sábado, 16 de maio de 2015

22/05/2015
 
AMOR É O FUNDAMENTO DE TODA A ATIVIDADE PASTORAL

Sexta-Feira da VII Semana da Páscoa


Evangelho: Jo 21,15-19

Jesus manifestou-se aos seus discípulos 15e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. 16E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas”. 17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”.19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.
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O Jo 21 foi acrescentado ao evangelho de João provavelmente depois de uma primeira redação deste evangelho. As dificuldades de ordem literária e exegética são bastante importantes, mas cabe a possibilidade de não se afastar da realidade, figurando-se que este capítulo foi estruturado depois da morte de Pedro, e antes da morte de João, no momento em que o tema da sucessão já foi plantado. Aqui é destacada a importância de Pedro como o primeiro entre as partes.


Cada aparição de Cristo Ressuscitado aos seus apóstolos, especialmente em São João, sempre termina com uma “transmissão de poderes”. São João coloca intencionalmente esta transmissão depois da ressurreição (ao contrario de Mt 16,13-20) para deixar bem claro que os poderes missionários da Igreja é a irradiação da gloria do ressuscitado (“todo poder foi me dado... ide, pois”: Mt 28,18-19), e não para o uso próprio nem para a autopromoção ou para dominar os demais.


O diálogo do Senhor Ressuscitado com Pedro enfatiza três assuntos ligados entre si: o amor, o pastoreio e o seguimento até o martírio. E esse diálogo acontece logo depois da refeição comunitária. Nesse diálogo Jesus se dirige a Pedro chamando-o pelo nome de sua ascendência: “Simão de João”. Ao usar o nome de Pedro Jesus dirige-lhe três perguntas num tom pessoal e solene: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Santo Agostinho comentou: “O Senhor perguntou três vezes para que a tríplice confissão apagasse a tríplice negação”. Jesus ressuscitado cura no mais fundo da alma de Pedro as feridas causadas nele pela sua tríplice negação (cf. Jo 18,17.25.27). Ao ser perguntado “pela terceira vez” por Jesus se Pedro O amava, Pedro ficou triste. Pedro reconhece sua infidelidade, mas não pode negar a existência de seu amor por Jesus: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. Ao responder na terceira vez, Pedro mostra que não se apóia mais nas suas forças, no seu saber e na sua vontade e sim no saber e na bondade do Senhor: “Tu sabes tudo”. Ao mesmo tempo Pedro afirma a verdade do seu amor ao Senhor e se deixa verificar seu amor por aquele que “sabe tudo”: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo apesar das minhas fraquezas e limitações”.


Somente depois da purificação de seu amor é que Jesus confere a Pedro o ofício de pastor de toda a Igreja: um ofício feito no amor e por amor ao Senhor e às ovelhas do Senhor (povo de Deus). As ovelhas das quais Pedro deve cuidar são as ovelhas de Jesus: “minhas ovelhas”.  “Apascenta minhas ovelhas como minhas, não como tuas”, comentou Santo Agostinho. 


Então, antes de transmitir o “poder de apascentar” o povo de Deus (“minhas ovelhas”) Cristo Ressuscitado pergunta a Pedro se ele ama a Jesus com o amor ágape. “Ágape” é uma palavra grega que significa o amor que se dirige unicamente para o outro, incondicional, e que não espera nada em troca. É uma doação pura de si mesmo. É um amor sem motivos, isto é, amar por amar. Para servir e trabalhar com e para o Senhor pelo bem dos demais é necessário ter amor puro no coração. Quem tem amor no coração, vai tratar bem aos outros. Jesus morreu por amor aos homens (Jo 13,1; 15,14). A Igreja de Cristo conduzida por Pedro e seus sucessores deve se converter em sacramento visível do ágape, do amor fraterno, de doção de si. Cada líder na Igreja do Senhor, desde o Papa até aos agentes pastorais, deve ser transformado em líder de amor. Por isso, é sempre um desafio de todos os dias.


O amor é o fundamento de toda pastoral. Por isso, Jesus não pergunta a Pedro se ele superou sua crise, se foi submetido a uma terapia psicológica para recuperar a auto-estima, se fez algum curso de liderança, se sabe manejar situações de conflito, se domina as dinâmicas de animação comunitária, se domina as técnicas pastorais, e sim Jesus o confronta com o fundamento de todo seguimento e de todo cuidado pastoral: o amor a Jesus e a sua comunidade, a decisão de entregar a própria vida para que os outros tenham vida (cf. Jo 10,10). Quem ama de verdade não compactua com a maldade, com a injustiça, etc., porque amor é responsabilidade. Todas as injustiças são conseqüências da falta de amor.


“Sim, Senhor, eu te amo”, responde Pedro. “Apascenta as minhas ovelhas”, diz Jesus a Pedro. A intimidade da fé e a resposta de amor de Pedro não são escritas para ser saboreadas sentimentalmente, e sim para ser transformadas em responsabilidade. “Se me amas, Pedro, então, apascenta as minhas ovelhas”. O amor a Jesus se transforma em responsabilidade de cuidar dos demais, pois eles são de Jesus (“minhas ovelhas”). Ao dizer que ama a Deus, o homem se transforma em responsável pelos outros. Amor e responsabilidade são, para Jesus, uma moeda de dois lados.


Jesus chama Pedro por seu nome original “Simão, filho de João”. E Pedro escuta atentamente a voz do Senhor. Seu coração foi crescendo em maturidade e agora compreende que Jesus não é o Messias político que ele esperava (Jo 13,37; 18,10) e sim o ser humano generoso que dá sua vida em serviço à humanidade deprimida, excluída, marginalizada e abandonada (Jo 15,13.15). Agora Pedro se encontra disponível para seguir a Jesus, o Caminho, não sob seus próprios interesses e sim animado pelo Espírito do Ressuscitado. A tríplice pergunta e afirmação são uma rememoração do itinerário do discípulo. Pedro partiu de uma adesão fervorosa, chegou à negação (Jo 18,27), passou pela dura experiência da morte de Jesus e agora chega a um novo ponto de partida. A adesão de Pedro não é simples militância e sim é amor entranhável por um ser humano que lhes ensinou o verdadeiro caminho para Deus: o caminho de amor que se transforma em serviço à comunidade: “Apascenta minhas ovelhas”. As ovelhas pertencem ao Senhor; o povo é de Deus. O próprio Senhor é o verdadeiro Pastor das ovelhas (cf. Jo 10). O bom tratamento para as ovelhas significa o bom tratamento para Deus. O mau tratamento para as ovelhas significa o mau tratamento para Deus, pois as ovelhas são as do Senhor. Todos são chamados a cuidar das ovelhas do Senhor. Cuidar significa amar, alimentar, guiar, proteger e assim por diante.


As perguntas feitas a Pedro são dirigidas a toda a Igreja, a cada cristão e, portanto, a mim e a você. “Quando é lida esta leitura, cada cristão sofre o interrogatório no coração”, dizia Santo Agostinho. O amor é a única realidade consistente, que permanece e dá consistência a tudo. Aquele que foi enviado por amor e para amar a humanidade (Jo 3,16) e que nos ama até o fim (Jo 13,1) nos pergunta sobre nosso amor ao Senhor e às ovelhas do Senhor. Tendo amor no coração ao Senhor e às ovelhas do Senhor, tudo se tornará obra prima e tudo se eleva até Deus.


Em silêncio neste dia Jesus chama cada um de nós por nosso nome original e pergunta: “Você me ama mais do que qualquer pessoa e qualquer coisa do mundo e em qualquer situação?”. Ele não nos pergunta se temos condições de assumir uma tarefa ou não, e sim se amamos verdadeiramente o Senhor que se expressa no amor às ovelhas do Senhor (toda pessoa humana). Primeiro é amar. Depois é servir. Servir sem amor transforma qualquer um em escravo. Servir com amor transforma cada um de nós em parceiro do Senhor. Podemos dar sem amar, mas não podemos amar sem dar. Aquele que semeia cortesia colhe amizade, e aquele que planta delicadeza colhe amor. O amor é firme como rocha em que as ondas do ódio batem em vão. O verdadeiro amor nos eleva até Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). “Quanto mais amas, mais alto tu sobes” (Santo Agostinho).


Reflitamos sobre as seguintes palavras de Santo Agostinho:


“Os que apascentam as ovelhas de Cristo com ânimo de fazê-las propriedade sua e não de Cristo, manifestam claramente que amam a si mesmos e não a Cristo; desempenham a missão recebida movidos pela cobiça da glória, do domínio, da posse, e não movidos pelo amor de obedecer, ajudar ou agradar a Deus... Demonstra que tens amor ao Pastor amando as ovelhas, pois também as ovelhas são membros do Pastor”.


P. Vitus Gustama,svd

 

PARA REFLETIR

Um dia, levantei-me de manhã cedo para assistir o nascer do sol. A beleza da criação divina estava além de qualquer criação. Enquanto eu assistia, louvei a Deus pelo seu belo trabalho. Sentado lá, senti a presença de Deus comigo. Ele me perguntou: “Você me ama?” Eu respondi: “É claro, Deus! Você é meu Salvador”.


Então ele perguntou: “Se você tivesse alguma dificuldade física, ainda sim me amaria?” Eu fiquei perplexo. Olhei para meus braços, pernas e para o resto do meu corpo e me perguntei quantas coisas eu não seria capaz de fazer, as coisas que eu dava por certas. E eu respondi: “Seria difícil, Senhor, mas eu ainda Te amaria”.
 

Então, o Senhor disse: “Se você fosse cego, ainda amaria minha criação?” Comecei a pensar e a me perguntar: “Como eu poderia amar algo sem a possibilidade de vê-lo? Então, eu pensei em todas as pessoas cegas no mundo e quantos deles ainda amam a Deus e Sua criação. Então, eu respondi: “É difícil pensar nisso, mas ainda Te amaria, Senhor”.


O Senhor, então, perguntou-me: “Se você fosse surdo, ainda ouviria Minha Palavra?” Como poderia ouvir algo sendo surdo? Então, eu entendi. Ouvir a Palavra de Deus não é simplesmente usando os ouvidos, mas nosso coração. Eu respondi: “Seria difícil, mas eu ainda ouviria a Tua Palavra”.


O Senhor novamente perguntou: “Se você fosse mudo, ainda louvaria Meu Nome?” Como poderia louvar sem uma voz? Então, me ocorreu: Deus quer que cantemos de toda nossa alma e de todo nosso coração. Não importa como possa parecer. E louvar a Deus não é sempre com uma canção, mas quando somos oprimidos, nós louvamos a Deus com nossas palavras de gratidão. Então, eu respondi: “Embora eu não pudesse fisicamente cantar, eu ainda louvaria Teu Nome, Senhor”.


E o Senhor perguntou: “Você realmente Me ama?” Com coragem e forte convicção, eu respondi seguramente: “Sim, Senhor! Eu Te amo, Tu és o único e verdadeiro Deus!” Eu pensei ter respondido bem, mas então Deus perguntou: “Então, por que pecas?” Eu respondi: “Porque eu sou apenas um ser humano. Não sou perfeito!” “Mas por que em tempos de paz você vagueia ao longe? Por que somente em tempos de problemas você ora com fervor?” Sem respostas. Somente lágrimas.


O Senhor continuou: “Por que cantas somente nas confraternizações e nos retiros, nas festas de aniversário? Por que me buscas somente nas horas de adoração? Por que me perguntas coisas tão egoístas? Por que me fazes perguntas tão sem fé?” As lágrimas continuavam a rolar em minha face. “Por que você está com vergonha de mim? Por que você não está espalhando as boas novas? Por que em tempos de opressão, você chora a outros quando eu lhe ofereço Meu ombro para você chorar nele? Por que cria desculpas quando lhe dou oportunidades de servir Meu Nome? Você é abençoado com vida. Eu não lhe fiz para que jogasse este presente fora. Eu lhe abençoei com talentos para Me servir, mas você não progride em conhecimento. Eu falei com você, mas seus ouvidos estavam fechados. Eu mostrei minhas bênçãos, mas seus olhos se voltaram para outra direção. Eu lhe mandei servos, mas você se sentou ociosamente enquanto eles eram afastados. Eu ouvi suas orações e respondi a todas elas”.


Eu tentei responder, mas não havia resposta a ser dada. “VOCÊ ME AMA REALMENTE?” Eu não pude responder. Como eu poderia? Eu estava inacreditavelmente constrangido. Eu não tinha desculpas. O que eu poderia dizer?


Quando meu coração chorou e as lágrimas brotaram, eu disse: “Por favor, perdoe-me, Senhor! Eu não sou digno de ser seu filho”.
 

O Senhor respondeu: “Esta é Minha graça, minha criança. Você é minha criação, você é minha criança. Eu nunca te abandonarei. Quando você chorar, Eu terei compaixão e chorarei com você. Quando você estiver alegre, Eu vou rir com você. Quando você estiver desanimado, Eu te encorajarei. Quando você cair, Eu vou te levantar. Quando você estiver cansado, eu te carregarei. Eu estarei com você até o final dos tempos e te amarei para sempre”.


Eu jamais chorara daquela maneira antes. Como pude ter sido tão frio? Como pude ter magoado Deus como fiz?


Eu perguntei a Deus: “Quanto me amas?” O Senhor, então, esticou Seu braço e eu vi em Suas mãos enormes buracos sangrentos. Logo, curvei-me aos pés de Jesus Cristo, Meu Salvador, e pela primeira vez eu orei verdadeiramente.

 

Fonte: desconhecido.

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