terça-feira, 13 de dezembro de 2011

ENTRE O DIZER E O FAZER NA VIDA CRISTÃ

Terça-feira, 12 de Dezembro de 2011

Texto de Leitura: Mt 21, 28-32


“Se serves ao Verbo de Deus, tu estás no Santuário (Orígenes)



A parábola dos dois filhos tem uma função similar à parábola do filho pródigo no evangelho de Lucas (cf. Lc 15,11-32) embora cada evangelista a desenvolva diversamente. Para o evangelista Mateus a mesma parábola é também o eco do Sermão da Montanha que enfatiza o fazer do que o dizer (Mt 7,21-23; cf. Mt 12,50;23,3-4). Atrás da parábola está Aquele que uma vez disse “sim” à vontade de Deus jamais mudou para umnão”. Ele é Jesus Cristo em quem devemos nos espelhar para nossa vida de cristãos.

          
Mt começa a parábola com a pergunta: “Que vós parece?” (v.28a). Esta pergunta é típica de Mateus (cf. Mt 17,25;18,12;22,17;26,66). A pergunta não é mais dirigida aos discípulos, mas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, os mesmos interlocutores da unidade anterior (cf. Mt 21,23-27). A pergunta obriga os ouvintes a comprometer-se e a tomar posição. A resposta à pergunta torna-se um julgamento para os ouvintes. E no fim da parábola, mais uma vez, os mesmos interlocutores são obrigados a escolherqual dos dois fez a vontade do pai?” (v.31). A resposta dada a estas perguntas pelos ouvintes será sua salvação ou seu juízo.

                     
Os ouvintes de Jesus não tiveram dificuldade de dar uma resposta exata à pergunta de Jesus: “Qual dos dois fez a vontade do pai?”. Sem hesitarem os ouvintes responderam: o primeiro filho , isto é, aquele que falou que não iria, mas de fato foi e fez o que o pai pedia.
    

A mensagem, portanto, é muito clara. Entre palavra e ação, a primazia é dada á ação. Entre intenção e ação, a primazia é dada à ação. O homem se salva não pelas palavras, intenções, palavras estéreis e descompromissadas, mas por fatos concretos e precisos.
               

Quando nós não somos fiéis à nossa palavra deixa de respeitarmos a nós mesmos e conseqüentemente aos outros e a verdade não está em nóS, não somos fiéis a nós mesmos, e também aos outros. Deste jeito estamos mentindo para nós mesmos e para os outros. A mentira é a defesa fácil dos fracos, que não são capazes de assumir a responsabilidade de seus atos. Triste é que o mentiroso não somente se condena a si próprio a vergonhosas contradições, mas também priva os demais do direito que têm à verdade, semeando desconfiança entre as pessoas. Uma vez alguém mente, ele será obrigado a inventar outras mentiras para confirmar oudefender” a primeira mentira.

         
O fazer ou o agir é tão importante que Jesus Cristo pede aos discípulos o seguimento. Seguir a Jesus é agir com ele e como ele, acompanhá-lo no seu agir. Jesus chama os discípulos convidando-os a segui-Lo(Mt 4,19-22; 8,22; 9,9; 16,24; 19,21.27). O que conta diante de Deus não são as aparências, nem as boas intenções ou palavras, mas a PRÁTICA. Deus olha para o que de fato fazemos, não importa o que pensamos ou dizemos. Aquele que honra a Deus, não é aquele que observa uns ritos exteriores, mas sim aquele que põe em prática a vontade de Deus. Por isso, devemos ficar sempre atentos para que a nossa prática religiosa ou nossos ritos exteriores, não seja mais importante do que nosso Deus e nosso próximo.

         
Por isso, o maior escândalo de nossos tempos é a separação da religião da vida. Reza-se, mas não se vive o que se reza. Canta-se mas não se vive o que se canta. Recebe-se a Eucaristia, mas não se vive a comunhão fraterna. Dobra-se os joelhos diante do sacrário, mas despreza-se o irmão, o corpo vivo e imagem de Cristo.

          
Numa ocasião o Papa Paulo VI disse: “O grande pecado da moderna cristandade é o vazio entre a e as obras. É o pecado de ser ilógico, inconsciente e infiel”. O maior escândalo de nossos tempos é a separação da religião da vida. Reza-se, mas não se vive o que se reza. Canta-se mas não se vive o que se canta. Recebe-se a Eucaristia, mas não se vive a comunhão fraterna. Dobra-se os joelhos diante do sacrário, mas despreza-se o irmão, o corpo vivo e imagem de Cristo.

                     
Portanto, a parábola dos dois filhos é um convite para fazermos o sério exame de consciência sobre o nosso agir diário. As nossas palavras nunca podem ultrapassar o nosso agir para não sermos chamados de cristãos falsos. Se não nos convertermos continuamente, o mundo vai repetir as palavras de Mahatma Gandhi: “Eu aceito o vosso Cristo, mas não aceito o vosso cristianismo”.

P. Vitus Gustama,svd

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