqueza do homem, não é a prepotência do homem e sim a fidelidade do Senhor para conosco. No Senhor todos os nossos gritos, todos os nossos porquês, todas as nossas perguntas e interrogações serão acolhidos e colocados em outras perspectivas. A certeza de Deus sempre vai ao nosso encontro e em toda parte. Por isso, o autor da Carta aos Hebreus escreveu: “A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se vêem. Foi por causa da fé que os antigos foram aprovados por Deus. Pela fé, sabemos que a Palavra de Deus formou os mundos; foi assim que aquilo que vemos se originou de coisas invisíveis” (Hb 11,1-3).  A fé é como uma luz ou uma lanterna. A luz ou a lanterna não é acesa para ser olhada e sim para alguém ver o que ela ilumina.


No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo é a mensagem do Senhor para você hoje. Acredite nesta Palavra, pois é a Palavra de quem criou o universo e de quem venceu a morte: “Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. N’Ele havia vida, e a vida era a luz dos homens. ... Era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem” (Jo 1,3-4.9).


Sobre a importância da fé, Santo Agostinho dizia: “Deus, de Quem separar-se é morrer, a Quem retornar é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus, a Quem esquecer é morrer, a Quem buscar é viver, a Quem ver é possuir. Deus, a Quem a fé nos impele, a esperança nos aproxima e a caridade nos une” (Solil. 1,1,3). “Deus não se torna maior pelo conhecimento de quem O encontra, mas quem O encontra torna-se maior por ter conhecido a Deus” (Serm. 117,2,3).


A fé é “entrega” pessoal, o submetimento total a Deus do entendimento; é a entrega do coração para amar como Jesus nos amou. Trata-se não somente de crer em algo e sim de crer em Alguém, de crer em Deus. É dizer firmemente a Deus: “Creio em Ti, meu Deus”. A própria palavra “Credo” deriva de duas palavras latinas: “cor, cordis” que significa coração e “dare” que significa dar. Credo significa dar ou entregar o coração a Deus.


A fé é “conversão”. Mas o homem, por si só, não pode se converter; ele precisa do auxílio de Deus (cf. Jr 31,18; Hb 16,14; Jo 6,44). Mas a conversão, que é obra de Deus, necessita da colaboração do homem. Podemos dizer que crer é querer crer (cf. Jo 3,36). Crer, com suas conseqüências e exigências, significa ser salvo. Fé e salvação são intercambiáveis. A fé conferida e aceita é a salvação.
 
P. Vitus Gustama,svd

2 comentários:

Bem Viver disse...

Sua benção Pe. Vitus. Temos que ter muita coragem mesmo ainda mais no mundo de hoje. Fé em Deus e pé na tábua!!! Pois muitas são as batalhas espirituais.
Abraços

Vitus Gustama disse...

Obrigado Vanessa. Vamos lutar com Jesus, pois sem Ele nada podemos fazer (cf.Jo 5,5).