sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Domingo,16/12/2018
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A VERDADEIRA ALEGRIA NO SENHOR SE ALCANÇA ATRAVÉS DA CONVERSÃO
III DOMINGO DO ADVENTO ANO “C”


I Leitura: Sf 3,14-18a
14 Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! 15 O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. 16 Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! 17 O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido por amor; exultará por ti, entre louvores, 18ª como nos dias de festa”.


II Leitura: Fl 4,4-7
Irmãos: 4 Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos. 5 Que a vossa bondade seja conhecida de todos os homens! O Senhor está próximo! 6 Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. 7 E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamento em Cristo Jesus.


Evangelho: Lc 3,10-18
Naquele tempo, 10 as multidões perguntavam a João: “Que devemos fazer?” 11 João respondia: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!” 12 Foram também para o batismo cobradores de impostos, e perguntaram a João: “Mestre, que devemos fazer?” 13 João respondeu: “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. 14 Havia também soldados que perguntavam: “E nós, que devemos fazer?” João respondia: “Não tomeis à força dinheiro de ninguém, nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!” 15 O povo estava na expectativa e todos perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. 16 Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. 17 Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”. 18 E ainda de muitos outros modos, João anunciava ao povo a Boa Nova.
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Desde a antífona da entrada (“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos. O Senhor está perto” - Fl 4,4.5) até a pós-comunhão, toda a liturgia deste Domingo é um convite à alegria e à festa. Além do mais, neste ano é lido o texto paulino que contribuiu a dar colorido próprio ao Domingo Gaudete (III Domingo do Advento). A que obedece esta euforia dentro do Advento? Sem dúvida nenhuma, a reforma litúrgica quis conservar o tradicional tom de um domingo que assinala a metade do Advento, de modo semelhante ao Domingo Laetare (IV Domingo da Quaresma) assinala a metade da Quaresma. No entanto, as motivações são mais profundas: o Senhor está perto. A vinda do Senhor se aproxima inexoravelmente. A liturgia deste domingo joga com os dois significados fundamentais do Advento: expectativa da última manifestação de Cristo ao final da história e a preparação para o Natal. Para as duas vinda do Senhor, a liturgia nos diz: o Senhor está perto.


Toda a liturgia deste Domingo fala da “alegre espera” porque o Senhor está em meio de seu povo e vem nos salvar: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido por amor; exultará por ti, entre louvores, como nos dias de festa” (Sf 3,17-18). A vinda do Senhor é motivo de alegria como o encontro de duas pessoas que se amam. A alegria humana é uma realidade perfeitamente válida para expressar a vontade de Deus de encontrar-se com seu povo: “Como a recém-casada faz a alegria de seu marido, tu farás a alegria de teu Deus” (Is 62,5) e vice-versa.


É a alegria de João Batista, o amigo do Esposo, que está presente e escuta, e salta de alegria ao ouvir sua voz (Jo 3,29; Lc 1,44). É também a alegria dos amigos do Noivo, os discípulos de Jesus, que não podem jejuar porque o Noivo está com eles (Lc 5,34). A última vinda de Cristo será também motivo de felicidade para todos os justos, que ouvirão aquilo que o Senhor lhes dirá: “Vem regozijar-se com teu Senhor!” (Mt 25,21).


A alegria da Igreja neste Domingo é acompanhada pela petição insistente de purificação do pecado. É no seio da comunidade, reunida na assembleia litúrgica, onde produz a purificação interior que dá passo à alegria que permite reconhecer a presença do Senhor no meio dos seus. Esta purificação antecipa o juízo final que permite nossa entrada para a comunhão plena com Deus quando o Senhor virá na sua segunda vinda (Parusia).


Toda esta alegria nasce de dentro, de uma fonte inesgotável: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti” (Primeira Leitura). Se o Senhor está no meio de nós temos motivo muito grande para estarmos alegres, animados e felizes apesar de tudo que acontece na nossa vida no se aspecto escuro. A alegria é um dom que ninguém poderá tirar de nós (Jo 16,22). Por isso, esta verdadeira alegria no Senhor não depende das situações flutuantes de nossa vida familiar ou de nossa história coletiva. Por isso, ninguém pode tirar de nós esta alegria (Segunda Leitura): “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos... Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças”. Ninguém pode tirar de nós aquela paz que habita ali onde nos reconhecemos crentes: no nosso coração.


Paz, gozo, oração não significam passividade nem evasão de responsabilidade. Por isso, João Batista nos recorda com uma dupla mensagem. Através da pergunta: “Que devemos fazer?”, João Batista tem como resposta: compartilhar e não abusar da própria situação de superioridade. Esta pregação de João Batista contém toda uma mensagem ética, inclusive social, pois a conversão de coração que a Boa Notícia exige tem sua tradução na vida e no comportamento social.


Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos...”. A alegria tem que ser uma das atitudes cristãs fundamentais: devemos ter um olhar otimista sobre as realidade do mundo e da vida, sobre a passagem do tempo e o próprio destino pessoal e coletivo. A vida do crente está cheia de gozo interior porque está cheia de sentido: é a vida de um filho do Pai do céu.


João Batista anuncia uma transformação de fundo: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. O evangelho contém um chamado exigente para responder sem desculpas ou atrasos para a oferta de salvação. Entre estes dois polos: a alegria pela salvação e a exigência da resposta através da conversão são inseparáveis.


Quais são os caminhos que há que endireitar para encontrar o Senhor que vem? São os caminhos da caridade, da justiça, e do respeito mútuo: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo! Não cobreis mais do que foi estabelecido. Não tomeis à força dinheiro de ninguém, nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!”. Nada de novo! Nenhum caminho excepcional! Acolhemos o Senhor através da vida normal e não através das coisas excepcionais. Mais do que os gestos extraordinários o que se conta é a fidelidade no cotidiano. Nisto tudo há uma verdade fundamental: o caminho para Deus passa obrigatoriamente através do próximo. Meu tratamento para com o próximo tem suas consequências no julgamento final.


Nós devemos olhar e amar os irmãos da mesma maneira que Deus olha para nós e nos ama. Nó devemos ter empatia com o olhar e com os sentimentos de Deus. Deus também ama o irmão com paixão. E que esse amor não é algo forçado, com uma cara de aborrecimento. Amaremos os outros com o mesmo entusiasmo de Deus, se participarmos do amor de Deus.


O Advento deve suscitar em nós júbilo e esperança porque o Senhor está próximo, sua presença em meio de nós é uma realidade: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva”, recorda-nos o profeta Sofonias na Primeira Leitura. O que devemos fazer para reconhece-Lo? Como preparamos sua vinda?


Temos que aprofundar na conversão contínua como atitude perene. O pecado nos impede de ver e de reconhecer a presença do Senhor na nossa vida. Mas o cristão que vive alerta sabe muito bem que sua vida orientada para o Senhor se mantém nesta dinâmica.


João Batista nos oferece amor e justiça como o caminho mais seguro para alcançar nossos objetivos cristãos; converter-nos ao amor e à justiça mostrará nossa disposição de compartilhar com os outros a salvação e o amor com que somos amados por Deus. Para que isso aconteça é necessário ter uma experiência pessoal com o Senhor, a fonte de nossa alegria. Por que não se faz um retiro ou um recolhimento a fim de ler e meditar a Palavra de Deus de onde brotará espontaneamente as orações mais profundas?


Aprofundemos mais nossa meditação sobre as leituras de hoje, de modos especial sobre o texto proclamado neste Domingo.


Como foi dito, o tema do III Domingo é a alegria pela presença e ação de Jesus Salvador na história humana: Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos!” (Segundara Leitura). Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém!” (Primeira Leitura). A causa da alegria é o Senhor. Sua presença é um anúncio de Boa Nova, de Notícia gozosa. Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu... Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”.


No Domingo anterior (II Domingo do Advento) falou-se da conversão. O evangelho deste Domingo (III Domingo do Advento) exemplifica sobre como se realiza concretamente a conversão. Em outras palavras, quais são as provas de que uma pessoa realmente se converteu? A conversão sempre traz a alegria e nos faz difundir a bondade de Deus. Certamente este terceiro domingo é conhecido como Domingo de alegria. Mas em que consiste a alegria cristã? 


Conversão e Suas Exigências Concretas


Das multidões que acorriam para serem batizadas, João vai reclamar um “fazer” que deve ir muito além do ato ritual do Batismo. Os homens são chamados a um fazer participativo na obra de Deus. Para João a conversão não é apenas uma atitude interior, uma espécie de sentimento religioso desligado da vida concreta. A conversão tem que ter consequências nos campos econômico, político e social.


No texto (3,8-14) o verbo “fazer” aparece não menos de seis vezes. Dos candidatos ao Batismo João Batista exige que “façam frutos conformes à conversão” (v.8). E os ouvintes (multidão, cobradores e soldados), perguntam três vezes a João Batista: “Que devemos fazer?” (Veja At 2,37). A conversão, a mudança de mentalidade, deve traduzir-se por mudança de vida muito concreta, e não fazer uma teoria. Uma coisa é definir os verdadeiros conceitos da vida, outra, é viver conforme a verdade. Uma coisa é aprender um conceito de felicidade, uma outra, é ser feliz. Por isso, o verbo “fazer” se repete neste texto.


Para a pergunta de três categorias da sociedade “o que devemos fazer”, João não remete à Torá ou ao culto nem dá uma resposta genérica, mas resposta concreta, de acordo com a situação/profissão ou experiência de vida de cada uma. Eles recebem como resposta um ensinamento preciso sobre a prática nova que autenticará sua conversão. A conversão deve estabelecer uma nova relação com o próximo: amor, solidariedade, respeito pelos bens dos outros e a partilha dos bens elementares necessários à vida, entre eles vestes e alimento (v.11). Todos sempre têm oportunidade de encontrar um pobre que não têm túnica (veste digna) ou comida. Cada um é chamado a fazer o bem, segundo suas possibilidades e seu estado de vida.


A primeira categoria de pessoas é a multidão. Para a multidão, a conversão consiste numa exigência de solidariedade como a partilha dos bens elementares necessários à vida para os necessitados; entre eles vestes e alimento (v.11); repartir o que se tem com aqueles que nada têm. Quantas pessoas estão com roupas demais até nem chegam a usar todas, enquanto o pobre não tem nada para se vestir. Quantas pessoas têm alimento em abundância, enquanto muitos morrem de fome. Por isso, para a multidão, João Batista dá este conselho: “Quem tiver duas túnicas, reparta-as com aquele que não tem, e quem tiver o que comer, faça o mesmo” (v.11b). Essa atitude pressupõe o desapego dos bens materiais ou ser pobre em espírito (Mt 5,3). Enquanto existem no mundo desigualdades e riquezas escandalosas ao lado da miséria e da fome, é inútil esperar que o Senhor, nosso Salvador, possa, manifestar-se na nossa vida ou possa “nascer” na nossa família


A segunda categoria é os cobradores de impostos. Eles são os judeus agentes de alfândegas ou arrecadadores de impostos. Para os fariseus, os cobradores eram pecadores. Na verdade, pode-se distinguir duas classes: 1). Os chefes do sistema de arrecadação de impostos. São pessoas muito ricas, geralmente chefes de famílias da alta sociedade de Jerusalém. Uma das coisas que faziam era tomar em forma de aluguel muitos postos de alfândegas. Para cada posto de alfândega estipulavam um piso de arrendamento que era necessário entregar ao poder romano. Os ingressos superiores a esse piso ficavam com o arrendatário como ganho pessoal. Tudo isso fomentava a exploração e a fraude. Geralmente uns e outros ganhavam às custas do povo. 2). Os publicanos ou os cobradores locais. A maior parte dos que faziam esse trabalho eram pobres ou escravos empregados por “uma agência de arrecadação” de algum grande arrendatário, que os mandava embora ao menor problema. O povo devia pagar direitos de alfândega e de pedágio à entrada dos povoados nas pontes, vaus e encruzilhadas dos caminhos. Para sobreviver, os publicanos tinham de exigir uma quantidade superior à tarifa oficial.


Os cobradores de impostos, então, são o símbolo daqueles que compram e vendem sem qualquer escrúpulo, só pensando em suas próprias vantagens mais do que devia; de quem sonega impostos; de quem trama negociatas em prejuízo do Estado; de quem se aproveita da ingenuidade dos humildes para explorá-los para se enriquecer.


Aos olhos de todo sacerdote e fariseus, os cobradores de impostos eram “pecadores”, não só porque muitas vezes se mostravam gananciosos por sua cobiça, mas também porque, constituindo agentes do poder romano, eram considerados traidores da pátria e inimigos de Deus. Visto que para os judeus o único imposto legítimo é o que se paga ao Templo. Por isso, podemos entender o motivo de João Batista em dizer-lhes: “Não deveis exigir nada além do que foi prescrito” (v.13). João Batista se levanta contra uma forma escandalosa de enriquecimento ilícito de uns mediante o abuso de seu poder sobre os outros. A conversão exigia deles apenas o cumprimento honesto de sua profissão e que não abusem do próprio cargo para explorar os mais pobres e indefesos. João Batista mostra que também para eles, cobradores de impostos, há misericórdia e possibilidade de salvação. Para essas pessoas existe a misericórdia de Deus se voltarem ao caminho do Senhor ou se converterem-se de tudo que elas cometeram. Única condição requerida é a prática da justiça na sua tarefa profissional. Dentre eles Jesus irá escolher um apóstolo, Mateus- Levi (5,27), e não desdenhará a sua companhia (Lc 5,29-32;19,1-10).


A terceira categoria é os soldados, que também procura João Batista. Trata-se dos judeus mercenários a serviço de Herodes Antipas ou do corpo policial que assessorava na arrecadação de impostos. Eles eram mal remunerados. Eles eram dispensados do serviço militar romano desde o tempo de Júlio César. Eles foram, também, movidos pelo apelo de João Batista e procuravam o batismo de conversão. Também os soldados eram para os fariseus considerados como pecadores em virtude de sua profissão. Porque a grande tentação do homem com poder na mão era querer enriquecer-se por meio da violência e da opressão contra a pessoa humana.


João Batista não exige dos soldados que abandonem a sua profissão. Eles devem, porém, evitar toda espécie de violência, e as acusações falsas com o intuito de extorquir dinheiro. Para João Batista o fruto da conversão sincera consiste no agir honesto e humano na situação concreta da vida social e profissional.


Quem se preocupa com a conversão sempre se pergunta, como as três categorias de pessoas acima mencionadas: o que devo fazer para melhorar minha vida e meu relacionamento com os outros e com Deus? Em que devo me converter? O que precisa ser tirado do caminho deixando a estrada livre para o Espírito de Deus agir em mim? O que precisa ser eliminado para a festa ser autêntica diante de Deus? O que de bom tenho produzido para apresentar com alegria ao Senhor neste Natal? O que está atrapalhando a chegada do Senhor a mim? Tudo isto é um primeiro passo para a conversão. Não seremos nós, muitas vezes, como os cobradores de impostos e os soldados na época de Jesus, aproveitando-nos do cargo que ocupamos, da profissão que exercemos para impor-nos sobre os demais, para oprimir os mais fracos, enquanto ficamos submetidos às pessoas importantes? Não é abuso de poder despedir um empregado por ciúmes, negar um favor por simples antipatia e fazê-lo, ao invés, a alguém que é amigo? Precisamos examinar nossas atitudes básicas com total sinceridade e sem mecanismos de defesa e escusas que encobrem nosso egoísmo.


A Conversão Nos Traz A Verdadeira Alegria e Nos faz Difundir a Bondade


O terceiro domingo do Advento é conhecido como Domingo Gaudete (alegria). São Paulo nos convida repetidas vezes à alegria. Alegria significa gozo. Nossa alegria, porém, deve ser no Senhor, pois o Senhor é a fonte inesgotável de nossa alegria. O Senhor é nossa alegria eterna. Toda vez que voltarmos para o Senhor, toda vez que fizermos a experiência de encontro profundo com o Senhor, sairemos alegres e viveremos na alegria sabendo que o Senhor está conosco (Mt 28,20).


Os cristãos devem saber que a Boa Nova da salvação é uma mensagem de alegria e que a chamada à conversão é uma mensagem de alegria, pois somente através da conversão pode acontecer a libertação e a libertação é uma alegria. A alegria cristã está fundada na vitória de Cristo sobre a morte, e não uma alegria qualquer. A alegria do Evangelho é uma alegria que vem do Alto, mas que ao mesmo tempo deve brotar de um coração do homem. Por isso, apesar das dificuldades e contradições aparentes, o futuro de quem acredita em Cristo está garantido. A alegria, a princípio, é reservada aos pobres e aos pecadores que se convertem, pois somente eles podem vislumbrar a natureza da salvação que Jesus traz consigo e que concede a alegria. 


Para viver a verdadeira alegria no Senhor, temos que nos aprofundar na conversão contínua. Aquele que descobriu a força do amor misericordioso de Cristo, será capaz de ver todas as coisas com o olhar de Deus. Quando o homem começar a viver profundamente o amor de deus, ele tomará todas as coisas como relativos e o fará mais solidário com os necessitados, pois para ele só importará uma realidade: que Deu seja conhecido e adorado por todos os homens. Toda conversão é um caminhar confiante ao encontro d´Aquele que é maior e tem o batismo no Espirito de Deus. Toda verdadeira conversão também abre o caminho para o encontro com os irmãos, especialmente com os necessitados. Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!” A bondade do cristão é uma participação da bondade divina. O Senhor cria em nós uma atitude nova, uma forma de ser que nos faz bons e nos faz, ao mesmo tempo, difundir a bondade aos outros para todas as direções, como a lua difunde os raios do sol.


É necessário sermos homens e mulheres vazios de si mesmos, humildes, receptivos, abertos a Deus e aos irmãos, sem egoísmo, sem abuso do poder, amigos da compartilha e dispostos a ser enriquecidos com a contribuição humana e espiritual dos outros, inclusive dos mais pobres. Certamente, Jesus comunica uma alegria que é dele, tão somente àqueles que observam o mandamento novo do amor sem fronteiras, como mais tarde Ele dirá: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no Seu amor. Digo-vos estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja completa” (Jo 15,10-11). Esta alegria, então, não é um bem para consumo privado. É preciso testemunhá-la, compartilhá-la com os outros, como diz São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos. Que a vossa bondade seja conhecida de todos os homens. O Senhor está próximo” (Fl 4,4-5).


E a Eucaristia da qual participamos é e deve ser sempre a celebração da verdadeira alegria, pois a Eucaristia é o céu aqui na terra. Quem for à missa ou participar da mesma, ele estará participando do banquete celeste logo aqui na terra. A Eucaristia é o banquete celeste na terra antecipado por Jesus para nós. Os cristãos devem descobrir que em sua diversidade, são constituídos irmãos e irmãs pela graça de Cristo, pois eles estão reunidos por acreditarem no mesmo Cristo e viverem o mesmo ideal de Cristo que faz desmoronar os muros de separação entre os homens. Por isso, ela deve ser celebrada alegremente e os participantes devem sair alegremente e contagiar os outros com a mesma alegria: uma alegria partilhada. Se não a Eucaristia carecerá de sentido e se tornará uma obrigação de participá-la por medo de cometer pecado, se não for à missa. Quem se preocupa com regras, ama pouco e vive sem alegria na vida.
P. Vitus Gustama,svd

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