sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

03/01/2018
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JESUS VEM ME LIBERTAR DO MEU PECADO E ME TRANSFORMAR EM FILHO DE DEUS E SER TESTEMUNHA DO QUE SOU
03 de Janeiro


Primeira Leitura: 1Jo 2,29-3,6
Caríssimos: 29 Já que sabeis que ele é justo, sabei também que todo aquele que pratica a justiça nasceu dele. 3,1 Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2 Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3 Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. 4 Todo o que comete pecado comete também a iniquidade, porque o pecado é a iniquidade. 5Vós sabeis que ele se manifestou para tirar os pecados e que nele não há pecado. 6Todo aquele que peca mostra que não o viu, nem o conheceu.


Evangelho: Jo 1,29-34
29No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. 31Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”. 32E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!”.
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Somos Filhos e Filhas Do Deus Santo e Amoroso


Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos!”


Todos os batizados são chamados de "filhos de Deus". Mas este não é um título sem conteúdo real. É um fato da parte de Deus, que nos dá nova vida. É um dever para nós, o que nos obriga a vivermos de maneira diferente. Nascido de Deus (Jo 1,12s; 3,5) pela obra do Espírito (Jo 3,6), somos “estranhos” neste mundo.


O mundo com o qual João está falando são os homens que se opõem a Deus com sua incredulidade, com seu ateísmo prático (1Jo 2, 15-17). Aquele que não ama a Deus e O reconhece como tal não pode amar e reconhecer os filhos de Deus. E vice-versa.


A realidade dos filhos de Deus é uma realidade escondida diante de nossos olhos e não apenas nos olhos do mundo; pois ainda não temos plena consciência do que somos e as dificuldades da vida presente escondem a grandeza e a dignidade insuspeita dos filhos de Deus. Algum dia veremos com claridade.


O pleno conhecimento de Deus coincidirá com o pleno conhecimento dos filhos de Deus. Quando esse dia chegar, o dia em que vemos Deus face a face, saberemos o que somos e seremos semelhantes a Deus, nosso Pai. Deus nos elevará até a altura de Seus olhos para que possamos nos ver e nos reconhecer neles. E se manifestará que Deus é amor e que aqueles que amam nasceram de Deus.


Da Primeira Leitura sabemos, então, que Deus é Santo; Deus é Amor; Deus é Verdade; Deus é Vida; Deus é Misericórdia. Podemos gastar nossas vidas expressando muitas coisas sobre o que Deus é, mas abemos que nós somos filhos e filhas de Deus. E o mais importante é não saber o que ou quem é Deus, mas como manifestamos em nosso próprio ser o que dizemos sobre Ele, porque ao tentar definir quem é Deus, estamos definindo nossa própria vida. Hoje, São João nos diz que Deus é santo; e, portanto, nós que somos filhos e filhas de Deus, devemos ser santos como Deus é santo. Esse é o trabalho que temos que levar adiante diariamente, através de nossa identificação com Jesus Cristo. Quem apenas diz que é filho de Deus com os seus lábios, mas a sua vida, as suas obras, as suas atitudes são do mal e do pecado, ele não pode realmente dizer que ele é um filho de Deus, porque nem sequer O conhece para poder viver de acordo com a revelação que de Deus nos fez seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.


Ser Cristão É Ser Testemunha Da Vida e Dos Ensinamentos de Cristo


O texto do evangelho deste dia fala do testemunho de João Batista sobre a pessoa de Jesus, O Verbo feito carne (Jo 1,19-36). Um dos temas preferidos do evangelista João é, certamente, testemunho. O evangelista usa o verbo “testemunhar” (martyrein) em 33 ocasiões e o substantivo “testemunho” (martyria) 15 vezes.


O testemunho de João Batista ilustra concretamente o que foi dito em Jo 1,6-8.15 de sua missão que era dar testemunho de Jesus para que todos pudessem crer nele. Dar testemunho é muito importante neste evangelho. O testemunho, neste evangelho, tem sempre por objeto a pessoa de Jesus, seu significado profundo para a vida dos homens. Em outras palavras, o testemunho aqui é sempre cristológico. É isto que João Batista faz a respeito de Jesus.


Testemunha é a pessoa que teve a experiência direta de algum fato e que narra o que viu ou ouviu, ou alguém que observou um acontecimento e pode informar a respeito dele para provar, para acusar, ou para inocentar (Lv 5,1; Nm 5,13; Dt 17,6s etc.). O testemunho, neste evangelho, supõe o ver, mas não o simples ver físico, mas o ver que sabe perceber a presença de Deus em Jesus. Para que uma pessoa possa perceber a presença de Deus em Jesus, na vida ou nos acontecimentos, ela deve limpar o coração do ódio, pois Deus é Amor (1Jo 4,8.16). “Quanto mais amas, mais alto tu sobes” (Santo Agostinho).


Antes de proferir o seu testemunho, João vê Jesus vir na sua direção. João Batista, no Quarto Evangelho, percebe a presença de Deus em Jesus Cristo como Aquele que tira o pecado do mundo. Quando Jesus aparece pela primeira vez no Quarto Evangelho, ele é mostrado no ato de “vir”. Com isso, se realiza o anúncio de Isaías: “O Senhor vem” (Is 40,10).


Jesus continua vindo em nossa direção, como aconteceu com João Batista. Somos convidados a olhar para ele com fé. É o olhar da fé que descobre a realidade sob as aparências, e confere seu verdadeiro sentido a todo o mundo visível no qual Jesus aparece. João Batista passou pela escola do deserto, onde se exercitou na humilde docilidade interior. A sua figura é, no início do Evangelho, o símbolo de todos os crentes que se põem em seguimento do Verbo encarnado. Ele realiza as condições da busca e da descoberta. Não se deixa enganar por nenhum poder, nem sequer o dos fariseus; procura a Deus só e, livre de todo o preconceito, reconhece-o tal como vem aos homens, na humildade da encarnação.


Jesus que continua vindo em nossa direção nos faz filhos de Deus como disse a Carta de São João: “Caríssimos, desde já somos filhos de Deus...”. (Cf. 1Jo 2,29 – 3,6). Somos filhos no Filho. O amor do Pai ao Filho é o mesmo amor com que nos ama. Quando fecho meus olhos e me digo: “Quem sou eu?”. Para esta pergunta pode ter mil maneiras de responder: com meu nome, o lugar, a data de nascimento, os pais e irmãos, o povo, os estudos, a profissão e assim por diante. No entanto ninguém me define tão profundamente nem tão realmente como minha relação com Aquele que é a origem, o término, o horizonte constantemente presente: Eu sou filho, filho de Deus, já agora! Precisamos deixar esta convicção aflorar em nossa consciência, pois nos traz gozo, alegria e força para viver firmemente sabendo que Deus nos ama, pois somos Seus filhos e filhas. Mas é também fonte de onde brota nosso comportamento e compromisso: o caminho dos “filhos de Deus” é o caminho do “Filho de Deus por excelência, Jesus”. Precisamos viver aquilo que Jesus viver e sentir aquilo que ele sentiu.


Diante de Jesus que está vindo em sua direção, João reage em profundidade: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Palavras que se repetem seis vezes na celebração eucarística (2x na Glória, 3x depois da saudação da paz e a sexta vez, imediatamente antes da comunhão). João fala do “pecado do mundo” (em singular) e não dos “pecados do mundo” (em plural. O que é este “pecado”?


O pecado fundamental para João é não aceitar o Filho de Deus entre nós com todas as conseqüências que isso comporta (cf. Jo 16,8-9). Aceitar Jesus e seus ensinamentos leva a pessoa a viver na fraternidade e no amor. Para João guardar os mandamentos do Senhor é uma clara expressão de que a pessoa ama a Jesus (cf. Jo 14,21).


Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Somente João está disposto a reconhecer Aquele que Deus envia, não obstante afirmar que não o conhecia (v.31.33). Não conhece de vista ou por contato, mas já conhece interiormente, pela ação do Espírito Santo que o envia e que ele não pára de interrogar.


João Batista vê Jesus que vem. Mas não guarda para si como seu segredo, como propriedade privada, o que viu. Ele quer que todos vejam o que ele vê: “Eis...”, João diz, o que implica um convite a olhar. João Batista não chama a atenção para um messias ausente e vindouro, mas para um messias que está no meio de nós e que não o conhecemos. A primeira condição de toda busca da fé é, certamente, o senso de observação das pessoas, das coisas e da vida em geral.


Eis o Cordeiro que tira o pecado do mundo”! Infelizmente, o pecado é uma realidade onipresente entre nós e dentro de cada um, ontem, hoje e sempre. Em qualquer lugar encontramos a exploração que gera a fome, a pobreza, a violência, marginalização. As pessoas são dominadas pela soberba, avareza, luxúria, inveja, ódio, rivalidade, vingança, rancor, falta de perdão e assim por diante. Apesar de tudo isso, ser cristão hoje é ser testemunha entre os homens que Jesus venceu o pecado em nossa vida, porque ele nos fez filhos de Deus e nós adotamos seus sentimentos e atitudes evangélicas na vida cotidiana, e queremos viver os valores evangélicos do amor, da fraternidade humana, da justiça e da solidariedade com os mais necessitados. Basta alguém aceitar Jesus o poder do mal não tem vez nenhuma, pois Jesus vem para tirar o pecado do mundo.


Apesar de sabermos que o pecado é a “mercadoria” global cuja produção nunca entra em crise e cuja demanda desconhece limites e que não temos balança em condição de calcular seu peso, nós acreditamos que pecado nenhum consegue esgotar a paciência de Deus em Jesus Cristo, nenhum pecado consegue cansar a misericórdia de Deus e bloquear seu perdão e pôr limites a seu amor infinito. Por isso, Jesus é nossa vitória, nossa libertação e nossa paz. Por ele e com ele somos capazes, e é nosso dever de vencer o pecado cada dia, dentro de nós mesmos, dentro de casa, em nossa vida e no ambiente que nos cerca através da construção do Reino de Deus e Sua justiça na nossa vida.
                 P. Vitus Gustama,svd

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