sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

CHAMADOS PARA SERMOS ENVIADOS PARA FAZER O BEM

Sábado, 03 de Dezembro de 2011

Mt 9,35-10,1.6-8


    
Naquele tempo, 35Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37“A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” 10,1E, chamando os seus doze discípulos deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. Enviou-os com as seguintes recomendações: 6“Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!” (Mt 9,35-10,1.6-8)

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Jesus percorria todas as cidades e povoados ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando todo tipo de doença e enfermidade”, assim nos relatou o evangelho deste dia.


O texto do evangelho que nos propõe para nossa meditação neste dia apresenta umsumário” da atividade de Jesus na Palestina, especialmente em Cafarnaum. A atividade de Jesus nesse sumário tem basicamente quatro facetas.


A primeira, como Mestre. Jesus prega somente o que é bom e ensina algo para edificar a fraternidade. Ele corrige os ensinamentos equivocados dos legalistas que excluem muitas pessoas de uma convivência igualitária e fraterna. Por isso, toda sua pregação e todo seu ensinamento são chamados de Boa Notícia ou Boa Nova. A segunda faceta é como Terapeuta. Jesus atende e ajuda os enfermos para libertá-los de suas doenças físicas, psicológicas e espirituais. Jesus se preocupa com o homem na sua totalidade. Jesus cuida do homem na sua totalidade. O apóstolo Pedro, na sua pregação, resumiu bem toda a atividade de Jesus nessas palavras: “Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele” (At 10,38). O verdadeiro cristão é, conseqüentemente, aquele que somente prega, ensina e faz o bem até o fim de sua vida terrena.


A terceira faceta da atividade de Jesus é como Pastor: “Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor”. Como o verdadeiro Pastor Jesus se compadece das multidões e trata de orientá-las pelo caminho da solidariedade, da fraternidade e da tolerância. Jesus sempre se compadece pelos que sofrem como se o sofrimento fosse dele próprio. A compaixão é uma das características de Deus. A compaixão é comover-se até as entranhas, solidarizar-se profundamente, sentir-se a partir de outrem; é sofrer com (Latim: pati + cum, compaixão = sofrer com). A compaixão requer que estejamos com as pessoas que sofrem e dispostos a partilhar nosso tempo com elas. Quando compartilhamos nosso coração e tempo com uma pessoa que sofre, uma parte do sofrimento dela será aliviada. O resto, deixamos com Deus desde que façamos nossa parte até o limite de nossa capacidade. Somos seguidores do Deus da Compaixão que se tornou carne em Jesus Cristo.


A quarta faceta da atividade de Jesus é como organizador de comunidades de homens e mulheres.  Havia muitas pessoas inquietas, mas necessitavam de um fator de coesão, de um líder que os vinculava e os ajudava a crescerem como pessoas. Esta ultima faceta de organizador e de promotor de organizações comunitárias está condensada nos relatos de eleição dos doze missionários ou apóstolos para continuar a missão. E aqui está condensada um dos seus ensinamentos fundamentais: a comunidade cristã (pastorais, movimentos, grupos eclesiais) existe para evangelizar. A comunidade cristã existe porqueumpovo cansado e abatidodiante do qual cada membro da comunidade cristã é chamado a ser solidário capaz de aliviar a dor alheia e de dar resposta a partir de sua própria insignificância e debilidade. Cada um de nós, apesar das fraquezas, tem algo de bom para ser partilhado com os outros. Se cada um tirar um pouco de bom de dentro de seu coração o cristianismo vai fazer a diferença na sociedade.


Jesus é muito consciente da amplitude de sua obra. É necessário ter muito tempo. Sem pressa Jesus limita a missão no momento dentro do território de Israel. Ele mesmo, durante sua vida terrena, se limitou ao que podia fazer: dirigir-se às ovelhas agarradas da casa de Israel. Mais tarde ele enviaria os discípulos pelo mundo inteiro (Mt 28,18-20). Em outras palavras, é preciso arrumar primeiro a casa. É preciso evangelizar os que estão dentro de casa para depois evangelizar os que estão fora dela que nem sempre é fácil. É o desafio de cada missionário-evangelizador.

      
Ao enviá-los Jesus dá-lhes o poder. Mas este poder deve ser entendido como um dom de autoridade (autoridade: augere =crescer). Somente tem autoridade aquele que é capaz de fazer o outro crescer . Aquele que está com autoridade tem as seguintes características: 1). Está orientado por inteiro ao ministério apostólico, ou para o serviço e não para dominar ou mandar e desmandar e sim para expulsar o mal, fazer o bem, pregar o Reino. É um dom completamente missionário. Por isso, não se trata de nenhum poder de direção ou de governo. 2). É uma autoridade conferida, mas não abandonada por Jesus aos seus discípulos. 3). Jesus reconhece que haverá oposição por causa de interesses.

             
Somos chamados por Jesus Cristo para estar com ele a fim de aprendermos a ser parceiros do bem. Somos enviados depois do encontro com ele para fazer o bem e em busca dos novos parceiros do bem. A alma da missão é a caridade. A única coisa que nos faz bem é fazer o bem. A vida não é uma luta para superar os outros, mas uma missão a ser exercida para dar o melhor de nós para a humanidade conforme os talentos recebidos de Deus. Estamos aqui neste mundo com um objetivo único, com um objetivo nobre que nos permitirá manifestar nosso mais alto potencial enquanto, ao mesmo tempo, acrescentamos valor às vidas das pessoas que estão a nossa volta. Descobrir a própria missão significa trazer mais de você mesmo para o trabalho, para a convivência e concentrar-se nas coisas que você sabe fazer melhor e dar sempre o melhor de você para os outros sem esperar nada em troca.  


Proclamai que o reino de Deus está próximo”. Muitas vezes se busca Deus demasiadamente longe. De fato ele está próximo de nós. O Deus que Jesus revela é um Deus próximo, um Deus amoroso. Por isso, jamais eu estou sozinho, inclusive quando me sinto abandonado ou solitário. Para poder proclamar aos demais sobre a bondade, a proximidade da presença de Deus, o cristão-missionário há que ter feito a experiência do Deus próximo em si mesmo pessoalmente.


Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios”.  O cristão-missionário é aquele que distribui benefícios, aquele que faz o irmão crescer e viver a vida dignamente, aquele que leva a paz. A partir disso, é bom cada se perguntar: “Qual será minha maneira de ajudar, de servir, de distribuis benefícios para os outros irmãos?”.


Recebestes de graça, de graça dai!”. Além de ter uma vida despojada, o cristão deve ser generoso e viver na gratuidade. O cristão-missionário deve atuar com desinteresse econômico, não buscando seu próprio proveito.Todos sabem que quanto mais se tem, mais se quer. A felicidade ficará cada vez mais distante quando o ser humano começar a criar mais necessidades. Aquele que sabe reduzir ao mínimo suas necessidades encontra uma alegria e uma liberdade maior. Possuído ou dominado pelas coisas o homem perde sua liberdade.


Advento é oportunidade para dar a mão e o coração para aqueles que estão distantes de nosso coração, marginalizados de nosso afeto, desprezados de nosso respeito, afastados de nosso perdão. Advento é olhar exigente e sincero sobre nós mesmos e sobre os demais com reflexos de compreensão, ternura, ajuda e paciente perseverança. Advento é preparação de um novo encontro com o Deus de amor e de misericórdia que vem ao nosso encontro na debilidade de uma Criança para nos ensinar toda a verdade. Será que estou pronto para aceitar toda a verdade de minha vida? Não é a verdade que doe. O que doe muito é a falsidade, pois somente a verdade é que nos faz livres e leves no nosso cotidiano.

P. Vitus Gustama,svd

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