segunda-feira, 21 de julho de 2014

 
MARIA MADALENA:
SEU AMOR E SEU PRANTO POR JESUS

Terça-Feira, 22 de Julho de 2014

Textos de Leitura: Ct 3,1-4; Sl 62(63); Jo 20,1-2.11-18


Evangelho: Jo 20,1-2.11-18

1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2 Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. 11 Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12 Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13 Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14 Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15 Jesus perguntou-lhe: Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”. 16 Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabunni” (que quer dizer: Mestre). 17 Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18 Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor”, e contou o que Jesus lhe tinha dito. (Jo 20,1-2.11-18)
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Maria Madalena: Do Seu Primeiro Encontro com Jesus. Este é um dos personagens bíblicos escritos pelo famoso escritor libanês, Khalil Gibran, no seu livro: Jesus, o Filho do Homem. No encontro com Maria Madalena, Khalil Gibran colocou na boca de Jesus as seguintes palavras dirigidas a Maria Madalena: “Tu tens muitos amantes; entretanto só eu te amo. Os outros homens amam a si mesmos quando te procuram. Eu ti amo por ti mesma. Os outros homens veem em ti uma beleza que desaparecerá mais cedo do que seus próprios anos. Mas eu vejo em ti uma beleza que não esmaecerá e, no outono dos teus dias, esta beleza não terá receio de olhar-se no espelho, e não será ofendida. Somente eu amo o que não se vê em ti”.


Khalil Gibran colocou na boca de Maria Madalena as seguintes palavras como sua reação diante da pessoa e das palavras de Jesus: “Então, levantou-se e olhou-me como as estações devem olhar para os campos, e sorriu. E disse novamente: ‘Todos os homens te amam por si mesmos. Eu te amo por ti mesma’. E afastou-se, caminhando. Eu não sabia, mas naquele dia o poente de Seus olhos matou o dragão que havia em mim, e tornei-me uma mulher, tornei-me Miriam”.


Celebramos no dia 22 de julho a festa de Maria Madalena. “Maria” significa “preferida por Deus”. Seu sobrenome “Madalena” é o nome da cidade onde ela nasceu, situada na orla do mar da Galiléia.


Dela sabemos muito pouco, mas os traços, que nos oferece o evangelho, nos permitem adentrarmos no mistério de “um amor muito mais forte do que a morte”, como nos relatou o episódio do evangelho lido neste dia. A frase “Encontrei o amor de minha vida” que nos diz o Livro do Cântico dos Cânticos parece-nos apropriada para resumir a trajetória pessoal de Maria Madalena. Quem experimenta o amor de Cristo vê as coisas de outra maneira, vê a morte da vida velha ou vê a morte da vida passada para experimentar a vida nova. Por causa dessa nova visão a pessoa acaba mudando de vida (maneira de viver). Maria Madalena viveu essa experiência em seu encontro pessoal com Jesus. Tão profundo e tão decisivo foi o primeiro encontro com Jesus que tornou a vida de Maria Madalena uma busca incessante do Bem Maior que é Jesus Cristo como relatou o evangelho deste dia. Somente busca o Bem Maior aquele que foi encontrado pelo Bem Maior. Parece-nos que o Salmo responsorial foi feito para esse fim: “A minha alma tem sede de vos, Senhor, minha carne também vos deseja como terra sedenta e sem água!... Vosso amor vale mais do que a vida, e por isso, meus lábios vos louvam” (Sl 62/63,1-2).


Que o amor que transformou Maria Madalena em uma buscadora do Senhor fica patente na pergunta que o Ressuscitado lhe dirigiu: “Mulher a quem procuras?”. Chamam nossa atenção duas coisas. A primeira é que esta pergunta-chave é precedida por outra pergunta: “Mulher, por que choras?”. Como se a intensidade da busca/procura fosse proporcional à magnitude da perda. Somente choramos por aquilo que nos afeta profundamente, seja por causa da tristeza profunda, seja por causa da alegria profunda, seja por causa da partida de uma pessoa tão amada. O pranto de Maria Madalena é um certificado de um amor direto ao coração. Choramos por causa de alegria profunda como choramos por causa de uma tristeza profunda. O choro é a única linguagem capaz de expressar tudo que sentimos profundamente em lagrimas que nenhuma outra língua capaz de expressar.


O pranto de Maria Madalena, como o de Pedro durante a Paixão é fruto de uma descoberta da verdade. Por isso, trata-se de um pranto salutar, de um pranto que exprime o que não pode ser expresso por nenhuma palavra humana. O pranto de Maria Madalena nasce do sentimento de pertença. Ela chora por estar em relação com Jesus que em determinado momento desaparece. Ela tem sentimento de pertencer a Cristo, a relação com define sua vida. Ela é como é agora por causa de Cristo que devolveu sua dignidade.


A segunda coisa que chama atenção é a mudança de termos. Para o pranto se busca uma causa: “Por que choras?”. Ou “Por qual razão tu choras”. O que se busca na pergunta é a causa do pranto. Mas para a busca se faz referência a uma pessoa: “A quem procuras?”. Maria Madalena não busca um ideal, não uma causa pela qual lutar, não busca um sentido, pois tudo isto vem por acréscimo. Maria Madalena busca Aquele que, olhando-a de outra maneira, restituiu-a em sua dignidade de mulher. Ela busca Aquele a Quem seguia pelos caminhos da Galiléia em companhia de outros homens e mulheres. Ela busca Aquele que foi cravado em uma madeira e abandonado quase por todos, exceto ela e a própria mãe de Jesus e algumas outras pessoas (cf. Jo 19,25). Ela busca Aquele que lhe garante um futuro seguro. Ela busca Aquele que tem a ultima palavra para sua vida e sua morte. Ela busca Aquele que é capaz de lhe dar a serenidade apesar de estar no meio das tempestades desta vida.


“Jesus lhe disse: ‘Maria’”. Jesus escolhe a maneira mais pessoal e a mais imediata: chama-a pelo nome “Maria”. Para cada um de nós Deus tem nome, por anônima que seja uma pessoa na sociedade. E Deus nos chama pelo nome: “Eu te chamo pelo nome, és meu”, disse Deus para cada um de nós (Is 43,1). “Eis que estás gravada na palma de minhas mãos, tenho sempre sob os olhos tuas muralhas”, acrescentou Deus (Is 49,16). Quando estivermos dominados pelas preocupações, pelo medo, pela tristeza, pelo desespero, pela confusão; quando trilharmos pelo caminho errado, quando compactuarmos com o mal ou com a maldade; quando ficamos irritados, nervosos com a vontade de destruir tudo, Deus nos chama pelo nome: Maria, Valéria, Mônica, Bernardo, Lucas, João, José...! Deus quer nos dizer: “Ei.. Estou aqui! Não estás Me vendo? Dirige teus olhos para Mim, e não para o túmulo de tua vida!”.


Merecem nossa atenção e nossa meditação para duas perguntas essenciais encontradas no evangelho de João para nossa vida e nossa peregrinação neste mundo: “O que realmente você está procurando neste mundo?”. Esta pergunta é feita por Jesus logo no inicio do evangelho de João: “Que estais procurando?”. É a pergunta dirigida aos primeiros discípulos no evangelho de João (Jo 1,37). 


Parece-me que dedicamos bastante tempo de nossa vida em função da procura do “o quê” de nossa vida. Uma vez Oscar Wilde escreveu: “Neste mundo só há duas tragédias: uma é não se conseguir o que se quer, a outra é conseguir”. Mas no fim confessamos que o dinheiro e o poder não satisfazem aquela fome sem nome que temos na alma. Carl Gustav Jung escreveu no seu livro: O Homem Moderno à Procura de Uma alma, escreveu: “O problema de cerca de um terço de meus pacientes não é diagnosticado clinicamente como neurose, mas resulta da falta de sentido de suas vidas vazias. Isto pode ser definido como a neurose geral de nossa época”. O que nos frustra e tira nossa alegria de viver é a ausência do significado de nossa vida. Nossa alma não está sedenta de poder, de fama, de popularidade, de conforto, de propriedades e assim por diante. Nossa alma tem fome do significado da vida, ou de aprendermos a viver de tal modo que nossa existência ou nossa passagem neste mundo tenha importância ou significado capaz de modificar ou de melhorar o mundo, pelo menos, ao nosso redor.


Através dessa primeira pergunta o evangelista João nos dirige para a pergunta essencial que ele coloca no fim do seu evangelho. A pergunta é esta: “A quem procuras?”. De fato, as coisas, as riquezas, os bens materiais mesmo que os possuamos, eles continuam sendo alheios a nós. Eles jamais serão nossos próximos. No fim confessamos que estamos procurando Alguém capaz de nos salvar de uma vida vazia. A resposta que o evangelista nos dá é Jesus: “Jesus fez ainda, diante de seus discípulos, muitos outros sinais, que não se acham escritos neste livro. Esses, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20,30-31; cf. Jo 10,10; 14,6).


“O que estais procurando?” e “A quem estais procurando?”. Como é que você pode colocar em equilíbrio estas duas perguntas na sua vida cotidiana para que sua vida realmente tenha sentido? Você enfatiza mais na pergunta “O que estais procurando?” ou “A quem estais procurando?”.


Para Refletir:


“Onde é que Te encontrei para poder conhecer-Te (Senhor)? Não estavas na minha memória antes de eu Te conhecer. Onde, então, Te encontrei, para conhecer-Te, senão em Ti mesmo, acima de mim?


Eis que habitavas dentro de mim e eu Te procurava do lado de fora! Tu me chamaste, e Teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e Tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por Ti. Eu Te saboreei, e agora tenho fome e sede de Ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de Tua paz”.


Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti. Dá-me, Senhor, saber e compreender qual seja o primeiro: invocar-Te ou louvar-Te... Quem O procura O encontra, e, tendo-O encontrado, O louvará.  (Santo Agostinho. Confissões, X,26-27; I,1).

P. Vitus Gustama,svd

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