quinta-feira, 2 de junho de 2016

Domingo,05/06/2016




JESUS É O SENHOR DA VIDA E DA MORTE


X DOMINGO DO TEMPO COMUM “C”


Primeira Leitura: 1Rs 17,17-24


Naqueles dias, 17sucedeu que o filho da dona da casa caiu doente, e o seu mal era tão grave que ele já não respirava. 18Então a mulher disse a Elias: “O que há entre mim e ti, homem de Deus? Porventura vieste à minha casa para me lembrares os meus pecados e matares o meu filho?”.19Elias respondeu-lhe: “Dá-me o teu filho!” Tomando o menino do seu regaço, levou-o ao aposento de cima onde ele dormia, e o pôs em cima do seu leito. 20Depois, clamou ao Senhor, dizendo: “Senhor, meu Deus, até a viúva, em cuja casa habito como hóspede, queres afligir, matando-lhe seu filho?”. 21Depois, por três vezes, ele estendeu-se sobre o menino e suplicou ao Senhor: “Senhor, meu Deus, faze, te rogo, que a alma deste menino volte às suas entranhas”. 22O Senhor ouviu a voz de Elias: a alma do menino voltou a ele e ele recuperou a vida. 23Elias tomou o menino, desceu com ele do aposento superior para o interior da casa, e entregou-o à sua mãe, dizendo: “Eis aqui o teu filho vivo”. 24A mulher exclamou: “Agora vejo que és um homem de Deus, e que a palavra do Senhor é verdadeira em tua boca”.


Segunda Leitura: Gl 1,11-19


11Asseguro-vos, irmãos, que o evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos. 12Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo. 13Certamente ouvistes falar como foi outrora a minha conduta no judaísmo, com que excessos perseguia e devastava a Igreja de Deus 14e como progredia no judaísmo, mais do que muitos judeus de minha idade, mostrando-me extremamente zeloso das tradições paternas. 15Quando, porém, aquele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça 16se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos, não consultei carne nem sangue 17nem subi, logo, a Jerusalém para estar com os que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, parti para a Arábia e, depois, voltei ainda a Damasco. 18Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Cefas e fiquei com ele quinze dias. 19E não estive com nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor.


Evangelho: Lc 7,11-17


Naquele tempo, 11 Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. 12 Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13 Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!” 14 Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” 15 O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16 Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. 17 E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira, e por toda a redondeza. (Lc 7,11-17)
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Estamos na seção central da segunda parte do evangelho de Lucas (Lc 6,11-8,56) onde se encontram os ensinamentos e milagres de Jesus. Através desta seção o mistério de Jesus e a dinâmica do Reino que ele prega vão se revelando passo a passo aos seguidores. Nesta seção podemos encontrar materiais bastante diversos: a escolha do grupo dos Doze (Lc 6,12-16), o Sermão da Planície (Lc 6,17-49), duas séries de milagres (Lc 7,1-17; 8,22-56), e uma pequena coleção de parábolas (Lc 8,4-18). E tudo isto faz parte ainda da atividade de Jesus na Galileia (Lc 4,19-9,50).


O relato da “ressurreição” do filho da viúva de Naim se encontra apenas no evangelho de Lucas. E Lucas se inspirou nas narrativas de milagres dos profetas Elias e Eliseu (1Rs 17,17-24; 2Rs 4,17-22.32-37). Ao introduzir este relato Lucas quer justificar aquilo que Jesus dirá mais adiante, no v.22, como resposta para a pergunta de João Batista: “Os cegos veem..., os surdos ouvem..., os mostos ressuscitam” (Lc 7,22). Até este relato Lucas não tinha relatado ainda nenhuma “ressurreição”. Por isso, ele precisa narrar um milagre deste tipo para justificar a realidade do v.22.


Neste relato encontramos dois protagonistas: a mãe viúva e seu único filho morto. Na época de Jesus as mulheres eram muito discriminadas. Sendo viúva, pior ainda. As viúvas viviam em situação de extremo desamparo. Elas eram devoradas pelos escribas (Lc 21,4), e empobrecidas (Lc 21,2). A vida de uma viúva “sempre” foi muito sofrida e humilhante (Dt 24,17; Is 1,17; 10,2; Jr 7,6 etc.), mesmo que a lei protegesse as viúvas (Ex 22,22-23). Mas Lucas demonstra atenção especial às viúvas (11 menções: 2,37; 4,25. 26; 7,12; 18,3. 5; 20,28.30.47;21,2.3), apresentando-as como figuras exemplares do louvor inspirado (Lc 1,38), da reivindicação da justiça (Lc 18,3) e dos fracos vergonhosamente explorados (Lc 20,47;21,2). Não é por acaso que nas primeiras comunidades cristãs era dedicada uma atenção especial às viúvas (At 6,1ss). Pelo mesmo motivo São Tiago afirma que “a religião pura e sem mancha aos olhos de Deus Pai é esta: olhar pelos órfãos e viúvas necessitadas” (Tg 1,27). E nas nossas comunidades temos alguma atenção para essa classe de fiéis? Será que temos pastoral das viúvas ou pela menos alguma atenção pastoral para as viúvas.


Lucas nos relatou que a viúva de Naim perdeu seu filho único. Ao relatar desta maneira, Lucas quer enfatizar a intensidade dramática da situação da viúva (viúva e sem filho), de um lado, e mostrar o poder de Deus que torna possível o que é impossível para o ser humano (cf. Lc 1,37; 18,27), do outro lado. Perder filho único, como aconteceu com a viúva de Naim, significava perder todas as condições para continuar vivendo. O filho era o que lhe restava, pois a vida da viúva dependia diretamente da vida do filho, que era o herdeiro legítimo de tudo que o pai morto deixou. Mas Jesus, Deus-Conosco, devolveu a alegria de viver da viúva ao restituir a vida de seu único filho.


Vendo aquela mãe viúva chorando pela morte de seu filho único, Jesus compreende a sua situação desesperadora e se comove. A primeira reação de Jesus é dirigir àquela mãe uma palavra de consolo: “Não chores!”. Em seguida, sem se preocupar com uma possível contaminação ritual prevista pela lei para os casos de contato com mortos (cf. Nm 19,16), Jesus se aproxima e toca no morto e disse ao jovem morto solenemente: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”. Aqui Lucas apresenta Jesus como Senhor que, com autoridade, tem poder sobre a vida e a morte. O resultado das palavras cheias de autoridade de Jesus é descrita no v.15: “O que estava morto sentou-se e começou a falar”. E Jesus entrega o filho à mãe.


O jovem, mesmo voltou a viver, morrerá de novo. Aqui o evangelista Lucas quer nos dizer que o símbolo da humanidade nova é Jesus Cristo com sua comitiva. O cortejo com Jesus é diferente. O Mestre Jesus vai à frente deste cortejo. E a multidão e os discípulos que acompanham Jesus são testemunhas de uma vida sem igual e de uma inefável esperança que Jesus comunica a todos. Jesus é a vida de nossas vidas. Jesus é aquele que ressuscita algo precioso dentro de nós que estava morto. Com efeito, a maior morte é aquilo que morre dentro de nós e que é precisos.


Jesus não somente curou o empregado do centurião (Lc 7,1-10), não somente chamou de volta para a vida o filho da viúva (Lc 7,11-17), ele não só perdoa à pecadora (Lc 7,36-50), mas Jesus “se move de compaixão” (Lc 7,3), entrou no desespero da pecadora para devolver-lhe a esperança e sofre a dor da viúva e devolve-lhe o que é para ela precioso: o filho único. Tudo isso é a manifestação da misericórdia de Deus encarnada em Jesus Cristo. Jesus é a obra definitivo de Deus neste mundo. Jesus é o Deus-conosco (cf. Mt 1,23; 18,20; 28,20). A verdadeira importância de Jesus Cristo entre nós será revelada quando Jesus, o Autor da vida, entrar pessoalmente na morte daquele jovem e de todos os jovens que vivem como mortos. Na morte de Jesus toda a história humana terá um novo início, um novo princípio. Em Jesus temos vida em abundância (cf. Jo 10,10). Em sua carne, em sua agonia, Jesus assumiu a morte de todos nós.


Agora é a minha vez para dar aos irmãos minha vida, minha confiança e minha fé, pois muitos precisam andar com mais firmeza, com a cabeça erguida em sinal de sua imortal esperança. Temos que viver como ressuscitados.


Vamos aprofundar um pouco mais este texto refletindo sobre alguns pontos como mensagens para nossa vida.


1. Confio No Senhor Por Causa Da Firmeza De Sua Palavra


 Ao ver a viúva (enlutada pela morte do filho único), o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: ‘Não chores! ’” (Lc 7,13).


Tragédia, problemas e dificuldades não têm hora para chegar à nossa vida. E quando chegam não pedem licença, mas adentram nosso espaço e interrompem nossos sonhos, nossa tranquilidade, nossas alegrias, nossos ideais até nosso futuro. E o mais interessante é que vivemos informados diariamente sobre tantas tragédias, tantos assassínios que ocorrem pelo mundo e achamos que somos ou sejamos invulneráveis a tudo isto. Mas quando somos atingidos pela tragédia, pelos problemas e dificuldades ou pelas provações, nos vem à mente esta pergunta: “Onde está você, Deus? O Senhor não está vendo o que está acontecendo na nossa vida?”. E quantas vezes nos sentimos solitários, como quem querendo uma explicação diante de nossos problemas, mesmo que seja apenas uma pequena luz, mesmo sendo do tamanho de uma força de um fósforo.


Diante da interrogação sobre a existência de Deus por causa de nossos problemas, precisamos estar conscientes de que Deus é bondoso de mais para ter ímpetos de crueldade, sábio demais para errar, verdadeiro demais para enganar, amoroso demais para se vingar e profundo demais para se explicar. Diante dos problemas, dificuldades, angústias e provações, saibamos que não há Deus maior como o nosso Deus revelado por Jesus Cristo, que é amor (1Jo 4,8.16), e soberano, e Criador de todas as coisas e que com toda certeza tem o melhor para nós, mesmo que sua resposta seja um sonoro NÃO para nossa vida ou nosso modo de viver (cf. 2Cor 11,23-31;12,7-10), ou mesmo que tenhamos que esperar um pouco mais a sua resposta, pois Deus pode tardar, mas jamais falha. Por causa deste Deus que jamais falha é que nos tornamos fiéis, perseverantes e pacientes em tudo. “Senhor, eu espero em ti o dia todo por causa da tua bondade”, recorda-nos o salmista (Sl 25[24],5b). Confiamos no Senhor por causa da firmeza de Sua Palavra, da peculiaridade de Sua Verdade e da permanência de sua eternidade.


2. O Senhor Nos Chama à Vida e à Compaixão Permanentemente


Aproximou-se, tocou o caixão..., Jesus disse: ‘Jovem, eu te ordeno, levanta-te!’. O que estava morto sentou-se e começou a falar” (vv.14-15a).


No relato do evangelho deste dia Jesus se aproxima da realidade da morte do filho da viúva pessoalmente. Ninguém estava pedindo a Jesus que interviesse. A iniciativa dele é gratuita em todos os sentidos. Ele é itinerante conosco. Ele vai ao encontro do povo onde este está, embora este nem sempre perceba a presença do Senhor. Ele tem um olhar penetrante, capaz de perceber a realidade para poder oferecer uma solução adequada. Ele olha com benevolência e ternura. Ele deixa que a realidade dolorida entre dentro dele, que o contagie: “O Senhor sentiu a compaixão para com a viúva e lhe disse: ‘Não chore! ’”. A compaixão é uma reação característica de Deus. Na sua tradução correta do grego que remete a um modo hebraico de falar, a palavra “compaixão” significa “atingido no íntimo” ou “nas entranhas”. Ao ver a viúva enlutada, Jesus realmente “foi tomado nas entranhas” por amor.  “Compaixão” é a reação espontânea do amor de Deus por nós, seres humanos.


A compaixão coloca em crise o discurso. “Não chores!”, diz Jesus à viúva. Palavras consolam, mas desde que estejam dentro do processo da compaixão-misericórdia. Palavras descompromissadas não causam efeito benévolo algum. Exigem ser respaldadas pelo testemunho e pela prática da solidariedade. Não devemos dizer uma palavra a mais além daquilo que fazemos. Por isso, baseado na sua compaixão, o Senhor chama o jovem morto de volta para a vida para a alegria da viúva enlutada: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”. Por esta ordem o jovem voltou a viver: “Sentou-se e começou a falar”. A palavra é autoridade para levantar “defuntos” quando é carregada por alguém que vive realmente uma espiritualidade da compaixão-misericórdia. Ressuscitar mortos é reunir pessoas que se amam. O filho vivo para a viúva significava não apenas um pedaço de sua vida, mas também um amparo legal, o sustento e o consolo de sua viuvez.


Tudo isto quer nos dizer que Deus se encontra onde há o sentido da compaixão, pois a compaixão é uma reação característica de Deus. Deus se encontra onde há o sentido do amor vivificante, pois “Amor” é o nome próprio de Deus (1Jo 4,8.16). Significa ainda que, seguindo Jesus, só podemos também suscitar vida, ter piedade dos que sofrem, oferecer a nossa ajuda, ter uma atitude de oblação. Das duas, uma: ou fazemos da nossa vida um cortejo de morte, dos sem esperança, que acompanham o cadáver, em atitude de choro, de luto, de desespero: ou fazemos do nosso peregrinar um caminho de esperança, de ressurreição, de transformação do choro e da morte em sentido de vida. Podemos escolher. Mas se somos seguidores de Cristo e nos deixarmos visitar pelo Senhor, autor da vida, o nosso peregrinar deve ser um caminho de esperança e não um cortejo de morte. Deus, em quem acreditamos, não é uma ameaça ou um concorrente, mas uma potência de amor que nos constrói e nos chama à vida. Por isso, Jesus sempre se coloca a favor da vida.


Consequentemente, ser cristão é ser lutador e defensor da vida no seu início, na sua duração e no seu fim. O homem possui a vida de Deus e por isso ele é sagrado. A vida é sagrada e divina demais para ser sacrificada. A vida, por ser divina, merece ser reverenciada, amada e respeitada em todos os momentos. Graças à nossa mãe que nos ama e ama a nossa vida e por isso, não nos abortou. A viúva é símbolo da humanidade, para quem Jesus trouxe consolo e sustento: a vida que jamais morre, pois Deus é a vida e a ressurreição (cf. Jo 11,25-26a).


Além disso, olhando para a viúva de Naim, reconhecemos que quantas vezes tentamos buscar um modo de sair de situações embaraçosas, caóticas e delicadas, mas somos obrigados a aceitar nossas limitações. Quantas vezes nos vemos em meio a conflitos pessoais, familiares ou profissionais, indecisos entre fazer ou não fazer, hesitantes entre ir ou ficar por causa de nossas fraquezas. A história da viúva de Naim quer nos ensinar que diante de qualquer situação, por pior que seja, sempre haveremos de encontrar o Senhor a nos amparar, pois Ele mesmo é o Deus-Conosco (cf. Mt 28,20).


3. Somos chamados a viver nossa missão profética


Ao ver o jovem voltar a viver, “Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: ‘Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo” (Lc 7,16).


A reação dos que testemunham a restituição da vida do jovem, filho da viúva de Naim é a de temor. Hoje diríamos de estupor, e reverência religiosa. Vários exemplos deste tipo de reação podem-se encontrar no evangelho de Lucas (veja 1,65;5,9;5,26;8,25;8,37). Diante da extraordinária manifestação do poder salvador de Deus faltam as palavras. Não lhes resta nada mais do que louvar a Deus: “Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: ‘Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. Veem nele um grande profeta a serviço do povo de Deus e reconhecem que na ajuda misericordiosa de Jesus, Deus se encontrou com o seu povo: “Deus veio visitar o Seu povo” (cf. Lc 1,68). O Antigo Testamento (AT) fala dessas “visitas” como se fossem intervenções de Deus para abençoar o seu povo (Gn 21,1;Ex 3,16;Jr 29,10) ou para castigá-lo (Ex 32,34;Is 10,12; Ez 23,21). Em Lucas, através do relato, a visita do Senhor é obra de sua graça. Precisamos ficar atentos porque o Senhor nos visita constantemente e de várias maneiras para nos consolar, nos confirmar, nos corrigir ou nos alertar. Na compaixão traduzida na solidariedade que praticamos, sem dúvida Deus está conosco e através desta bondade vivida por nós para o bem de todos, Deus nos faz instrumentos de Sua amorosa visita.


A expressão “um grande profeta” que poderia aludir ao profeta escatológico esperado por Israel (Dt 18,15-18), se refere seguramente a um profeta como Elias. No entanto, para Lucas, a autoridade de Jesus não é somente a de um grande profeta (4,24;7,39;13,33.34), mas daquele que se apresenta como o Messias de Israel, o Filho de Deus, o Senhor da vida e da morte (5,8.12;6,5.46;17,6;18,41 etc.) que sabe, no entanto, compadecer-se da necessidade humana (7,13).


Participamos da função profética de Jesus através do Batismo. Como ser profeta hoje?


É descobrir e propor o projeto de Deus para a humanidade. Profeta é alguém com uma fé profunda, com uma consciência muito forte da presença de Deus na própria vida. E a vida de união e de comunhão com Deus vai impregnando a vida do profeta, de modo que vai aprendendo a interpretar todos os acontecimentos políticos, sociais e religiosos à luz de Deus e do Seu projeto. Ser profeta é estar marcado pelas experiências de solidão, angústia, sofrimento, crise, rejeição, incompreensão, mas mesmo assim continua sendo fiel à missão de Deus. No fundo, trata-se de arriscar a vida, na certeza da presença de Deus. Ser profeta é estar instalado para levar adiante a missão recebida. Ser profeta é assumir um modo novo e inédito de viver e anunciar o essencial. O essencial é a fé, a esperança e a plenitude do amor, das quais os profetas foram testemunhas vulneráveis, mas obstinados. Ser profeta é escutar, aprender, receber, acolher o Deus do povo e o povo de Deus. Ser profeta é ser coerente entre a palavra anunciada e as opções pessoais. Quantos pretensos profetas gritam diante dos microfones, ditam sentenças nos jornais, revistas, televisão e rádio, no entanto não dão testemunho com a sua vida e por isso, as coisas não mudam. E assim por diante. A partir de tudo isso e de tudo mais, sejamos honestos ao responder a esta pergunta: “Vivemos realmente a nossa função profética? Será que os outros poderão nos dizer: ‘Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo? ’”.


P. Vitus Gustama,svd

Um comentário:

Alê disse...

Padre, sua benção. Palavras de sabedoria, inspiradas pelo Espírito Santo. Obrigada por partilhar conosco. Deus o proteja na sua missão 🙏🏼🙏🏼